Comércio 28/03/2026 07:47
CNC: vendas de Páscoa devem chegar a R$ 3,57 bilhões e bater recorde da data

As vendas no varejo para a Páscoa devem totalizar R$ 3,57 bilhões em 2026. Segundo projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), caso confirmado, o volume de vendas apresentará crescimento de 2,5% em comparação a igual período do ano passado, já descontada a inflação.
O valor total deve ser o maior já registrado para data, considerando a série histórica iniciada em 2005. Os dados são divulgados pela CNC nesta sexta-feira (27).
Apesar da expectativa de crescimento do volume de vendas em comparação aos anos anteriores, as importações de chocolate e de bacalhau, duas categorias alimentícias tradicionais da data, foram menores neste ano. A alta do cacau, por exemplo, elevou os preços em até 37% no exterior.
Assim, há tendência de que produtos locais ganhem espaço na escolha do consumidor.
Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, a diferença de preços entre 2025 e 2026 reforça a necessidade de avançar na consolidação de acordos de comércio exterior, de modo a potencializar seus efeitos positivos no mercado interno brasileiro.
“Mesmo com a valorização do real frente ao dólar nos últimos 12 meses, fica evidente a importância de ampliar as perspectivas de novos acordos internacionais, como o firmado entre Mercosul e União Europeia, que tende a contribuir para a redução dos preços de itens tradicionalmente consumidos nessa época”, avalia Tadros.
“Independentemente do câmbio ou do tipo de produto escolhido, a Páscoa se consolida como a sexta data comemorativa mais relevante para o comércio nacional, mantendo uma trajetória consistente de crescimento do volume de vendas.”
Cesta de preços e impacto do chocolate
A cesta completa de bens e de serviços típicos da data, composta por oito itens, deve registrar reajuste médio de 6,2%, ficando acima da inflação pelo terceiro ano consecutivo.
O principal impulsionador desta alta é o chocolate, presente símbolo da data, com aumento esperado de 14,9% mesmo nos rótulos nacionais. Esse movimento é reflexo direto da valorização do cacau no mercado internacional, que impediu desaceleração maior dos preços ao consumidor final. Outros itens com altas expressivas incluem o bacalhau (+7,7%) e a alimentação fora do domicílio (+6,9%).
“A queda de 11% na taxa de câmbio no ano contra ano não foi suficiente para amenizar os preços dos importados, tamanho o encarecimento dos insumos para os produtores desses produtos. Ainda assim, percebemos que o mercado de trabalho aquecido e a desaceleração do nível geral de preços deverão garantir o avanço nas vendas neste ano, alçando o volume de receitas ao maior patamar desde o início da pesquisa, uma vez que esses produtos são menos dependentes das condições de crédito”, analisa o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.
Importações em baixa
A alta acentuada dos preços internacionais — com o chocolate subindo 37% e o bacalhau aumentando 19% no exterior — desestimula as importações.
Como consequência, as encomendas desses produtos no mercado externo caíram 27% e 22%, respectivamente, em relação ao ano anterior.
Histórico de recuperação
A projeção para 2026 mantém a tendência de recuperação iniciada em 2021, após o setor registrar em 2020 o menor patamar de vendas em quase uma década, em virtude da crise sanitária provocada pela covid-19.
O dinamismo do mercado de trabalho e a melhora das condições de consumo têm sustentado o aquecimento da demanda nos últimos anos.
Deu no Portal da CNC

Descrição Jornalista
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