FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado
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Crianças 01/01/2026 14:40

Uso de Telas Cresce entre Crianças e Preocupa Especialistas no Brasil

Uso de Telas Cresce entre Crianças e Preocupa Especialistas no Brasil

O uso de telas e mídias digitais na primeira infância cresce de forma acelerada no Brasil e levanta alertas importantes sobre os impactos no desenvolvimento infantil.

De acordo com evidências científicas reunidas pelo Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI), coalizão que reúne organizações nacionais e internacionais dedicadas à promoção do desenvolvimento infantil com base em evidências científicas, quase metade das crianças de até 2 anos (44%) já acessa a internet no país. Entre aquelas de 3 a 5 anos, o índice ultrapassa 70%.

Os dados integram a publicação “Proteção à primeira infância entre telas e mídias digitais”, que reúne e analisa pesquisas nacionais e internacionais sobre os efeitos da exposição a telas em crianças de 0 a 6 anos.

Segundo o estudo, o primeiro acesso à internet na primeira infância mais que dobrou em menos de uma década, passando de 11% em 2015 para 23% em 2024.

Além do crescimento do acesso precoce, o levantamento evidencia desigualdades sociais que agravam o problema. Entre crianças de famílias de baixa renda, 69% são expostas a tempo excessivo de tela.

Nesses contextos, a falta de redes de apoio faz com que dispositivos digitais frequentemente substituam o brincar, a interação presencial e o acompanhamento adulto, fatores essenciais para o desenvolvimento infantil saudável.

“O excesso de contato com mídias digitais e a exposição a conteúdos adultos ou violentos têm repercussões imediatas e cumulativas no desenvolvimento infantil”, aponta o NCPI no documento.

Impactos no cérebro, na linguagem e no comportamento da criança

As evidências científicas reunidas pelo Núcleo mostram que o uso passivo e excessivo de telas está associado a alterações na estrutura cerebral relacionada à linguagem, à regulação emocional e à capacidade de controlar impulsos. Além disso, o tempo elevado diante de telas pode afetar atenção, memória, cognição social e habilidades socioemocionais.

Entre crianças de 3 a 6 anos, inclusive, a exposição prolongada, acima de duas horas diárias, aparece associada a prejuízos no comportamento, na linguagem e no desenvolvimento global. O consumo de conteúdos inadequados ou violentos amplia esses riscos, aumentando a probabilidade de comportamentos hostis, ansiedade, distúrbios do sono, dessensibilização à violência e dificuldades de aprendizagem.

Segundo o NCPI, até mesmo conteúdos aparentemente inofensivos, quando consumidos de forma passiva e sem mediação, podem gerar impactos negativos. Isso ocorre porque, nos primeiros anos de vida, o aprendizado depende fundamentalmente da interação humana, do brincar ativo e da presença responsiva de adultos.

Brincar fora das telas fortalece habilidades essenciais

Em contraste, o estudo destaca os benefícios do brincar longe das telas. Atividades presenciais e lúdicas estimulam o raciocínio ativo, a criatividade, a experimentação e a resolução de problemas, além de fortalecer vínculos sociais e emocionais. Essas experiências ajudam a criança a atribuir significado ao que aprende, conectar novas descobertas a vivências anteriores e desenvolver empatia e cooperação.

Até os 6 anos, período considerado decisivo para o desenvolvimento humano, a criança constrói habilidades motoras, cognitivas, emocionais e sociais que servem de base para toda a vida. Nesse contexto, a substituição do brincar por telas representa uma perda significativa de oportunidades de aprendizado.

Mediação adulta é decisiva desde os primeiros anos da criança

Com base nas evidências científicas, o NCPI reforça que o uso de telas na infância exige atenção especial à quantidade de tempo, à qualidade do conteúdo e, sobretudo, à mediação ativa de pais e cuidadores.

A Sociedade Brasileira de Pediatria, por exemplo, recomenda zero exposição a telas para crianças menores de 2 anos. Dos 2 aos 5 anos, o uso deve ser limitado a até uma hora por dia, sempre com supervisão adulta.

Entre as práticas indicadas estão evitar telas durante refeições e antes de dormir, manter quartos livres de dispositivos digitais, priorizar atividades ao ar livre e acompanhar de perto o que as crianças consomem online. Dar o exemplo com um uso equilibrado da própria tecnologia também faz parte da estratégia de proteção.

Políticas públicas e arcabouço legal

O estudo destaca ainda que o Brasil dispõe de um arcabouço legal robusto e atualizado para a proteção da infância no ambiente digital.

Leis como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o Marco Civil da Internet e o chamado ECA Digital reforçam direitos relacionados à privacidade, à segurança online, ao controle parental e à regulação da publicidade infantil.

Além disso, o NCPI aponta a importância de políticas públicas intersetoriais que integrem saúde, educação, assistência social e urbanismo. Medidas como campanhas de sensibilização, formação em educação digital, fiscalização de conteúdos e garantia de espaços públicos para brincar aparecem como estratégias centrais para reduzir os impactos negativos do uso excessivo de telas.

Deu em Forbes

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


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