No mundo das interações rápidas, julgar inteligência alheia pode parecer instintivo, mas carece de critérios confiáveis. O filósofo Julian de Medeiros, da Universidade de Kent, propõe um atalho curioso: observar um único padrão comportamental que revela muito.
Seus vídeos no TikTok (@julianphilosophy) viralizam ao mostrar como pequenas atitudes dizem mais do que palavras. Medeiros se apoia na reflexão de Ernest Bevin, político e líder sindical britânico das décadas de 1920 a 1940.
A partir dessa ideia, o filósofo propõe um “teste” social simples: observar como a pessoa reage diante de dificuldades.
Teste de inteligência
Segundo a máxima resgatada, indivíduos menos perspicazes tendem a culpar outros por problemas que não criaram. Quem recorre a bodes expiatórios evidencia tendências cognitivas e emocionais que permitem decifrar sutilezas do caráter e da inteligência prática.
Ele sustenta que o comportamento-chave é simples: diante de problemas, a pessoa sistematicamente terceiriza a culpa. Além disso, ela evita reconhecer a própria parcela de responsabilidade.
Para o filósofo, essa fuga revela carência de introspecção e, por consequência, limitações cognitivas relevantes.
Culpar terceiros como padrão
Conforme o especialista, o padrão aparece em conversas triviais e em conflitos maiores. Porém, o enredo raramente muda: “nunca fui eu, sempre foi alguém”. Assim, a insistência em encontrar um antagonista substitui a autocrítica e inviabiliza correções de rota e aprendizado.
Introspecção, autoconsciência e inteligência
A literatura psicológica reforça o argumento ao relacionar autoconsciência e introspecção com alta inteligência. Ademais, a preferência por momentos de solidão, úteis para refletir, costuma acompanhar esse perfil.
Na educação, o debate sobre aprendizagem socioemocional ganha espaço. Enquanto alguns movimentos politizados querem retirar essas práticas das escolas, o filósofo enxerga nelas ferramentas decisivas para desenvolver autocrítica, responsabilidade e crescimento.
Contudo, críticos lembram que traumas podem levar pessoas a evitar a introspecção, mas isso não reduz sua inteligência. Por outro lado, embora o argumento de Medeiros possa parecer reducionista, a autocrítica é, segundo a psicologia, um indicador de alta inteligência.
Gostar ou precisar de solidão, o que é um pré-requisito necessário para ser introspectivo, também é considerado um indicador de alta inteligência. Assim, a ideia encontra respaldo em outros estudos.
O critério proposto por Julian de Medeiros oferece um indicador prático para observar a maturidade intelectual no convívio diário. Quando falta inteligência emocional, integridade e responsabilidade, as limitações cognitivas ganham espaço.

