Inclusão 23/09/2026 04:30
Dia Nacional dos Surdos em Natal: passeio inclusivo percorrerá Centro Histórico com interpretação em Libras

Uma experiência inédita de acessibilidade, história e pertencimento vai marcar o Dia Nacional dos Surdos em Natal.
No próximo dia 26 de setembro, o Passeio Inclusivo pelo Centro Histórico vai percorrer alguns dos principais pontos da história da capital, na Cidade Alta, com comunicação em Língua Brasileira de Sinais (Libras) e roteiro pensado para proporcionar à comunidade surda acesso a personagens e acontecimentos que fazem parte da memória da capital potiguar.
Com patrocínio institucional do Sistema Fecomercio RN, por meio do Sesc RN, a programação terá início às 14h, com saída da Praça André de Albuquerque e encerramento, às 17h30, na Pedra do Rosário, durante o pôr do sol às margens do Rio Potengi.
Além dos integrantes da Associação de Surdos de Natal (Asnat) e da Pastoral dos Surdos da Igreja de São Pedro, já confirmados no evento, também estão disponíveis vagas para outras pessoas surdas e seus respectivos acompanhantes. As inscrições podem ser realizadas pela página do evento na plataforma Outgo (https://www.outgo.com.br/passeio-inclusivo-pelo-centro-historico-2026).
Celebrado em 26 de setembro, o Dia Nacional dos Surdos foi instituído pela Lei no 11.796/2008. A escolha da data faz referência à criação, em 1857, da primeira escola para surdos do Brasil, atual Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines).
Mais que uma celebração, a data chama a atenção para os direitos, a cidadania e a necessidade de ampliar a acessibilidade e a participação das pessoas surdas nos diferentes espaços da sociedade.
Idealizador do projeto, o historiador Alexandre Rocha explica que o Passeio pelo Centro Histórico nasceu com a proposta de aproximar os natalenses da história da própria cidade.
A edição inclusiva surgiu da percepção de que parte da população ainda encontra barreiras para participar plenamente dessa experiência.
“O nosso lema é devolver a cidade para as pessoas, mas percebemos que um grupo enorme estava marginalizado dessa narrativa. Decidimos que era hora de trazer essas pessoas para a linha de frente. Com o patrocínio institucional do Sistema Fecomercio RN, por meio do Sesc RN, nos propusemos a transformar esse propósito em uma experiência efetivamente acessível”, conta Alexandre.
Durante aproximadamente três horas e meia, o grupo vai conhecer espaços como a Praça André de Albuquerque, Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, Igreja de Santo Antônio (conhecida como Igreja do Galo), Memorial Câmara Cascudo, Praça Padre João Maria, Casa do Padre João Maria, Museu Café Filho, Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, Praça 7 de Setembro, Pinacoteca Potiguar, antigo Tribunal de Justiça, Assembleia Legislativa, Palácio Felipe Camarão, Palacete da Viúva Machado e Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.
O percurso seguirá ainda pelo Mirante do Potengi até a Pedra do Rosário, onde o passeio será encerrado por volta das 17h30, tendo como cenário o pôr do sol sobre o Rio Potengi.
Mais do que identificar prédios e monumentos, a proposta é permitir que a comunidade surda conheça as histórias por trás desses lugares, compreenda acontecimentos políticos e sociais e descubra personagens e curiosidades que ajudaram a construir Natal. “Queremos quebrar a barreira do silêncio no turismo patrimonial de Natal.
A história não pode estar disponível apenas para quem ouve. Quando a comunidade surda conhece as tramas políticas, as revoltas e a vida que ergueu os palácios e ladeiras da cidade, passa também a se reconhecer como herdeira dessa memória. A história é, antes de tudo, uma ferramenta de cidadania”, ressalta o historiador.
Alexandre Rocha espera que a experiência funcione também como projeto-piloto para a incorporação permanente da acessibilidade aos passeios históricos. A atividade permitirá avaliar aspectos como deslocamento pelas ruas, segurança, ritmo da interpretação em Libras e dinâmica de comunicação com os participantes.
“A ideia não é criar uma ação isolada para uma data comemorativa. Queremos aprender com essa experiência e construir um modelo para que a acessibilidade deixe de ser uma edição especial e passe a integrar o calendário. Inclusão verdadeira não é abrir uma porta nos fundos, mas colocar esse público no centro da nossa história”, defende.
Assim, a experiência poderá abrir caminho para novos formatos de visitação ao Centro Histórico, contemplando outros públicos. Entre as possibilidades levantadas pelo historiador estão percursos com audiodescrição e experiências táteis para pessoas com deficiência visual, rotas adequadas às pessoas com mobilidade reduzida e adaptações de ritmo e comunicação voltadas ao público neurodivergente.
Fonte e foto: Assessosria

Descrição Jornalista
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