Terremotos na Venezuela fazem quase 5 mil vítimas e obrigam criação de cemitério de emergência - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
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Catástrofes Naturais 18/07/2026 06:41

Terremotos na Venezuela fazem quase 5 mil vítimas e obrigam criação de cemitério de emergência

Terremotos na Venezuela fazem quase 5 mil vítimas e obrigam criação de cemitério de emergência

A quantidade de mortos confirmados nos dois terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho chegou a 4.930, segundo balanço divulgado nessa quinta-feira (16) pela agência Reuters.

O dado, no entanto, está longe de refletir a real dimensão da tragédia: a ONU (Organização das Nações Unidas) estima que até 50 mil pessoas possam ainda estar desaparecidas, muitas delas soterradas sob escombros.

Os abalos, de magnitude 7,2 e 7,5, impactaram tanto a capital Caracas quanto o seu estado vizinho de La Guaira com menos de um minuto de intervalo. Quase um mês depois, o desastre já deixou cerca de 17 mil feridos e 21.120 pessoas vivendo em abrigos temporários até que a cidade possa ser reconstruída.

A imagem que você vê no início deste texto traz vista aérea da vala comum no Cemitério La Esperanza, localizado ao longo da rodovia que liga Catia La Mar a Carayaca.

O local foi aberto em caráter emergencial para sepultar os corpos de centenas de pessoas cujos familiares não puderam ser contatados. As valas da parte inferior da imagem foram abertas com retroescavadeiras para receber novos corpos. Centenas de cadáveres não identificados também foram sepultados no local.

Resposta lenta e crise humanitária

Moradores relatam que a reação do Estado venezuelano ao desastre tem sido lenta, mesmo com equipes locais atuando desde o dia dos terremotos.

“Desde o primeiro momento, houve uma resposta imediata, mas por parte de civis. Civis e pessoas independentes. A resposta do Estado só está sendo vista agora”, relatou a venezuelana Cinthia Pulido à Reuters, deslocada pelos terremotos. “Estamos observando e aguardando algum tipo de resposta”, completou.

As equipes internacionais de resgate, enviadas logo após a tragédia, já deixaram o país. O foco agora está na ajuda humanitária para quem perdeu suas casas.

É o caso de Louismarez Paez, também deslocada pelos terremotos, cuja mãe não recebe nenhum tipo de assistência oficial. “O pouco que consigo é apenas para sobreviver, sustentar meus filhos e ajudar minha mãe”, diz.

Sanções dos EUA dificultam reconstrução

Especialistas apontam que as duras sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos à Venezuela desde 2015 têm agravado as dificuldades do país para lidar com a catástrofe.

“A Venezuela possui recursos cruciais aos quais não está tendo acesso”, afirmou Mark Weisbrot, economista sênior e codiretor do Centro de Pesquisa Econômica e Política, também à Reuters. Segundo ele, isso inclui US$ 11 bilhões (cerca de R$ 56 bilhões) bloqueados pelos Estados Unidos e por países europeus que a Venezuela “deveria ter por direito”.

Nesta semana, 14 parlamentares democratas dos Estados Unidos enviaram uma carta à Casa Branca pedindo o alívio das sanções para facilitar os esforços de recuperação, segundo reportagem do jornal el Diário.

No documento, os parlamentares afirmam que as sanções estão “prejudicando gravemente os esforços urgentes de ajuda humanitária” e “minaram seriamente a resposta do país e os esforços de reconstrução”. A ONU estima que a reconstrução da Venezuela poderá custar ao país aproximadamente US$ 37 bilhões (quase R$ 189 bilhões).

Falta de insumos tem mobilizado o país

Diante da falta de insumos básicos, iniciativas privadas têm ajudado a suprir necessidades urgentes. Em Maracay, no estado de Aragua, o ateliê do estilista venezuelano Efraín Mogollón interrompeu a produção de roupas de festa para fabricar sacos para cadáveres.

“Estávamos em estado de choque porque era uma tragédia devastadora e precisávamos entender o que poderíamos fazer a partir daquilo que sabemos fazer”, conta Mogollón à AFP. “E, neste caso, era costurar, colocar minha equipe para trabalhar e colocar esse plano de ação em prática.”

As 22 costureiras do ateliê trocaram seda, linho, tafetá e algodão por polietileno de alta densidade e por um tecido impermeável, com os quais confeccionam sacos de três metros de comprimento por 90 centímetros de largura. Na primeira semana após os terremotos, a produção já era de 48 unidades por dia; na última semana, o ritmo chegou a 200 sacos diários.

No total, estima-se que já foram fabricados mil sacos, metade doada ao serviço nacional de medicina e ciências forenses de Caracas e o restante entregue a equipes de resgate e familiares de vítimas. “Foi um impacto quando nos deram a notícia do que iríamos fazer. Mas, ao mesmo tempo, sentimos que estamos fazendo o bem”, aponta a costureira Grismary Villegas. “É uma forma de apoiar as pessoas neste momento de dor.”

Diante da quantidade de famílias que perderam moradia, o ateliê de Mogollón identificou outra urgência e já começou a produzir lonas para cobrir o chão e o teto de barracas em abrigos, protegendo os desabrigados do frio e da chuva.

Vista aérea de cemitério improvisado em rodovia na Venezuela. Corpos de vítimas não identificados estão sendo enterrados no local — Foto: Cem Tekkesinoglu/Anadolu via Getty Images
Operações de busca e resgate continuam em Caravellada e Cariba, em La Guaira, Venezuela — Foto: Cem Tekkesinoglu/Anadolu via Getty Images

Deu em Galileu

Ricardo Rosado de Holanda
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