FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado
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Tecnologia 16/03/2026 10:00

Atenção: Fones de ouvido somem de lojas na Europa após alerta sobre substâncias químicas

Atenção: Fones de ouvido somem de lojas na Europa após alerta sobre substâncias químicas
Varejistas europeias começaram a tirar de circulação dezenas de modelos de fones de ouvido. A decisão foi motivada por uma investigação do projeto ToxFree LIFE for All, financiada pela União Europeia, que detectou substâncias químicas prejudiciais ao sistema hormonal nos produtos testados.O estudo analisou 81 modelos de fone. Entre eles, estavam modelos de marcas como Apple, Samsung, JBL e Bose. E a pesquisa apontou a presença de compostos perigosos como bisfenóis e ftalatos.Embora as concentrações individuais sejam baixas, o alerta recai sobre a exposição cumulativa e o risco potencial de desequilíbrios reprodutivos e neurocomportamentais a longo prazo.

O perigo invisível nos plásticos e o impasse regulatório

Os compostos identificados atuam como desreguladores endócrinos, substâncias que funcionam como “impostores” químicos no organismo. Eles mimetizam os hormônios naturais, ocupando o lugar de moléculas vitais e enviando sinais errados para as células, o que pode desregular funções básicas do corpo.

A investigação apontou que o Bisfenol A (BPA), utilizado para dar rigidez ao plástico, estava presente em 98% das amostras. Em alguns casos, os níveis atingiram 351 mg/kg, valor 35 vezes superior ao limite de segurança proposto pela Agência Europeia de Substâncias Químicas (ECHA).

Além disso, o Bisfenol S (BPS) foi encontrado em 75% dos produtos. Embora seja usado para substituir o BPA, ele mantém efeitos tóxicos semelhantes, configurando o que especialistas chamam de “substituição lamentável”.

O risco à saúde é acentuado por fatores externos, como o calor e o suor durante atividades físicas. Esses elementos facilitam a migração dos químicos das partes rígidas do dispositivo diretamente para a pele do usuário.

toxicologista Hester Hendriks pondera que, embora o perigo imediato seja baixo, a absorção cutânea prolongada ainda carece de estudos mais aprofundados.

Entre os modelos que receberam a classificação mais crítica (“vermelha”) estão os headsets gamer Razer Kraken V3 e HyperX Cloud III, além do fone premium Sennheiser Momentum Wireless 4. Fones infantis da marca HEMA também foram reprovados.

Em cerca de 60% dos dispositivos analisados, foram encontrados ftalatos, aditivos que tornam o plástico maleável, mas que são classificados como substâncias cancerígenas.

Fabricantes como Bose, Sennheiser e Marshall contestam os resultados, afirmando que seus equipamentos cumprem as exigências legais vigentes na Europa.

O argumento das empresas é que o estudo utilizou critérios de teste muito mais rígidos do que os padrões oficiais da União Europeia. Isso teria gerado uma divergência técnica sobre os limites de segurança aceitáveis para o consumidor, segundo as companhias.

Os autores da pesquisa defendem uma reforma na legislação europeia para banir classes inteiras de substâncias em vez de analisar compostos um a um.

“Acreditamos que uma abordagem sistêmica para proibir e eliminar gradualmente os produtos químicos mais nocivos – que têm efeitos intergeracionais – é o caminho a seguir”, disse Karolína Brabcová, gerente de campanhas sobre produtos químicos tóxicos em produtos de consumo na organização sem fins lucrativos tcheca Arnika, coautora da pesquisa.

Os objetivos são aumentar a transparência sobre a composição dos materiais. E evitar que a indústria substitua uma substância proibida por outra variante química igualmente prejudicial.

Deu em Olhar Digital
Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista