Bebidas 28/06/2026 12:33
Vida Boa: mesmo uma tacinha de vinho pode trazer problemas para a saúde? Médica responde

A tacinha de vinho tinto que ganha muitos adeptos no inverno pode, ainda que apenas uma por dia, apresentar riscos à saúde? Essa foi a principal dúvida enviada pelos leitores do Vida Boa ao longo da semana de atividades focadas no álcool.
Teve quiz, dicas para fugir de pegadinhas e até uma receita (livre de álcool, claro) com a atriz Zezé Motta. Você confere todo material, que segue disponível, na pagina especial do Vida Boa, no site do GLOBO.
Veja abaixo as respostas de cinco dúvidas enviadas pelos leitores e prepare-se para enviar novos questionamentos. A partir de semana que vem, a conversa será sobre o que pode ser um doce perigo: o açúcar. Até lá!
— Mais do que muita gente imagina. O álcool é considerado carcinogênico para humanos e está associado, com evidência forte, a cânceres de boca, faringe, laringe, esôfago, fígado, mama em mulheres e colorretal.
O risco tende a aumentar conforme aumenta a quantidade, mas não começa apenas no abuso. Para alguns tumores, como mama, esôfago e colorretal, mesmo consumos considerados leves já aparecem associados a maior risco em estudos populacionais.
O ponto mais importante é: não existe uma bebida “inocente” nesse aspecto. Vinho, cerveja e destilados têm apresentações diferentes, mas todos contêm etanol. No corpo, o etanol é metabolizado em acetaldeído, uma substância capaz de danificar o DNA.
E, quando álcool e cigarro se encontram, o risco não apenas soma. Ele se multiplica, especialmente para tumores de boca, garganta, esôfago e laringe.
Em geral, sim. A mesma dose de álcool costuma produzir concentrações maiores no sangue das mulheres. Isso acontece por diferenças de composição corporal, menor proporção de água no organismo e diferenças no metabolismo do álcool.
Na prática, isso significa que uma quantidade que parece “igual” no copo pode não ter o mesmo efeito no corpo. Mulheres são mais vulneráveis a algumas complicações do álcool, incluindo doença hepática, alterações cardiovasculares, apagões de memória, ressacas mais intensas e alguns tipos de câncer, como o de mama.
Também preocupa o aumento recente da doença hepática associada ao álcool em mulheres. A diferença histórica de incidência entre homens e mulheres vem diminuindo, não porque elas tenham ficado protegidas, mas porque o padrão de consumo delas mudou.
A mensagem não é moralista. É biológica: para mulheres, o limite de segurança é menor e o corpo cobra a conta mais cedo.
Não. Essa ideia ficou famosa, mas hoje a ciência é bem mais cautelosa.
Durante muitos anos, alguns estudos sugeriram que pessoas que bebiam vinho moderadamente tinham menos infarto e AVC. O problema é que essas pessoas, em geral, também tinham outros fatores a favor: melhor alimentação, mais atividade física, mais acesso à saúde e maior renda. Ou seja, talvez o benefício não viesse da taça, mas do estilo de vida ao redor dela.
Estudos mais recentes enfraqueceram a ideia de que o álcool protege o coração. Pelo contrário: quanto maior o consumo, maior o risco de hipertensão, arritmias, AVC, insuficiência cardíaca e morte cardiovascular. Beber muito em pouco tempo, o chamado “binge drinking”, é especialmente perigoso.
Também é importante lembrar que o corpo não é feito só de coração. Mesmo pequenas quantidades de álcool podem aumentar o risco de alguns tipos de câncer, além de prejudicar o fígado, o sono, o peso, o humor e aumentar a chance de dependência, riscos que superam em muito qualquer suposto benefício.
Portanto, vinho tinto não é remédio. Ninguém deve começar a beber para “proteger o coração”. Se a ideia é buscar os benefícios da uva, melhor comer a fruta, apostar em frutas vermelhas, azeite, castanhas, cacau, verduras e uma alimentação mais próxima do padrão mediterrâneo.
Para a saúde, a melhor recomendação não está na taça. Está no estilo de vida.
Não completamente. Essa é uma ideia muito comum, mas o álcool não some como mágica quando entra na panela.
A quantidade que permanece depende de vários fatores: quanto álcool foi usado, por quanto tempo a receita cozinhou, se a panela estava aberta ou tampada e qual foi o método de preparo. Uma flambagem rápida, por exemplo, elimina bem menos álcool do que muita gente imagina. Já um cozimento longo, com a panela destampada, reduz muito mais.
O motivo é simples: na comida, o álcool não está sozinho. Ele se mistura à água, à gordura, ao molho e aos outros ingredientes. Por isso, evapora de forma mais lenta do que evaporaria em um copo ou em uma panela vazia.
Isso importa especialmente para gestantes, crianças, pessoas em recuperação de dependência alcoólica, pacientes com doença hepática avançada e quem usa medicamentos que não combinam com álcool. Nesses casos, a ideia de que “foi ao fogo, então não tem mais álcool” pode ser enganosa.
Para quem precisa evitar álcool de verdade, o melhor é substituir. Vinho pode dar lugar a caldo de legumes ou carne, suco de uva integral, suco de maçã ou um pouco de vinagre para trazer acidez.
Em resumo: cozinhar reduz o álcool, mas nem sempre elimina. E, para alguns grupos, essa diferença importa.
Para a maioria das pessoas, pode ser uma boa alternativa. Ela permite participar de um encontro social sem consumir a quantidade de álcool presente na cerveja comum. Mas “sem álcool” não significa automaticamente “sem cuidado”.
O primeiro ponto é olhar o rótulo. Algumas bebidas chamadas de sem álcool podem conter pequenas quantidades residuais de etanol. Por isso, quem precisa evitar álcool de forma rigorosa deve procurar versões claramente identificadas como 0,0%.
Isso vale especialmente para gestantes, pessoas em recuperação de dependência alcoólica, pacientes com doença hepática avançada e quem usa medicamentos que não combinam com álcool. Nesses casos, mesmo o ritual, o sabor ou pequenas quantidades residuais podem ser relevantes.
Também é bom lembrar que cerveja sem álcool não é água. Pode ter calorias, carboidratos e, em algumas marcas, açúcar. Para quem tem diabetes, obesidade, triglicérides altos ou está tentando perder peso, isso também entra na conta.
Alguns estudos investigam compostos da cevada e do lúpulo, como polifenóis, mas isso não transforma cerveja sem álcool em tratamento nem em recomendação universal de saúde.
Em resumo: para quem quer reduzir ou evitar álcool, pode ser uma escolha melhor do que a cerveja comum. Mas a melhor palavra não é “liberada”. É “com moderação, atenção ao rótulo e bom senso”.
Deu em O Globo

Descrição Jornalista
Pix, etanol e pirataria: O que motiva novo tarifaço dos EUA contra o Brasil
02/06/2026 07:35 278 visualizações
TSE divulga divisão do fundo eleitoral, e PL e PT receberão maiores fatias. Veja lista completa
04/06/2026 08:21 225 visualizações
Você não está vivendo, só sobrevivendo? 6 sinais de que você só está ‘aguentando’ os dias
03/06/2026 09:13 222 visualizações
Alcione se pronuncia sobre falha em execução do Hino Nacional: ‘Estão acabando comigo’
04/06/2026 09:08 221 visualizações
Governo do RN lança ‘Selo Azul Ambiental’ e inaugura auditório no Parque Estadual Mata da Pipa
03/06/2026 05:00 219 visualizações
Freedom Ship: empresa apresenta a primeira megacidade flutuante do mundo, com 1,6 km
03/06/2026 08:38 215 visualizações
PoderData: 52% de quem conhece Janja desaprova sua participação no governo
05/06/2026 13:10 206 visualizações
Fadiga eleitoral desafia Lula, 80, terceiro governante há mais tempo no poder no Brasil
07/06/2026 10:34 187 visualizações
Delação de Vorcaro revelou novo contrato milionário com Viviane Barci
03/06/2026 17:59 184 visualizações