Tecnologia 17/01/2026 11:14
Israel planeja rasgar o deserto do Negev com o colossal canal Ben Gurion, desafiar o poder do Sué, criar uma rota oceânica onde nada vive e redesenhar a geopolítica mundial com o corredor militar, energético e econômico mais explosivo do século

No coração de uma faixa de terra onde quase nada cresce, nada navega e conflitos desenham fronteiras, Israel planeja rasgar o deserto com uma ideia que, se sair do papel, pode redesenhar o mapa marítimo e geopolítico do século.
O canal Ben Gurion é apresentado como um projeto capaz de transformar rocha e areia em uma rota oceânica estratégica, conectando o porto de Ascalon, no Mediterrâneo, a Eilat, no Golfo de Aqaba, já no Mar Vermelho.
Ao imaginar uma alternativa ao canal de Suez, Israel planeja rasgar o deserto do Negev e abrir uma via própria para navios de grande porte, passando ao lado da Faixa de Gaza e próximo da fronteira com o Egito, em uma das regiões mais sensíveis e militarizadas do planeta.
Para Tel Aviv, seria a chance de se tornar uma potência logística e militar independente. Para o Egito, um rival direto ao seu maior ativo econômico. Para o mundo, um novo eixo de circulação de riqueza, influência e controle estratégico.
A ideia de que Israel planeja rasgar o deserto para criar uma rota alternativa entre o Mediterrâneo e o Mar Vermelho não surge apenas de ambição territorial.
Ela nasce de um trauma global: a dependência extrema do canal de Suez, um corredor estreito, vital para o comércio mundial e vulnerável a guerras, disputas políticas e bloqueios repentinos.
Em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias, o Egito fechou o canal de Suez por anos, isolando navios, desviando rotas inteiras e custando bilhões ao comércio internacional.
Para Israel, o recado foi claro: se quisesse sobreviver economicamente e militarmente, não poderia depender de uma rota controlada por um país hostil.
A partir daí, ganharam força estudos estratégicos que cogitavam uma rota totalmente situada dentro do território israelense, cortando o Negev e unindo dois mares sem passar por Suez.
Ao longo das décadas de 1970 e 1980, documentos militares, análises diplomáticas e pesquisas acadêmicas mencionaram rotas possíveis pelo deserto.
Em propostas experimentais, chegou-se até a discutir, em teoria, o uso de explosões subterrâneas com fins civis para acelerar escavações, em uma era em que Estados Unidos e União Soviética testavam aplicações desse tipo de detonação em megaprojetos.
O fato de o projeto nunca ter sido oficialmente lançado não significa que desapareceu: ele reaparece ciclicamente sempre que a geopolítica das rotas marítimas entra em crise.

Se um dia Israel planeja rasgar o deserto e realmente partir para a obra, o canal Ben Gurion nasceria em um cenário extremo.
Não se trata de escavar à beira de um rio ou em um terreno plano, mas no silêncio de um deserto pedregoso, marcado por calor intenso, rocha dura, bases militares e vales secos.
As propostas variam, mas muitos estudos apontam para uma rota entre 250 e quase 300 quilômetros de extensão, com largura na casa de centenas de metros e profundidade suficiente para receber navios equivalentes aos que cruzam Suez e o Panamá.
Ao contrário de Suez, escavado em terreno arenoso e relativamente plano, o canal Ben Gurion teria de vencer montanhas baixas, vales rochosos, camadas espessas de basalto e calcário, além de diferenças de altitude entre os dois mares.
Na prática, isso significaria remover centenas de milhões de metros cúbicos de material sólido, executar explosões controladas em larga escala e instalar um sistema de eclusas e bombeamento contínuo para equalizar os níveis de água entre o Mediterrâneo e o Mar Vermelho.
Tudo isso sob vigilância militar intensiva, já que parte da rota passaria perto da Faixa de Gaza e de áreas sensíveis próximas à fronteira egípcia.
O ponto central é que, quando Israel planeja rasgar o deserto com o Ben Gurion, a proposta vai muito além da escavação de um simples canal. Diversos cenários consideram a criação de um corredor multimodal, combinando:
Zonas industriais ao longo da rota
Portos ampliados em Ascalon e Eilat
Ferrovias de carga e rodovias duplicadas
Oleodutos, gasodutos e linhas de transmissão de energia
Usinas solares, plantas de dessalinização e bases de defesa
Nesse desenho, o Negev deixaria de ser apenas um deserto árido para se transformar em um cinturão econômico, energético e militar, ligado a dois mares e cercado por infraestruturas de alto valor estratégico.
Alguns planejadores imaginam inclusive soluções híbridas, que combinam trechos navegáveis com ferrovias de alta capacidade, reduzindo custos e impacto ambiental, mas mantendo o objetivo principal: criar um eixo próprio entre Mediterrâneo e Mar Vermelho.
Em qualquer versão, o recado é o mesmo: não se trata apenas de abrir água no deserto, mas de abrir poder no deserto.
Para entender a ambição de um projeto em que Israel planeja rasgar o deserto do Negev, é inevitável comparar o canal Ben Gurion a outras obras colossais. A referência mais óbvia é o canal de Suez, no Egito, inaugurado em 1869 e ampliado recentemente.
Com quase 200 quilômetros, escavado em terreno arenoso, Suez conecta Europa e Ásia, responde por uma fatia relevante do comércio marítimo mundial e rende bilhões em receitas anuais ao Egito.
Se o Ben Gurion fosse construído, ele se tornaria uma alternativa direta a Suez, desviando parte do tráfego e oferecendo uma rota sob controle israelense, mais protegida de crises na região do Sinai.
A paralisação do canal por causa do navio Ever Given, em 2021, mostrou ao mundo como um único ponto de estrangulamento pode travar a cadeia global de suprimentos em poucos dias.
A outra comparação inevitável é com o canal do Panamá, construído em terreno montanhoso e irregular, com uso intensivo de eclusas e lagos artificiais para equalizar níveis de água.
Em termos de geologia e topografia, o desafio de Ben Gurion se aproxima mais do Panamá do que de Suez, já que o Negev também apresenta altitudes variáveis e rocha sólida.
Porém, há uma diferença fundamental: Panamá e Suez nasceram como rotas comerciais prioritariamente civis, enquanto o canal israelense carrega, desde a origem, uma intenção geopolítica e militar explícita.
Ao imaginar um futuro em que Israel planeja rasgar o deserto e entregar o canal Ben Gurion, analistas não veem apenas uma obra de engenharia, mas uma coluna vertebral geopolítica.
O canal permitiria que frotas da Marinha israelense se deslocassem rapidamente entre o Mediterrâneo e o Mar Vermelho sem atravessar águas controladas por países vizinhos.
Além disso, o leito do canal poderia abrigar cabos de dados, oleodutos e gasodutos, transformando a região em um hub global não só de navegação, mas também de energia e conectividade.
Nesse cenário, o eixo tecnológico subterrâneo teria importância comparável ao eixo naval de superfície.
Para o Egito, isso significaria dividir protagonismo com um vizinho que ganha uma rota própria e potencialmente reduz a dependência global de Suez.
Para Gaza, significaria conviver com um corredor estratégico cercado por interesses militares e econômicos, alterando ainda mais o equilíbrio de forças em uma área já explosiva.
Mesmo sem um orçamento oficial, fica claro que quebrar o deserto tem um preço. Estimativas comparadas a obras equivalentes falam em valores na casa de dezenas de bilhões de dólares, possivelmente ultrapassando o custo de expansões recentes em canais já existentes.
O esforço exigiria financiamento de longo prazo, consórcios internacionais e forte respaldo político interno. Ao mesmo tempo, o impacto ambiental seria profundo.
Escavar uma rota oceânica em um território árido, criar lagos artificiais, instalar infraestruturas industriais e militares e mudar padrões de circulação de água e energia são decisões que mexem não só com o mapa, mas com o clima local, com ecossistemas frágeis e com comunidades que vivem na região.
Cada quilômetro do canal é também um quilômetro de disputa entre economia, ambiente e segurança.
Hoje, a ideia de que Israel planeja rasgar o deserto com o canal Ben Gurion permanece em um território híbrido entre estratégia, estudo técnico e ambição política.
O projeto reaparece sempre que crises em Suez expõem a fragilidade das rotas atuais, sempre que a competição entre potências por corredores logísticos se intensifica e sempre que o Oriente Médio entra em uma nova fase de reconfiguração de alianças.
Se algum dia sair do papel, o canal Ben Gurion não será apenas um atalho entre dois mares. Será a prova de que o deserto pode ser moldado, de que a geografia pode ser confrontada e de que o poder global também pertence a nações que criam novas costas, não só às que herdaram bons portos.
Israel não estaria apenas escavando um canal, mas testando os limites do que pode controlar, transformar e exportar para o mundo.
E você, acha que um projeto como o canal Ben Gurion, em que Israel planeja rasgar o deserto do Negev, seria uma solução inteligente para o comércio global ou um risco geopolítico grande demais para o planeta?

Descrição Jornalista
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