Gilmar Mendes (foto) fez coro neste sábado, 12, ao colega de Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin ao pedir acesso à íntegra dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro.
Os dois pedidos não passam de tentativas de tumultuar a sessão de 15 de setembro, quando os ministros do STF devem começar a decidir o que fazer com o relatório da Polícia Federal (PF) que confirmou Moraes como receptor de mensagens do ex-banqueiro do Master.
O decano do tribunal já pediu, inclusive, adiamento da sessão, alegando formalidades das quais seu colega Moraes passou longe nos últimos quase oito anos do inquérito das fake news.
É o mesmo roteiro adotado para derrubar a Operação Lava Jato quando ela se aproximava perigosamente do mesmo STF, como mostra a reportagem de capa de Crusoé nesta semana.
E o celular de Moraes?
Se tivessem de fato preocupação com a institucionalidade do STF, Gilmar e Zanin deveriam estar cobrando acesso ao celular de Moraes, que é a peça que falta para definir com mais precisão qual era a natureza exata da troca de mensagens entre ele e um dos homens mais enrolados da República.
Para tanto, basta autorizar a abertura de uma investigação sobre o marido de Viviane Barci.
Se não há problema na troca de mensagens, o próprio Moraes já poderia ter ajudado a esclarecer tudo, entregando seu aparelho às autoridades. Mas faz tanto tempo que a suspeita de conversas pouco republicanas entre os dois se tornou conhecida que não se sabe mais se esse aparelho ainda existe.
Alguns ministros do STF têm feito de tudo para proteger Moraes, o que apenas estende o sangramento do tribunal em praça pública.
Depredação
O cenário fica ainda pior quando se leva em conta que o próprio Moraes atropelou uma série de protocolos e prerrogativas nos casos que relatou nos últimos anos.
Os ministros do STF reagiram duramente às pessoas que depredaram o tribunal em 8 de janeiro de 2023. O plenário e os gabinetes já foram restaurados, essa foi a parte mais fácil. O difícil vai ser reconstruir a reputação do Supremo após a depredação moral causada pelos seus próprios juízes.
Deu em O Antagonista/Rodolfo Borges

