Violeta Acedo Herrera, psicóloga: ‘Manter a mesma foto no WhatsApp é uma forma de se apresentar. Isso transmite estabilidade e pouca preocupação com a exposição digital’ - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Comportamento 11/09/2026 11:53

Violeta Acedo Herrera, psicóloga: ‘Manter a mesma foto no WhatsApp é uma forma de se apresentar. Isso transmite estabilidade e pouca preocupação com a exposição digital’

Violeta Acedo Herrera, psicóloga: ‘Manter a mesma foto no WhatsApp é uma forma de se apresentar. Isso transmite estabilidade e pouca preocupação com a exposição digital’

Pensar que conhecemos uma pessoa apenas olhando suas redes sociais é se enganar redondamente.

Nas redes, mostramos apenas o que queremos mostrar, escondendo pelo caminho arestas, sombras incômodas e qualquer coisa que não queiramos que os outros vejam.

Com a foto do WhatsApp acontece algo parecido, e se você vir algum artigo dizendo que a foto escolhida para esse aplicativo de mensagens diz mais sobre você do que imagina, trata-se de um texto sem fundamento.

O que é verdade, no entanto, é que ela funciona como um pequeno cartão de visitas.

psicóloga Violeta Acedo Herrera explicou em entrevista à Semana que a foto “não permite saber como alguém realmente é”, mas dá pistas sobre qual parte essa pessoa decidiu mostrar.

Na opinião dela, é muito mais interessante observar a relação que cada indivíduo tem com a sua própria imagem digital. Há quem pense muito sobre como aparece diante dos outros e quem quase não dê atenção a isso.

A diferença, explica, não está necessariamente na personalidade, mas na importância que damos ao gerenciamento da impressão que causamos.

A impressão que queremos passar aos outros

“Uma coisa é uma fotografia causar determinada impressão, e outra bem diferente é ela nos permitir saber como essa pessoa realmente é”, garantiu. Ou seja, a foto de perfil no WhatsApp pode transmitir uma sensação de proximidade, por exemplo, mas isso não significa necessariamente que a pessoa seja próxima ou acessível.

E não, tampouco podemos tirar conclusões psicológicas válidas se alguém troca de foto constantemente ou a mantém durante anos, segundo Acedo.

“Não podemos dizer que quem muda muito de foto seja mais inseguro, mais superficial ou mais instável”, afirma. Por outro lado, é possível observar a relação que cada pessoa tem com sua própria imagem digital e a importância que dá ao controle da impressão que causa.

Em maior ou menor grau, todos nos preocupamos com a imagem que projetamos de nós mesmos. Isso se explica principalmente pelo gerenciamento de impressões, um processo consciente ou inconsciente pelo qual regulamos nosso comportamento para influenciar a forma como os outros nos percebem.

Os motivos para isso vão desde a necessidade de pertencimento até o reforço da autoestima, e não há nada de errado em se preocupar com a imagem. É algo adaptativo e normal até certo ponto.

“Na psicologia, falamos de autoapresentação ou gerenciamento de impressão: selecionamos determinados elementos de nós mesmos para gerar uma impressão nos outros”, explicou a autora de *La Familia Que Habitamos*. “Manter sempre a mesma foto no WhatsApp é uma forma de autoapresentação. Transmite estabilidade e pouca preocupação com a exposição digital”, afirmou Acedo.

É preciso levar em conta o que mencionamos no início e que a ciência também comprova. Existem diversas pesquisas confirmando que, nas redes sociais, tendemos a uma autoapresentação idealizada.

Isto é, destacamos muito mais os traços que desejamos valorizar, aproximando nossa imagem da versão de nós mesmos que gostaríamos de projetar.

Deu em Purepeople

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista