R$ 7,6 trilhões: a dívida pública bate recorde e os juros comem o Brasil vivo - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Economia 30/06/2026 09:10

R$ 7,6 trilhões: a dívida pública bate recorde e os juros comem o Brasil vivo

R$ 7,6 trilhões: a dívida pública bate recorde e os juros comem o Brasil vivo

Enquanto o governo promete responsabilidade fiscal, a conta dos juros cresce R$ 70 bilhões em um único mês

Existe um número que deveria tirar o sono de qualquer contribuinte brasileiro. Ele tem treze dígitos e acaba de ser atualizado: R$ 7,617 trilhões. É o novo recorde da Dívida Pública Federal, divulgado nesta quarta-feira (28) pelo .

Pela primeira vez na história, a DPF ultrapassou a barreira dos R$ 7,6 trilhões. Em março, estava em R$ 7,508 trilhões. Em abril, saltou 1,44%. Em junho do ano passado, tinha acabado de romper a marca dos R$ 7 trilhões. A velocidade com que o endividamento avança deveria alarmar. Não parece alarmar ninguém em Brasília.

E qual é o grande  dessa escalada? Os juros.

Só em abril, a apropriação de juros — o reconhecimento mensal da correção que incide sobre os títulos públicos — injetou R$ 70,3 bilhões no estoque da dívida. É dinheiro que não construiu escola, não pavimentou estrada, não reduziu fila de hospital. É o custo de financiar um Estado que gasta mais do que arrecada e precisa, mês após mês, pedir mais dinheiro emprestado ao mercado.

Com a Selic em 14,75% ao ano, cada ponto percentual pesa como chumbo sobre as contas públicas. E o governo sabe disso. Mas há um detalhe que raramente aparece no debate: juros altos não caem do céu. São consequência direta da  do mercado na capacidade — ou na disposição — do governo de controlar seus gastos.

A composição que revela o medo

Os números da composição da dívida contam uma história que o discurso oficial prefere ignorar.

A fatia dos títulos atrelados à Selic subiu de 46,38% para 47,3% do total. São papéis que o investidor aceita comprar porque oferecem proteção imediata contra a alta dos juros. Tradução: o mercado está apostando que os juros continuarão altos. Não confia em queda.

Enquanto isso, os títulos prefixados — que indicam previsibilidade e confiança — recuaram de 21,51% para 20,23%. O investidor não quer travar uma taxa hoje se acredita que amanhã o cenário fiscal pode piorar. E quando o investidor pede juros altos demais para aceitar um prefixado, o próprio governo recua, porque sabe que o custo seria insustentável.

É um círculo vicioso que se retroalimenta: o governo gasta demais, o mercado desconfia, os juros sobem, a dívida cresce, e o governo precisa gastar mais para pagar os juros da dívida que cresceu porque o mercado desconfiava que ele gastava demais.

Deu em Contra Fatos

Ricardo Rosado de Holanda
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Descrição Jornalista