Brasil pode colher uma epidemia de viciados em bets, alerta psiquiatra - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Comportamento 14/09/2026 09:48

Brasil pode colher uma epidemia de viciados em bets, alerta psiquiatra

Brasil pode colher uma epidemia de viciados em bets, alerta psiquiatra

Disponíveis 24 horas por dia na tela do celular e impulsionadas por forte publicidade, as bets criaram um novo desafio para a saúde. Cresce o número de pessoas que perdem o controle sobre as apostas e comprometem dinheiro, trabalho e relações familiares.

Para discutir o problema, a coluna Futebol Etc ouviu com exclusividade o psiquiatra Giovanni De Toni, mestre em Ciências da Saúde, preceptor de residência do Hospital Universitário de Brasília, professor universitário e pesquisador em psiquiatria digital.

Segundo o dr. Giovanni, alguns sinais indicam que a diversão virou dependência: tentar recuperar o dinheiro perdido, jogar de madrugada, esconder gastos da família e recorrer a empréstimos para continuar apostando.

Outro sinal de agravamento é a busca por modalidades de maior risco, como cassinos online, “tigrinho”, caça-níqueis e apostas múltiplas ou em pequenos acontecimentos dentro de uma mesma partida.

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Psiquiatra Giovanni De Toni

“O transtorno aparece quando há perda de controle”, explica. A pessoa tenta parar ou diminuir a frequência e não consegue, mesmo percebendo os prejuízos. Aos poucos, a aposta também ocupa o espaço antes destinado à família, ao lazer, ao trabalho e ao descanso.

Giovanni lembra que, entre brasileiros que recorreram à autoexclusão para bloquear voluntariamente o acesso às plataformas, a perda de controle aparece como o principal motivo para abandonar as apostas.

O psiquiatra alerta que qualquer apostador regular pode desenvolver dependência. Os jogos exploram mecanismos do sistema cerebral de recompensa e, com o avanço do problema, o impulso para apostar pode permanecer mesmo quando jogar já não proporciona prazer.

Por isso, mensagens como “jogue com responsabilidade” ou recomendações para que o dependente simplesmente tenha “força de vontade” têm efeito limitado. Quem perdeu o controle pode continuar apostando apesar das consequências.

O impacto social também preocupa. Famílias de menor renda podem ser atraídas pela promessa de dinheiro fácil e acabar comprometendo recursos destinados a necessidades básicas, como alimentação e material escolar.

Para Giovanni De Toni, a publicidade maciça contribui para normalizar as apostas. E o maior sinal de alerta está entre crianças e adolescentes, cada vez mais expostos a conteúdos que apresentam o jogo como entretenimento.

O especialista teme que essa naturalização precoce produza consequências ainda mais graves nos próximos anos. Na sua avaliação, a dependência das bets já ultrapassou a esfera individual e precisa ser encarada como uma questão de saúde pública.

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A coluna na edição impressa do Jornal de Brasília

Deu em Jornal de Brasília

Ricardo Rosado de Holanda
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Descrição Jornalista