PF acha pagamento de R$ 33 milhões do Master a advogada citada como ‘canal direto com STF’ - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Corrupção 17/09/2026 15:36

PF acha pagamento de R$ 33 milhões do Master a advogada citada como ‘canal direto com STF’

PF acha pagamento de R$ 33 milhões do Master a advogada citada como ‘canal direto com STF’

Polícia Federal extraiu documentos de uma auditoria interna do Banco Regional de Brasília (BRB) que colocam sob suspeita as despesas do Banco Master com escritórios de advocacia. Entre os pontos de atenção está um pagamento de R$ 33 milhões, feito em 2024 ao escritório Alves Corrêa, da advogada Dalide Corrêa.

O material foi retirado de itens apreendidos com dirigentes do BRB no âmbito das investigações sobre a operação do banco com Daniel Vorcaro.

O relatório da auditoria chama atenção para o crescimento das despesas com advogados. No ano fiscal de 2024, o Master gastou R$ 215 milhões com escritórios, contra R$ 76 milhões no ano fiscal de 2023.

A maior fatia foi para o escritório Barci de Moraes, que recebeu R$ 40 milhões, seguido pelo Alves Corrêa, com os R$ 33 milhões.

‘Do total de R$ 215 milhões no FY24 [ano fiscal de 2024] (comparado com R$ 76 milhões em FY23), a maior parte refere-se a R$ 40 milhões destinados ao escritório Barci de Moraes, seguido de R$ 33 milhões pagos ao Alves Corrêa [da advogada Dalide Corrêa]. Consideramos essencial compreender o nível habitual dessas despesas para avaliar seu impacto no modelo financeiro. Contudo, não recebemos da administração uma definição sobre o patamar usual para esse tipo de gasto’, registra o documento de auditoria do BRB.

‘Canal direto com o STF’

Dalide Corrêa aparece citada em diálogos entre diretores do Master. Nas conversas sobre as despesas do banco, os pagamentos ao escritório dela teriam sido ordenados sob o argumento de que a advogada seria um ‘canal direto com o STF‘. As ordens para quitar os valores devidos ao escritório partiram de Ângelo Ribeiro, direcionadas a Alberto Félix.

A advogada rebate as suspeitas. Em nota, Dalide afirmou que ‘jamais atuou para o Master no Supremo Tribunal Federal nem procurou ministros da Corte para tratar de assuntos relativos ao banco’.

Sua assessoria detalhou o escopo do trabalho: ‘Sua atuação restringiu-se a processos judiciais originalmente conduzidos em favor de empresas que venderam créditos ao Banco Master e que, posteriormente, foram sucedidas pelo banco nessas ações. Essa atuação ocorreu exclusivamente perante órgãos de primeira e segunda instâncias’.

A ligação com Gilmar Mendes

Dalide Corrêa foi diretora do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento, Ensino e Pesquisa (IDP). Em 2017, ela e Gilmar Mendes se afastaram do instituto após desentendimentos na gestão. Gilmar não quis se manifestar sobre o assunto e afirmou que o distanciamento entre os dois ocorreu depois da saída dela do IDP.

Os dois se conheceram quando Gilmar Mendes era advogado-geral da União, no governo de Fernando Henrique Cardoso. Na mesma época, Dalide cuidava do jurídico da Caixa Econômica Federal.

Na política, ela apareceu como suplente de João Campos nas eleições de 2022, em Goiás. João Campos, contudo, não foi eleito ao Senado naquele pleito.

Os documentos integram um quadro mais amplo de investigação sobre irregularidades na venda do Master ao BRB. Detalhes do relatório da PF, com menções a Alexandre de Moraes encontradas no celular de Vorcaro, foram revelados pela imprensa e alimentaram uma crise nos bastidores do Supremo em torno de contratos firmados com escritórios ligados a ministros.

Deu em BPMoney.

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


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