Eleições 26/01/2026 14:29
Grupo de eleitores céticos tende a se fortalecer, aponta especialista

Os eleitores descrentes tendem a se fortalecer no atual cenário político brasileiro, segundo análise da cientista social e política Elis Radmann, ao WW Especial. Os escândalos recorrentes em Brasília impulsionam o grupo, que pode ser uma das principais “marcas” do próximo ciclo eleitoral.
Radmann pontua que, dentre os descrentes, “a maior parte, inclusive, tende a não participar do pleito ou já não participava dele.” Com isso, ela prossegue, podemos ter “um aumento dos votos brancos ou nulos, ou da abstenção”.
Em 2022, o Brasil atingiu o recorde de abstenções no 1° turno na corrida presidencial. Na votação, 20,79% dos eleitores – ou 32 milhões de pessoas – não compareceram às urnas. Vale ressaltar que a abstenção foi menor no 2° turno daquele ano. Também em 2022, o país teve a menor porcentagem de votos brancos e nulos desde 2002.
E o lema dos céticos já é conhecido. “Essas pessoas vão para grupos focais e dizem: ‘não quero saber, nenhum presta; [os políticos] são todos iguais.'”
Elis pontua que, além deste, outros três conjuntos de eleitores serão parte importante das eleições em 2026.
Essa parcela, segundo Radmann, é “aquela bem informados, que têm informação do que está acontecendo.” Radmann afirma que o sentimento dessas pessoas é que o Brasil entrou em um nível de “corrupção sistêmica”.
Desde então, o Brasil está ao lado de Argélia, Nepal, Tailândia e Turquia na percepção de integridade do país. Radmann explica que, para eles, a corrupção já está estruturada e é “como se fosse parte da estrutura da corporação brasileira.”
O grupo de eleitores pragmáticos é aquele que “sofreu” e foi prejudicado diretamente pelos escândalos de corrupção. “Você tem, por exemplo, pessoas ligadas ao INSS ou parentes de pessoas ligadas ao INSS, ou vítimas de descaso do serviço público”, explica a cientista.
Radmann diz que, para esse grupo, a marca da eleição será o conjunto de propostas anticorrupção dos competidores ao Palácio do Planalto. “Eles querem um candidato que traga solução para esses problemas”, segue, “eles dizem: ‘a corrupção está na agenda de todos, mas quero alguém que tenha a capacidade de resolver as questões'”, completou ao WW Especial.
Com isso, o fator que mais pesará para o grupo é o “resultado propositivo” para o combate à corrupção.
A cientista política explica que nesse agrupamento estão “petistas e bolsonaristas”. Ela afirma que esses eleitores seguirão em defesa das lideranças políticas, indiferentemente “dos escândalos de corrupção”.
Segundo Radmann, a estratégia é de sempre culpar o adversário. “Se pegar, por exemplo, os não governistas, eles vão dizer que o orçamento secreto ou que o INSS tem a ver com a corrupção dentro do governo. Enquanto o outro vai defender dizendo que era do governo anterior”, explica.
“Cada grupo de eleitores está lidando com esse tema (escândalos de corrupção) de uma forma diferente. Ou seja, vamos ter mais de uma marca para esta eleição do ponto de vista dos votantes”, afirmou.

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