O trabalho, desenvolvido por especialistas da Universidade de Lancashire, no Reino Unido, não buscou determinar a idade nem a autenticidade do Sudário.
Em vez disso, seu objetivo era demonstrar como técnicas modernas da ciência forense podem reconstruir parte da história biológica de objetos históricos, mesmo quando não é possível identificar um DNA original associado ao material.
Por dentro das descobertas
Ao analisar o material genético presente nas fibras de linho, os pesquisadores identificaram diferentes linhagens de DNA mitocondrial humano. Eles também encontraram um microbioma diversificado, composto por bactérias, fungos e arqueias halófilas, microrganismos adaptados a ambientes com alta concentração de sal.
Para além dos microrganismos, foram detectados vestígios de DNA de plantas cultivadas, como trigo, cenoura, milho, banana e amendoim, além de animais domésticos, incluindo bovinos, suínos, galinhas, cães e gatos. Os especialistas verificaram a presença de DNA de coral vermelho do Mediterrâneo.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/M/C/JPXGZDT1KVJE8RoYXfWA/shroudofturin.jpg)
Segundo os autores, esse conjunto de evidências indica que o Sudário esteve em contato com diferentes pessoas, ambientes e regiões geográficas ao longo de sua história. Vale lembrar que a pesquisa é a primeira a empregar uma técnica de sequenciamento metagenômico de nova geração livre de PCR nas amostras oficiais do Sudário.
Trata-se de um método capaz de analisar simultaneamente todo o material genético presente em uma amostra, sem a necessidade de amplificar previamente o DNA, etapa que pode introduzir distorções nos resultados.
Essa abordagem permitiu produzir o panorama mais abrangente já obtido sobre os vestígios biológicos preservados no tecido.
DNA não responde à questão da autenticidade
Os autores ressaltam que os resultados não oferecem evidências para confirmar ou refutar se o Sudário realmente envolveu o corpo de Jesus Cristo, nem permitem determinar sua idade. Isso ocorre porque o tecido acumulou material biológico de inúmeras pessoas e organismos ao longo de séculos.
Em outras palavras, isso significa que é quase impossível separar um eventual DNA original daqueles deixados posteriormente durante seu manuseio, armazenamento e transporte.
Mesmo assim, a equipe afirma que a análise amplia o conhecimento sobre a preservação do artefato e demonstra o potencial das técnicas modernas de genética e proteômica forense (área que estuda proteínas para auxiliar investigações científicas e históricas) na análise de objetos antigos.
“O Sudário de Turim continua a fascinar historiadores, cientistas e o público. Estamos entusiasmados por revelar novas informações sobre a complexidade biológica preservada em amostras coletadas há quase 50 anos, aplicando novas tecnologias forenses de DNA de ponta”, indica a Noemi Procopio, coautora do projeto, em comunicado à imprensa.
Para a pesquisadora, os vestígios encontrados ilustram a longa trajetória do objeto.
“O Sudário representa um rico arquivo de informações genéticas que se acumulou ao longo de séculos de interação humana e exposição ambiental. Embora as evidências de DNA não possam responder a todas as perguntas sobre a idade ou autenticidade do tecido, elas fornecem novas perspectivas sobre sua história biológica e demonstram como os avanços na ciência forense podem revelar novas informações a partir de artefatos históricos”, avalia ela.
Deu em Galileu

