Jornal acusa Justiça Eleitoral de blindar candidatura de Lula e atropelar a liberdade de imprensa
O cancelamento do debate presidencial previsto para 1º de outubro de 2026 provocou uma reação contundente do jornal O Globo.
Em editorial publicado no dia seguinte, o veículo classificou como “politização perniciosa” a atuação recente do Judiciário e afirmou que a interferência dos tribunais superiores “mancha” as “credenciais democráticas” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Decisões judiciais que inviabilizaram o evento
A crise teve início quando a ministra Estela Aranha, indicada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por Lula, proibiu que a TV Globo exibisse o púlpito vazio do petista durante o confronto. Além disso, a magistrada vetou que os adversários do presidente fizessem perguntas direcionadas ao candidato ausente.
Na avaliação do editorial de O Globo, a manobra da magistrada foi sustentada por uma alegação “sem nexo”, cujo propósito era evidentemente favorecer a candidatura petista.
A ingerência do TSE gerou efeito cascata: o senador Flávio Bolsonaro (PL) também desistiu de participar do evento.
Gilmar Mendes alterou lista de participantes
O jornal dirigiu críticas igualmente ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que modificou a relação de candidatos aptos ao debate poucas horas antes da transmissão programada. Diante do que considerou casuísmo dos tribunais, a cúpula da emissora optou pelo cancelamento como única saída viável.
O estúdio da TV Globo no Rio de Janeiro permaneceu vazio na noite de 1º de outubro — uma imagem simbólica do impasse entre o Poder Judiciário e a liberdade de informação.
Precedentes ignorados pelas decisões judiciais
O editorial fez questão de recordar que a regra do púlpito vazio já havia sido aplicada sem qualquer contestação em disputas eleitorais anteriores. O próprio Lula faltou a debates no primeiro turno de 2006 e ao confronto realizado pela Band na campanha atual. Em ambas as ocasiões, o espaço vago foi mantido durante a exibição, sem interferência judicial.
“Afronta à liberdade de imprensa”
O texto publicado pelo O Globo encerrou com um tom ainda mais incisivo. Para o veículo, a ausência de Lula combinada com o pedido de liminar ao TSE revelam desrespeito tanto ao eleitorado quanto ao documento que havia sido assinado por todas as campanhas.
“Não há condição de realizar um debate livre se a Justiça intervém horas antes numa afronta à liberdade de imprensa”, afirma o editorial.
O episódio reacendeu o debate sobre os limites da atuação da Justiça Eleitoral em períodos de campanha e sobre o equilíbrio entre os poderes da República durante o processo das Eleições 2026.

