Editorial de O Globo denuncia politização perniciosa do Judiciário após cancelamento de debate presidencial - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Censura 02/10/2026 12:12

Editorial de O Globo denuncia politização perniciosa do Judiciário após cancelamento de debate presidencial

Editorial de O Globo denuncia politização perniciosa do Judiciário após cancelamento de debate presidencial

Jornal acusa Justiça Eleitoral de blindar candidatura de Lula e atropelar a liberdade de imprensa

O cancelamento do previsto para 1º de outubro de 2026 provocou uma reação contundente do jornal O Globo.

Em editorial publicado no dia seguinte, o veículo classificou como “politização perniciosa” a atuação recente do Judiciário e afirmou que a interferência dos tribunais superiores “mancha” as “credenciais democráticas” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Decisões judiciais que inviabilizaram o evento

A crise teve início quando a ministra Estela Aranha, indicada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por Lula, proibiu que a TV Globo exibisse o púlpito vazio do petista durante o confronto. Além disso, a magistrada vetou que os adversários do presidente fizessem perguntas direcionadas ao candidato ausente.

Na avaliação do editorial de O Globo, a manobra da magistrada foi sustentada por uma alegação “sem nexo”, cujo propósito era evidentemente favorecer a candidatura petista.

A ingerência do TSE gerou efeito cascata: o senador Flávio (PL) também desistiu de participar do evento.

Gilmar Mendes alterou lista de participantes

O jornal dirigiu críticas igualmente ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que modificou a relação de candidatos aptos ao poucas horas antes da transmissão programada. Diante do que considerou casuísmo dos tribunais, a cúpula da emissora optou pelo cancelamento como única saída viável.

O estúdio da TV Globo no Rio de Janeiro permaneceu vazio na noite de 1º de outubro — uma imagem simbólica do impasse entre o Poder Judiciário e a liberdade de informação.

Precedentes ignorados pelas decisões judiciais

O editorial fez questão de recordar que a regra do púlpito vazio já havia sido aplicada sem qualquer contestação em disputas eleitorais anteriores. O próprio Lula faltou a debates no primeiro turno de 2006 e ao confronto realizado pela Band na campanha atual. Em ambas as ocasiões, o espaço vago foi mantido durante a exibição, sem interferência judicial.

“Afronta à liberdade de imprensa”

O texto publicado pelo O Globo encerrou com um tom ainda mais incisivo. Para o veículo, a ausência de Lula combinada com o pedido de liminar ao TSE revelam desrespeito tanto ao eleitorado quanto ao documento que havia sido assinado por todas as campanhas.

“Não há condição de realizar um debate livre se a intervém horas antes numa afronta à liberdade de imprensa”, afirma o editorial.

O episódio reacendeu o debate sobre os limites da atuação da Justiça Eleitoral em períodos de campanha e sobre o equilíbrio entre os poderes da República durante o processo das .

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


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