Redes Sociais 15/06/2026 17:24
Reino Unido endurece regras e pode proibir redes sociais para adolescentes

Menores de 16 anos podem perder o acesso a diversas redes sociais no Reino Unido. A proposta, que deve ser anunciada pelo governo britânico, amplia as limitações para adolescentes e aumenta a pressão sobre as gigantes de tecnologia.
A medida é apresentada pelo primeiro-ministro Keir Starmer como uma forma de apoiar os pais diante das grandes empresas de tecnologia e dos desafios relacionados à segurança online, explica o The Guardian

As mudanças em discussão podem atingir praticamente todas as principais plataformas de redes sociais. Atualmente, muitas delas estabelecem idade mínima de 13 anos para a criação de contas, mas não existe um limite oficial definido pelo governo britânico.
Além do bloqueio de acesso para menores de 16 anos, o plano também prevê limitações específicas em plataformas que permanecerem acessíveis. Entre as medidas cogitadas estão a restrição de transmissões ao vivo e de conversas com adultos desconhecidos.
As mudanças previstas vão além das redes sociais. O pacote também alcança ferramentas de inteligência artificial e pretende impedir que menores de 18 anos utilizem chatbots com características românticas ou sexuais.
Entre as mudanças discutidas estão:

A adoção de uma medida tão ampla não foi consenso dentro do próprio governo. O primeiro-ministro demonstrava preocupação com a possibilidade de adolescentes migrarem para a dark web ou passarem a acessar as redes sociais sem qualquer experiência prévia.
A aprovação de uma medida semelhante na Austrália ajudou a mudar o rumo do debate no Reino Unido. O movimento aumentou a pressão política sobre o governo britânico e levou mais de 60 parlamentares trabalhistas a defenderem uma solução parecida.
Apesar disso, nem todos os especialistas concordam com a estratégia. A Fundação Molly Rose, criada pela família da adolescente Molly Russell, afirmou que uma proibição seria “inexequível” e que a medida “mascara a ausência de qualquer plano crível para impedir que infâncias sejam arruinadas e vidas jovens sejam perdidas por algoritmos fora de controle”.
Por outro lado, a consulta pública realizada pelo governo mostrou amplo apoio entre as famílias, com nove em cada dez pais favoráveis à proposta.

A principal questão agora é como as plataformas poderão confirmar a faixa etária dos usuários sem recorrer a métodos excessivamente invasivos.
Hoje, a Lei de Segurança Online do Reino Unido já exige mecanismos para impedir que menores acessem conteúdos como pornografia, automutilação e materiais relacionados a transtornos alimentares.
Para verificar a idade dos usuários, a Ofcom admite soluções como estimativa facial, análise de informações associadas ao e-mail, validação por cartão de crédito e sistemas de identidade digital.
A experiência australiana mostra que o desafio é complexo. Embora mais de 4,7 milhões de contas tenham sido removidas, restringidas ou desativadas após a entrada em vigor da proibição, as autoridades reconheceram que muitos menores continuaram encontrando formas de manter ou criar perfis.
Por enquanto, o governo britânico ainda não detalhou quando as novas regras entrarão em vigor nem quais métodos de verificação serão obrigatórios. Também existe a possibilidade de as empresas de tecnologia contestarem o processo na Justiça, o que pode prolongar o debate.
Até lá, seguem indefinidos pontos centrais da proposta, incluindo quando as novas regras passarão a valer e como as plataformas terão de comprovar a idade dos usuários.
Deu em Olhar Digital

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