Cidades 21/05/2026 11:03
As 10 capitais brasileiras com a pior qualidade de vida em 2026

O novo relatório do Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026 revela que as capitais brasileiras com pior qualidade de vida continuam concentradas, majoritariamente, nas regiões Norte e Nordeste do país, um retrato de desigualdades históricas relacionadas à infraestrutura urbana, ao acesso a serviços públicos, à inclusão social e ao desenvolvimento econômico.
Segundo o levantamento, que avalia os 5.570 municípios brasileiros a partir de 57 indicadores sociais e ambientais, Porto Velho (RO) aparece na última posição entre as capitais do país, com 58,59 pontos em uma escala de zero a 100.
Logo depois aparecem Macapá (AP), com 59,59, Maceió (AL), com 61,96, e Salvador (BA), com 62,18.
As 10 capitais brasileiras com a pior qualidade de vida em 2026
Porto Velho (RO) — 58,59
Macapá (AP) — 59,59
Maceió (AL) — 61,96
Salvador (BA) — 62,18
Recife (PE) — 63,22
Rio Branco (AC) — 63,44
Belém (PA) — 63,90
Manaus (AM) — 63,91
Boa Vista (RR) — 64,49
Fortaleza (CE) — 65,15
O IPS Brasil é elaborado com base em metodologia desenvolvida pela organização internacional Social Progress Imperative e utiliza dados públicos oficiais. Diferentemente de indicadores puramente econômicos, como Produto Interno Bruto (PIB) ou renda per capita, o índice procura medir resultados concretos na vida cotidiana da população.
A metodologia considera três grandes dimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-estar e Oportunidades. Ao todo, são analisados 57 indicadores, incluindo mortalidade infantil, acesso à água tratada, saneamento, violência, acesso à internet, escolaridade, moradia adequada, inclusão social e qualidade ambiental.
Entre as capitais com pior desempenho, chama atenção a predominância da Amazônia Legal. Porto Velho, Macapá, Rio Branco, Belém, Manaus e Boa Vista enfrentam desafios históricos relacionados à expansão urbana desordenada, à baixa cobertura de saneamento básico, às dificuldades logísticas e à pressão ambiental.
Segundo o próprio IPS, os estados amazônicos apresentam desempenho mais baixo principalmente no componente “Qualidade do Meio Ambiente”, influenciado pelo avanço do desmatamento, pela concentração de emissões de gases de efeito estufa e pela precariedade da infraestrutura urbana em áreas periféricas.
Porto Velho, por exemplo, passou por rápido crescimento populacional nas últimas décadas impulsionado por ciclos econômicos ligados à exploração mineral, à expansão agropecuária e à construção de grandes hidrelétricas no rio Madeira. O crescimento acelerado ampliou a pressão sobre habitação, mobilidade urbana, saneamento e serviços públicos.
Macapá, segunda pior colocada do ranking, também enfrenta limitações históricas de infraestrutura. Apesar de ser a única capital brasileira cortada pela Linha do Equador e possuir forte relevância geográfica e ambiental, a cidade convive com dificuldades ligadas ao abastecimento de água, à urbanização e ao acesso a serviços especializados.
No Nordeste, Maceió, Salvador, Recife e Fortaleza aparecem entre os piores resultados nacionais. Apesar da importância econômica e turística dessas cidades, o IPS aponta que grandes centros urbanos brasileiros seguem enfrentando problemas relacionados à desigualdade territorial, à violência urbana e à baixa inclusão social.
Salvador e Recife, por exemplo, concentram grandes disparidades socioespaciais. Enquanto áreas centrais apresentam elevada infraestrutura e dinamismo econômico, periferias urbanas convivem com dificuldades relacionadas à renda, à segurança pública e ao acesso desigual a serviços urbanos.
O relatório destaca que o componente de Inclusão Social mantém trajetória de queda desde 2024 em praticamente todo o país. Entre os fatores considerados estão violência contra minorias, baixa representatividade política de mulheres e pessoas negras, além do crescimento da população em situação de rua.
Mesmo diante do cenário de desigualdade persistente, o IPS Brasil aponta melhora gradual na distribuição do progresso social no país. Entre 2025 e 2026, 754 municípios brasileiros avançaram para grupos superiores de desempenho, enquanto cerca de 500 cidades deixaram as faixas mais baixas do índice.
O levantamento divide os municípios brasileiros em nove grupos de desempenho. O Grupo 1 reúne as cidades com melhores indicadores sociais, enquanto o Grupo 9 concentra os piores resultados.
Segundo os pesquisadores do IPS, os dados mostram que o Brasil teve avanços graduais em áreas como moradia e acesso à informação, mas ainda enfrenta dificuldades estruturais profundas para reduzir desigualdades regionais históricas e ampliar o acesso equilibrado a oportunidades nas grandes cidades brasileiras.
Deu em Revista Fórum

Descrição Jornalista
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