Uncategorized 18/02/2026 08:25
O que se sabe dos vazamentos de dados de ministros do STF

Espionagem fiscal ou dossiê sob encomenda? O que começou como uma auditoria interna na Receita Federal transformou-se, nesta terça-feira (17), em uma das mais graves investigações sobre o uso da máquina pública para perseguição política.
A Polícia Federal ( PF) deflagrou uma operação para desarticular uma célula de servidores públicos acusados de realizar uma “devassa fiscal” em ministros do Supremo Tribunal Federal ( STF), no Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, e em seus parentes diretos.
Diferente de vazamentos acidentais, a Procuradoria Geral da República ( PGR) sustenta que os quatro investigados utilizaram seus cargos para realizar “diversos e múltiplos acessos ilícitos” aos sistemas do Fisco.
Segundo nota do STF, o objetivo central não seria apenas a curiosidade, mas a “exploração seletiva e fragmentada” dessas informações para criar “suspeitas artificiais” contra as autoridades. Em termos práticos: buscava-se fabricar escândalos inexistentes para deslegitimar as decisões da Corte e de seus integrantes.
Por determinação de Moraes, no âmbito da PET 15256 (derivada do Inquérito das Fake News), os nomes dos servidores envolvidos foram tornados públicos:
Todo o caso é sustentado por um relatório de auditoria da própria Receita Federal.
O documento oficial aponta que os acessos não tinham qualquer justificativa funcional. Dados do ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes foram um dos acessados pelos servidores.
As suspeitas de vazamento se intensificaram após dados empresariais de Viviane surgirem de forma distorcida em redes sociais e portais de notícias, ligando-os erroneamente a investigações do setor bancário (como o caso do Banco Master).
A gravidade do episódio levou Moraes a impor medidas de “asfixia” aos investigados para evitar a continuidade do esquema e a fuga de informações, estabelecendo medidas cautelares para os quatro indivíduos:
Em nota a Receita Federal afirmou que “não tolera desvios” e que seus sistemas são totalmente rastreáveis. O foco agora da PF é a perícia nos dispositivos apreendidos (celulares e computadores) para mapear o destino final desses “dossiês”.
A suspeita é de que os dados tenham sido “encomendados” por grupos interessados em pressionar o Judiciário através de campanhas de difamação digital.
Os investigados prestarão depoimento à PF em Brasília nas próximas horas, enquanto o material colhido em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia começa a ser processado pela inteligência policial.
Até o fechamento dessa matéria, os ministros do STF e o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, não haviam ainda se procunciado sobre o caso.

Descrição Jornalista
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