Saúde 05/09/2026 09:26
Cérebro só amadurece aos 32? Veja o que diz a pesquisa

Você sempre acreditou que se tornou um adulto com a chegada dos 18 anos, a maioridade legal? Essa visão pode estar equivocada. Com a aproximação do Dia do Adulto, comemorado em 15 de janeiro, surgem questionamentos sobre o verdadeiro significado da vida adulta e o amadurecimento do cérebro.
A ideia de que alcançamos a plena maturidade aos 18 anos está sendo cada vez mais desafiada, tanto em termos biológicos quanto sociais.
Uma pesquisa recentemente conduzida pela Universidade de Cambridge, por exemplo, revelou que o cérebro humano não atinge sua plena maturação até os 32 anos.
Essa descoberta lança uma nova luz sobre a ideia de “adulto”, sugerindo que a jornada de amadurecimento do cérebro vai muito além do que imaginamos, especialmente quando consideramos os avanços tecnológicos e o ambiente social em que vivemos.
Se você está curioso para entender mais sobre essa pesquisa e o que ela diz sobre o amadurecimento do cérebro humano, a psicóloga Aparecida Tavares, que atende no Órion Complex, em Goiânia, explica o que acontece com o cérebro durante as várias fases da vida, como os marcos biológicos influenciam nosso desenvolvimento, e como as mudanças sociais impactam essa maturação cerebral.
A pesquisa da Universidade de Cambridge, que se tornou um ponto de discussão importante sobre a maturação cerebral, identificou quatro momentos de transformação no cérebro humano: aos 9, 32, 66 e 83 anos. Esses marcos não são apenas números, mas sim períodos que marcam mudanças significativas na forma como o cérebro funciona e processa as informações.
Entre esses pontos, o mais intrigante talvez seja a marca dos 32 anos, que é apontada como o fim de um período de reorganização intensa do cérebro, um processo que antes era associado à juventude.
Esse fenômeno, que ocorre entre os 18 e os 32 anos, reflete uma fase de amadurecimento do córtex cerebral, que está diretamente relacionado às funções cognitivas mais complexas, como a tomada de decisões, o controle dos impulsos e o planejamento a longo prazo.
A psicóloga sugere que o amadurecimento do cérebro também depende de fatores sociais, culturais e emocionais. Segundo Aparecida, a sociedade moderna está profundamente impactada pela tecnologia, que constantemente demanda resultados rápidos e imediatos.
Esse ambiente, no qual as respostas precisam ser rápidas e os estímulos são constantes, afeta diretamente o córtex pré-frontal, área do cérebro responsável pelo planejamento, controle dos impulsos e tomada de decisões.
Em um mundo onde a troca instantânea de informações é a norma, a psicóloga sugere que a falta de espaços para a reflexão e ponderação pode afetar a maturação cerebral. O imediatismo, impulsionado pela tecnologia e redes sociais, pode dificultar o desenvolvimento de habilidades cognitivas mais complexas, como a capacidade de planejar a longo prazo e refletir sobre as consequências das ações.
Essa busca incessante por gratificação imediata e a falta de espaço para a reflexão profunda podem ter implicações sérias no desenvolvimento emocional e intelectual dos jovens.
Aparecida Tavares observa que, na prática clínica, muitos pacientes apresentam dificuldades nas interações sociais, são emocionalmente dependentes, têm uma percepção negativa de si mesmos e buscam constantemente prazer imediato, sem considerar os impactos a longo prazo de suas escolhas.
Além disso, a psicóloga aponta que a adolescência parece estar se estendendo para além dos 18 anos, com muitos jovens não alcançando a maturidade emocional e psicológica esperada para a idade adulta.
Ela acredita que, embora a adolescência seja um período natural de crescimento e mudança, a forma como esse período é vivido tem sido prejudicada pela sociedade atual, que enfatiza o consumo rápido, a superficialidade e a imediaticidade.
A evolução do cérebro e suas implicações não se limitam ao indivíduo. Quando os jovens não alcançam a maturidade completa ou têm dificuldades em amadurecer cognitivamente, isso pode afetar também o ambiente social e econômico ao seu redor.
Na visão de Aparecida Tavares, essa imaturidade prolongada pode ter um efeito negativo no bem-estar coletivo e no desenvolvimento do país como um todo.
Em um mundo onde o trabalho em equipe, a resolução de problemas complexos e a responsabilidade social são essenciais para o crescimento e desenvolvimento, a falta de um amadurecimento completo do cérebro pode criar desafios para a sociedade.
O resultado disso é uma geração de indivíduos menos preparados para lidar com as exigências do mundo moderno e com as questões sociais e econômicas que envolvem o bem-estar coletivo.
Além disso, a imaturidade emocional pode criar um ciclo de insatisfação com a vida, que se reflete em problemas como a insegurança nas relações pessoais e a falta de sentido no trabalho e nas metas de vida.
A reflexão proposta pela psicóloga Aparecida Tavares sobre a imaturidade e seus impactos é profunda. Ela questiona: “A quem interessa essa imaturidade implantada?”
Essa provocação não é apenas sobre a juventude, mas sobre a sociedade como um todo. Se a maturação do cérebro está sendo retardada por fatores externos, como a cultura de consumismo e a busca incessante por prazer imediato, estamos realmente preparando a próxima geração para assumir a responsabilidade e contribuir para o crescimento coletivo?
Dado o impacto do ambiente social e cultural no amadurecimento do cérebro, Aparecida Tavares sugere que é essencial nutrir a mente com conteúdos que estimulem a reflexão profunda, o autoconhecimento e o valor do ser humano.
A psicóloga defende que, para o amadurecimento cerebral ocorrer de maneira saudável e dentro do tempo esperado, é preciso cultivar um ambiente que favoreça o pensamento crítico, o planejamento de longo prazo e a troca de experiências reais, e não apenas virtuais.
Prática de atividades intelectualmente desafiadoras: Ler livros, fazer exercícios mentais e aprender novas habilidades são ótimas maneiras de fortalecer o cérebro e incentivar o amadurecimento cognitivo.
Cultivar a empatia e as interações sociais: Participar de conversas significativas, debates e atividades em grupo ajuda a desenvolver habilidades sociais e emocionais.
Investir em autoconhecimento e reflexão: Tirar um tempo para refletir sobre as próprias escolhas e comportamentos promove o desenvolvimento de uma mente mais madura.
Desconectar-se das redes sociais: Buscar momentos de introspecção longe da tecnologia pode ajudar a diminuir a sobrecarga de informações e a melhorar o foco.
Deu em Saúde em Dia

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