Recuo na taxa das blusinhas pode custar empregos no Brasil, avalia CNC - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
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E-commerce 11/05/2026 17:06

Recuo na taxa das blusinhas pode custar empregos no Brasil, avalia CNC

Recuo na taxa das blusinhas pode custar empregos no Brasil, avalia CNC

Representantes da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e de setores do varejo se reuniram nesta semana para discutir os impactos das importações de baixo valor no setor produtivo brasileiro.

Em pauta, a preocupação crescente com a concorrência desigual enfrentada por empresas nacionais diante do avanço de plataformas estrangeiras de comércio eletrônico.

Realizado na sede da CNC em Brasília, o encontro contou com a participação da diretora de Relações Institucionais (DRI), Nara de Deus; do diretor Jurídico e Sindical (DJS), Alain McGregor; do economista-chefe da entidade, Fabio Bentes; além de integrantes das respectivas equipes.

Em meio ao debate sobre a chamada “taxa das blusinhas”, a reunião analisou a medida que estabeleceu a cobrança de imposto sobre compras internacionais de até US$ 50. Para as entidades presentes, a discussão vai além da arrecadação tributária.

O entendimento predominante é que a medida representa um instrumento mínimo de compensação diante de um cenário ainda marcado por desequilíbrios competitivos. “Comércio e indústria sentem os efeitos negativos desde o começo da concorrência desleal. É preciso haver mobilização para manter a sustentabilidade de todos os elos da cadeia nacional”, reforçou a diretora da DRI, Nara de Deus.

Segundo levantamento da CNI divulgado em abril, a tributação sobre remessas internacionais de pequeno valor ajudou a preservar cerca de 135 mil empregos no Brasil, evitou R$ 4,5 bilhões em importações e manteve aproximadamente R$ 19,7 bilhões circulando na economia nacional. O estudo também aponta queda do volume de encomendas internacionais após a entrada em vigor da taxa.

A CNC também vem defendendo a necessidade de isonomia tributária no comércio eletrônico internacional. Em audiência na Câmara dos Deputados realizada em 2025, a Confederação ressaltou que 54% das importações de bens de consumo efetuadas no ano anterior foram de produtos de até US$ 50 — justamente a faixa alcançada pela medida.

Concorrência, emprego e defesa da produção nacional

Durante a reunião, representantes do setor produtivo avaliaram que o debate público em torno da medida muitas vezes ignora os efeitos concretos sobre empresas brasileiras, especialmente pequenos e médios negócios que enfrentam dificuldade para competir com plataformas estrangeiras beneficiadas por diferenças tributárias, logísticas e regulatórias.

A avaliação compartilhada é de que o tema precisa ser tratado sob a ótica da defesa do emprego, da competitividade e da soberania econômica.

A livre concorrência pressupõe regras minimamente equilibradas entre os agentes econômicos. “Sabe-se que o Brasil é um dos países que mais tributam o consumo no mundo.

A extinção dessa taxa não contribuiu para promover a isonomia tributária esperada pelo setor produtivo nacional e tende a acentuar o já observável diferencial da carga tributária praticada no Brasil e outros países, fragilizando nossa economia e comprometendo renda e empregos”, avaliou o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.

Na visão de representantes do comércio e da indústria, a manutenção da tributação não deve ser interpretada como oposição ao comércio internacional, mas como uma tentativa de reduzir distorções que afetam diretamente a produção nacional.

O entendimento é que o Brasil corre o risco de ampliar a dependência externa e fragilizar cadeias produtivas locais caso o debate seja conduzido apenas sob o prisma do consumo imediato.

Nordeste entra no centro da preocupação

Outro ponto destacado durante a reunião foi o impacto regional da concorrência internacional sobre polos produtivos brasileiros.

“Nós entendemos como funciona, principalmente a questão do emprego. É preciso pensar nas pessoas do Nordeste que estão perdendo renda com isso, nos pequenos e micronegócios que podem perder empregados”, esclareceu o diretor da DJS, Alain MacGregor.

Entidades ligadas ao setor produtivo têm demonstrado preocupação especial com os efeitos sobre a indústria e o comércio do Nordeste.

Representantes empresariais da região enxergam ameaça direta à atividade industrial nordestina diante da possibilidade de flexibilização das regras para importados. O Agreste Pernambucano, tradicional polo de confecções e serviços, aparece entre os locais mais sensíveis ao avanço dos produtos estrangeiros de baixo custo.

Para representantes presentes no encontro, o debate sobre importações não pode ignorar o impacto social e regional da atividade econômica. A avaliação é de que cada vaga fechada na indústria, no comércio ou na cadeia de serviços representa perda de renda, arrecadação e dinamismo econômico local.

Previsibilidade e diálogo

Ao final da reunião, representantes do setor produtivo reforçaram a defesa de um debate mais amplo sobre competitividade, isonomia tributária e fortalecimento da economia nacional.

A percepção em comum é que decisões sobre o tema precisam considerar não apenas o impacto imediato em preços ao consumidor, mas também os efeitos de longo prazo sobre empregos, produção e desenvolvimento regional.

As entidades avaliam que o Brasil precisa encontrar um equilíbrio entre abertura comercial, competitividade e proteção da capacidade produtiva nacional.

Para os participantes, ouvir os setores responsáveis pela geração de empregos e pela sustentação da economia formal será fundamental para evitar retrocessos e construir soluções duradouras para o comércio brasileiro.

Deu no Portal da CNC

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista