Os pesquisadores consideraram como riscos catastróficos aqueles eventos capazes de provocar a morte de mais de 10% da população mundial ao longo de meses ou anos.
Entre as ameaças analisadas estão situações que poderiam bloquear a luz solar, destruir estruturas essenciais ou provocar uma crise biológica de grandes proporções.
Um dos principais problemas em um cenário desse tipo seria o abastecimento.
Segundo os pesquisadores, uma catástrofe poderia comprometer plantações e interromper as rotas comerciais, provocando uma crise alimentar em diferentes partes do planeta. Por isso, países capazes de produzir boa parte do que consomem teriam uma vantagem importante.
Por que a Austrália aparece no topo
A posição geográfica é um dos fatores que favorecem a Austrália. O país está no Hemisfério Sul e relativamente distante das regiões consideradas mais expostas a um eventual conflito nuclear.
Além disso, possui uma produção agrícola relevante, diferentes zonas climáticas e uma estrutura energética considerada significativa pelos pesquisadores.
A localização também pode funcionar como proteção diante de determinados desastres naturais. O estudo aponta que o Hemisfério Sul tem menos vulcões e uma quantidade maior de oceanos, que podem atuar como um amortecedor climático em caso de uma grande erupção vulcânica.
Outro ponto considerado importante é a capacidade de um país continuar funcionando sem depender excessivamente de outros mercados. Uma indústria desenvolvida permite produzir internamente bens que deixariam de ser importados caso o comércio mundial fosse interrompido.
E o Brasil estaria protegido?
O Brasil aparece na terceira posição entre os locais apontados pelo estudo como mais resilientes. A Argentina ficou em segundo lugar, enquanto a Nova Zelândia ocupa a quarta colocação.

Apesar disso, os pesquisadores destacam que nenhum desses países estaria completamente protegido diante de uma catástrofe de proporções globais. No caso brasileiro e argentino, o estudo aponta níveis elevados de desigualdade e históricos de instabilidade política como fatores que reduzem a capacidade de resposta a situações extremas.
A governança também é considerada fundamental. Para Florian Ulrich Jehn, um dos autores, países com instituições funcionais e menor desigualdade tendem a ter mais condições de tomar decisões adequadas durante uma crise.
Os Estados Unidos, por outro lado, não aparecem entre os locais mais preparados. O estudo cita a exposição do país a tempestades geomagnéticas e a um eventual conflito nuclear, além de apontar problemas observados durante a pandemia de Covid-19.
Os autores ressaltam, porém, que o objetivo não é indicar um local totalmente seguro. A conclusão central é que a capacidade de resistência dependeria de uma combinação de fatores, como segurança alimentar, infraestrutura, comércio, localização e qualidade da governança.

