Entenda em 7 pontos quando o fim da escala 6×1 passa a valer e os próximos passos - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Trabalho. 16/10/2026 05:07

Entenda em 7 pontos quando o fim da escala 6×1 passa a valer e os próximos passos

Entenda em 7 pontos quando o fim da escala 6×1 passa a valer e os próximos passos

A aprovação da PEC é uma mudança histórica aponta por especialistas como a maior desde a Constituição de 1988, que introduziu a jornada atual e garantiu vários direitos trabalhistas. Será a segunda redução da jornada legal desde a criação da CLT, em 1943. A anterior veio justamente com a Constituição, que baixou o limite de 48 para 44 horas.

A aprovação é um trunfo para a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, que nos últimos dias tem anunciado várias medidas para reduzir sua distância em relação ao candidato do PL, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que mudou o discurso e também votou a favor da PEC.

Fim da escala 6×1: o que muda na prática

A mudança na escala, no entanto, não é imediata. O texto prevê uma transição de 14 meses, contada a partir da publicação da emenda. Também deixa para leis futuras pontos sensíveis, como o tratamento a micro e pequenas empresas e a setores com escalas especiais. Veja os próximos passos:

1. Promulgação, sem sanção de Lula

Por se tratar de emenda constitucional, o texto não passa por sanção presidencial. Ele é promulgado pelas Mesas da Câmara e do Senado, em sessão do Congresso.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), disse a aliados que pretende fazer a promulgação na próxima terça-feira, cinco dias antes do segundo turno da eleição presidencial. A data ainda não foi oficializada, e a presença de Lula na cerimônia não está definida.

A Constituição não fixa prazo para promulgar uma PEC. A dos agentes comunitários de saúde, por exemplo, foi aprovada pelo Congresso em julho e até esta semana não havia sido promulgada.

2. Folga dupla e 42 horas em dois meses

 Folga remunerada — Foto: Renata Amoedo/Arte O GLOBO
Folga remunerada — Foto: Renata Amoedo/Arte O GLOBO

Os prazos da transição correm a partir da publicação da Emenda no Diário Oficial da União. Dois meses depois, a jornada máxima cai para 42 horas semanais. Passa a valer também o direito a dois dias de descanso semanal remunerado, um deles preferencialmente aos domingos, o que encerra a 6×1 propriamente dita.

O limite de oito horas diárias é mantido. Se a promulgação ocorrer na terça-feira, essa etapa começa na segunda quinzena de dezembro. Até lá, valem as regras atuais.

3. 40 horas a partir do fim de 2027

Jornada menor — Foto: Renata Amoedo/Arte O GLOBO
Jornada menor — Foto: Renata Amoedo/Arte O GLOBO

A segunda etapa vem 14 meses após a publicação, quando o limite chega a 40 horas semanais. Pelo mesmo calendário, isso ocorreria em dezembro de 2027. A PEC proíbe redução salarial nominal, proporcional ou de qualquer outra espécie, inclusive nos pisos das categorias, e vale para os contratos em vigor.

Quem já tem jornada de 40 horas ou menos não terá redução proporcional, mas passa a ter direito às duas folgas.

4. Acordos coletivos terão de ser ajustados

Header- fim da escala 6x1 - novo - carteira de trabalho — Foto: Arte O GLOBO
Header- fim da escala 6×1 – novo – carteira de trabalho — Foto: Arte O GLOBO

Cláusulas de acordos e convenções coletivas incompatíveis com as novas regras perdem efeito dois meses após a publicação. A negociação coletiva continua sendo instrumento de ajuste. Na fase de 42 horas, poderá ampliar a duração de alguns dias para redistribuir a carga semanal, desde que mantidas as duas folgas.

Também poderá prever regimes de compensação, desde que a média do mês seja de dois dias de descanso por semana, com pelo menos uma folga a cada sete dias.

5. Pequenos negócios dependem de lei complementar

Header- fim da escala 6x1 - novo - pequena empresa — Foto: Renata Amoedo/Arte O GLOBO
Header- fim da escala 6×1 – novo – pequena empresa — Foto: Renata Amoedo/Arte O GLOBO

A PEC autoriza uma lei complementar a criar medidas transitórias para microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte. Essas medidas ficam condicionadas à manutenção dos níveis de emprego.

O texto não fixa prazo para essa lei, que precisa de maioria absoluta nas duas Casas: 257 deputados e 41 senadores. Enquanto ela não for aprovada, a transição é a mesma para empresas de todos os portes.

Em junho, o governo enviou à Câmara um projeto de lei complementar sobre o MEI. Ele eleva gradualmente o teto de faturamento de R$ 81 mil para R$ 140 mil até 2028 e permite contratar até dois empregados, em vez de um.

6. Setores com escalas especiais

Setores que as regras não se aplicam — Foto: Renata amoedo/Arte O GLOBO
Setores que as regras não se aplicam — Foto: Renata amoedo/Arte O GLOBO

Uma lei ordinária poderá criar regimes diferenciados de jornada e descanso, respeitados os limites da emenda. Na votação, Aziz reconheceu que alguns setores, como o de petroleiros, vão precisar de ajustes.

A ideia é deixar claro que as escalas especiais de algumas atividades poderão continuar sendo negociadas pelos sindicatos das categorias, como acontece hoje.

7. Terceirizados do setor público: prazo de um ano

Terceirizados — Foto: Renata Amoedo/Arte O GLOBO
Terceirizados — Foto: Renata Amoedo/Arte O GLOBO

Contratos da administração pública com mão de obra terceirizada terão até um ano para receber aditivos que recomponham o equilíbrio econômico-financeiro. A regra vale para serviços de limpeza, vigilância e manutenção e também para concessões e parcerias público-privadas. A jornada menor passa a valer na data do aditivo ou, no máximo, ao fim desse prazo.

A segunda folga semanal, porém, não depende do aditivo e vale em dois meses, como para os demais trabalhadores. Também nesses casos é proibido cortar salários.

As prefeituras devem ser as mais afetadas, já que a administração pública municipal tem o maior percentual de profissionais que trabalham mais de 40 horas semanais, 4,4%, seguida pela estadual, com 1%. Na União, o percentual é de 0,6% dos trabalhadores. Os dados foram compilados a partir da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho.

Em estudo publicado em junho, a Confederação Nacional de Municípios (CNM) estima um impacto direto de R$ 1,5 bilhão nas prefeituras, com a contratação de 25,8 mil novos servidores, efetivos e temporários, devido à redução da jornada.

Deu em O Globo
Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista