Os pesquisadores analisaram o chamado gossip negativo direcionado ao líder, definido como a troca de avaliações desfavoráveis sobre o comportamento do chefe quando ele não está presente.
Críticas podem reduzir a influência do chefe abusivo
O estudo reuniu duas pesquisas de campo com 348 equipes. Os resultados indicaram que, quando os funcionários compartilhavam avaliações negativas sobre um chefe abusivo, diminuía a percepção de que aquele líder deveria servir como modelo de comportamento.
Isso ajudava a enfraquecer a influência da chefia sobre atitudes agressivas dentro da própria equipe. Reconhecer coletivamente que determinadas condutas do gestor eram inadequadas reduzia a chance de os funcionários reproduzirem aquele padrão.
Conversas podem reforçar confiança entre colegas
Outro efeito observado envolveu a confiança dentro da equipe. Quando os trabalhadores percebiam que colegas tinham opiniões semelhantes sobre o comportamento do chefe, aumentava a sensação de identificação entre eles.
Essa percepção de “não sou só eu que estou vendo isso” funcionava como um amortecedor psicológico. A equipe continuava exposta à pressão da liderança abusiva, mas sofria menos impacto sobre a confiança mútua. Os pesquisadores também encontraram reflexos em desempenho da equipe e intenção de saída voluntária.
Isso não significa que fofocar seja sempre positivo
O ponto central está no contexto. A pesquisa tratou especificamente de equipes submetidas a supervisão abusiva, não de reclamações comuns sobre cobranças, decisões impopulares ou diferenças pessoais.
Outros estudos mostram que a fofoca negativa também pode produzir efeitos prejudiciais. Uma pesquisa publicada em 2022 associou comentários negativos de subordinados a maior exaustão emocional dos supervisores, o que esteve relacionado a comportamentos de enfraquecimento contra funcionários.

Colegas que compartilham críticas ao chefe podem se sentir mais protegidos.
Apoio coletivo não substitui canais formais
Compartilhar experiências pode ajudar funcionários a perceber padrões de abuso e oferecer apoio entre colegas, mas não resolve sozinho um ambiente problemático.
Humilhações, ameaças, perseguição ou outras condutas graves devem ser documentadas e, quando possível, levadas aos canais internos adequados, como recursos humanos ou compliance.
A pesquisa, portanto, não recomenda simplesmente “falar mal do chefe”. Ela mostra que, diante de uma liderança abusiva, a troca de percepções entre colegas pode fortalecer vínculos e reduzir parte dos efeitos negativos do comportamento do gestor.

