Ministro do STF destacou responsabilidade financeira e vocação de serviço durante seminário de magistrados evangélicos em São Paulo
Em discurso proferido na última sexta-feira, 21, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça foi direto ao abordar a relação entre magistratura e dinheiro.
Participando do encerramento do 5º Seminário Nacional da Associação Nacional de Magistrados Evangélicos, no Instituto Presbiteriano Mackenzie, em São Paulo, ele sustentou que um juiz não deve ter como meta ficar rico.
Boa remuneração não é sinônimo de vida sem preocupações
Na avaliação de Mendonça, a carreira na magistratura proporciona uma remuneração satisfatória. Contudo, isso não equivale a uma garantia de tranquilidade financeira absoluta.
O ministro fez questão de orientar os presentes a exercerem controle rigoroso sobre seus gastos e a não transformarem o dinheiro em objetivo central da vida profissional.
Apelo por desapego ao poder e ao dinheiro
Diante de colegas da magistratura, André Mendonça foi além e afirmou que magistrados não deveriam colocar o coração nem no poder, nem no dinheiro. A reflexão foi ancorada em valores éticos e religiosos debatidos ao longo do seminário, reforçando a ideia de que a carreira pública precisa ser vista como instrumento de serviço à sociedade, e não como via de enriquecimento pessoal.
Debate sobre remuneração do Judiciário permanece em evidência
A fala do ministro ganha relevância em um contexto no qual a discussão sobre salários e benefícios pagos a integrantes do Poder Judiciário segue acesa no país.
Casos de magistrados que recebem valores superiores ao teto constitucional — por meio de verbas indenizatórias que ficam fora do cálculo — alimentam críticas recorrentes da opinião pública.
De acordo com a Constituição Federal, todos os servidores públicos, incluindo juízes e desembargadores, estão submetidos ao teto remuneratório do serviço público.
No âmbito do Judiciário, esse limite é equivalente ao subsídio dos ministros do STF. Existem, porém, categorias de pagamento classificadas como verbas indenizatórias que escapam a essa restrição.
Trajetória de André Mendonça no governo e no STF
André Mendonça ocupa uma cadeira no STF desde 2021, após ter sido indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro.
Sua trajetória na administração federal inclui passagens pela Advocacia-Geral da União e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, cargos que exerceu antes de ser alçado à mais alta corte do país.

