Armas 27/06/2026 12:54
EUA autorizam pacote militar bilionário ao Brasil durante governo Lula

Os Estados Unidos autorizaram um pacote de vendas militares ao Brasil que somam até US$ 1,28 bilhão durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Os pacotes foram aprovados pelo Departamento de Estado americano dentro do programa Foreign Military Sales, conhecido pela sigla FMS, mecanismo usado pelos EUA para vendas de equipamentos e serviços militares de governo para governo.
As autorizações incluem a venda de 12 helicópteros UH-60M Black Hawk, em pacote estimado em até US$ 950 milhões (cerca de R$ 4,9 bilhões), e de 100 mísseis antiaéreos FIM-92K Stinger Block I, em pacote estimado em US$ 330 milhões (cerca de R$ 1,7 bilhão).
A soma dos dois valores chega a US$ 1,28 bilhão, o equivalente a cerca de R$ 6,6 bilhões na cotação atual.
As notificações, no entanto, não significam necessariamente que todo o valor será desembolsado pelo Brasil.
Em processos do FMS, o Departamento de Estado aprova uma possível venda e notifica o Congresso americano. Depois, a operação ainda pode depender de negociação final, contrato, orçamento e cronograma de entrega.
No caso dos helicópteros, a autorização foi publicada em maio de 2024. O pacote previa 12 UH-60M Black Hawk, 34 motores T700-GE-701D, sistemas de navegação, rádios, transponders, equipamentos de missão, apoio técnico e logístico, além de outros itens relacionados ao programa.
Segundo a notificação americana, a venda dos Black Hawks amplia a capacidade do Brasil em transporte de tropas, segurança de fronteira, evacuação médica, ajuda humanitária, resposta a desastres, busca e salvamento e missões de paz.
Essa compra avançou para além da autorização inicial. A Lockheed Martin informou que o Exército Brasileiro recebeu, em dezembro de 2025, o primeiro dos 12 helicópteros UH-60M Black Hawk previstos no pacote. A entrega marcou o início da modernização da frota de asas rotativas do Exército.
Já a autorização para os mísseis Stinger foi publicada em junho de 2026. O governo brasileiro solicitou a compra de 100 mísseis FIM-92K Stinger Block I, além de gripstocks, assistência de engenharia, serviços de integração, apoio técnico, logístico e outros elementos relacionados ao programa.
Na justificativa, o Departamento de Estado afirmou que a venda dos Stinger ajudaria o Brasil a assumir maior responsabilidade por sua segurança territorial e por operações de combate ao “narcoterrorismo”.
O texto americano também diz que a aquisição reforçaria a capacidade de defesa aérea do país e apoiaria os esforços de modernização das Forças Armadas brasileiras.
Os Stinger são mísseis antiaéreos portáteis de curto alcance, usados para defesa contra ameaças aéreas em baixa altitude, como helicópteros, aviões e determinados tipos de drones. O sistema é produzido pela RTX, antiga Raytheon. No pacote brasileiro, também aparece a Lockheed Martin como uma das principais contratadas.
A movimentação ocorre em um momento de ruídos diplomáticos entre Brasília e Washington, mas mostra que o canal militar entre os dois países segue ativo no governo Lula.
Entre integrantes das Forças Armadas, havia preocupação de que a turbulência política entre os dois países pudesse afetar programas de cooperação e compras militares com os Estados Unidos. As autorizações recentes indicam, porém, que o canal institucional de defesa continuou funcionando.
O FMS é considerado um dos principais instrumentos de cooperação militar dos Estados Unidos com países parceiros.
Na prática, o programa permite que governos estrangeiros comprem equipamentos, serviços, treinamento e suporte diretamente do governo americano, em um processo supervisionado pelo Departamento de Estado e pela Agência de Cooperação em Segurança e Defesa, a DSCA.
O mecanismo reduz riscos contratuais, facilita acesso a sistemas sensíveis e costuma incluir suporte técnico, integração, logística e treinamento, além do equipamento em si.
Durante o governo do ex- presidente Jair Bolsonaro (PL), os Estados Unidos também autorizaram vendas militares ao Brasil por meio do FMS, mas em pacotes de menor valor.
Em dezembro de 2020, o Departamento de Estado aprovou uma possível venda de torpedos leves MK 54 e equipamentos relacionados, estimada em US$ 70 milhões.
Em agosto de 2022, foi autorizada uma venda de até 222 mísseis Javelin e 33 unidades de lançamento, em pacote estimado em até US$ 74 milhões.
Deu em CNN

Descrição Jornalista
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