27 candidatos do PL ao Senado defendem impeachment de Moraes - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
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Impeachment 12/08/2026 05:44

27 candidatos do PL ao Senado defendem impeachment de Moraes

27 candidatos do PL ao Senado defendem impeachment de Moraes

Pelo menos 27 dos 33 candidatos já confirmados pelo PL para disputar o Senado defendem o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O dado integra levantamento publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo, que considerou declarações públicas e assinaturas em pedidos apresentados contra o magistrado.

A retirada de Moraes do cargo tornou-se uma das principais bandeiras eleitorais do bolsonarismo para a renovação do Senado. O objetivo é ampliar a bancada disposta a confrontar o Judiciário e responsabilizar ministros do Supremo.

Em ato partidário realizado em Vitória, em 18 de julho, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (RJ), associou diretamente a eleição de senadores à pauta.

Ministro Alexandre de Moraes sentado em cadeira no plenário do Supremo Tribunal Federal
Alexandre de Moraes é criticado por atuação no caso da tentativa de golpe -Foto: Victor Piemonte / STF

“O Alexandre de Moraes não tem alma. Parece o demônio usando uma pessoa para fazer mal para os outros. É por isso que grande parte do povo brasileiro este ano vai escolher senadores que são favoráveis ao impeachment do Alexandre de Moraes”, declarou.

No Rio Grande do Norte, a pauta é defendida pelos dois candidatos ao Senado da coligação EnDireita RN, encabeçada pelo candidato ao Governo do Estado Álvaro Dias (PL) e apoiada pelo senador Rogério Marinho (PL), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Coronel Hélio (PL) e o senador Styvenson Valentim (Podemos), candidato à reeleição, manifestam-se favoravelmente à abertura de processos contra integrantes do Supremo.

Coronel Hélio declarou, em entrevista concedida no início deste mês, que o Senado precisa exercer com mais rigor a atribuição de fiscalizar os ministros da Corte. “Já passou da hora de chegar um senador com coragem para poder realmente trazer novamente a democracia para o seu espaço, para o seu lugar”, afirmou.

Segundo o candidato do PL, integrantes dos tribunais superiores ultrapassaram os limites previstos na Constituição. “Alguns deles avançaram muito, criaram sua própria Constituição, estão criando suas próprias jurisprudências e estão, de forma monocrática, tirando a liberdade do povo e cometendo injustiças com o povo brasileiro”, acusou.

Hélio disse que não apenas apoiaria iniciativas de impeachment, como estaria disposto a apresentá-las. “Estou me colocando à disposição do povo potiguar para assinar, sim, pedido de impeachment, se for necessário. Não só assinar, como propor também impeachment de ministros que estejam fora da Constituição”, declarou.

O candidato dirigiu críticas específicas a Alexandre de Moraes e defendeu que o ministro seja responsabilizado política e criminalmente. “O ministro Alexandre de Moraes é um deles que deverá prestar contas à sociedade, não só em impeachment, como também ser processado criminalmente pelos crimes que ele tem cometido, principalmente crimes humanitários”, afirmou.

Ao justificar a posição, Coronel Hélio mencionou as prisões e condenações relacionadas aos ataques de 8 de janeiro de 2023. “Essas injustiças terão que ser corrigidas, e o Senado é o palco para isso”, disse.

Styvenson Valentim também defende publicamente a instalação de processos de impeachment contra ministros do Supremo. Durante seu mandato, ele assinou pedidos apresentados no Senado contra pelo menos três integrantes da Corte: Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Luís Roberto Barroso, que posteriormente se aposentou.

Outros estados

O grau de adesão ao tema varia entre os candidatos do PL nos estados. Alguns apresentam uma posição mais enfática, como o senador Carlos Portinho (PL-RJ), que já pediu “uma CPI, um pedido de impeachment” e classificou o Judiciário como “um Poder totalitário, autoritário, que não condiz com a democracia brasileira”.

Outros adotam uma formulação mais cautelosa. Ex-ministro da Saúde e candidato na Paraíba, Marcelo Queiroga afirmou que não pretende chegar ao Senado com a missão específica de afastar Moraes, mas considera que existem elementos para a abertura de um processo.

“Eu não vou ser candidato ao Senado para vir aqui e fazer impeachment de Alexandre de Moraes ou de qualquer um. Agora, existindo indícios de crime de responsabilidade, cabe a abertura de um processo, não com o intuito de se vingar de quem quer que seja, mas dentro do devido processo legal”, disse.

O levantamento identificou ainda candidatos que criticam Moraes, mas não defendem explicitamente sua destituição. Estão nesse grupo Carlos Bolsonaro (PL-SC) e Michelle Bolsonaro (PL-DF), além de Reinaldo Azambuja (MS), Cidônio Gonçalves (MA), João Roma (BA) e Mendonça Filho (PE).

Mesmo com o avanço das candidaturas alinhadas à pauta, a abertura de um processo contra ministros do STF enfrenta uma barreira numérica. Decisão do ministro Gilmar Mendes estabeleceu a necessidade do apoio de dois terços dos 81 senadores, equivalente a 54 votos, para a aprovação de um pedido de impeachment contra um integrante da Corte.

Deu em Correio de Hoje/Agora RN

Ricardo Rosado de Holanda
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