Bancos 15/12/2025 09:34
Fraudes bancárias crescem 220% no 1º semestre, diz relatório

Um dos destaques do estudo é o salto nos ataques de malware (abreviação de “malicious software”), que diz respeito a qualquer software criado para prejudicar sistemas, roubar dados, espionar ou obter acesso não autorizado.
De acordo com a BioCatch, os malwares não se limitam a roubar credenciais: eles automatizam pagamentos, executam transferências em massa e se camuflam como atividade legítima, utilizando scripts capazes de reproduzir cliques, movimentos de mouse e até digitação de senhas.
Outro dado preocupante do estudo são os golpes da chamada “falsa central”, que dobraram em 2025. No golpe, criminosos se passam por atendentes de instituições financeiras para convencer clientes a fazerem a transferência, burlando todos as proteções tradicionais dos bancos, como, senhas, biometrias e confirmações.
Segundo a BioCatch, esse tipo de crime ilustra bem o investimento dos grupos organizados em persuasão e psicologia, os fraudadores constroem narrativas convincentes que confundem até usuários mais experientes.
No Brasil, a maioria dos delitos digitais não são fraudes, mas golpes relacionados à falsa central (conhecida também como vishing), modalidade em que o contato por telefone é a principal arma para induzir as vítimas ao erro.
O documento mostra que, enquanto grupos criminosos em outros países ainda operam de forma fragmentada, no Brasil, as facções estão cada vez mais organizadas, combinando violência física (como roubos de celulares à mão armada) com ataques digitais de alta complexidade.
O resultado é um quadro alarmante: fraudes que crescem em ritmo acelerado, movimentando bilhões de reais e pressionando bancos e autoridades.
Além da sofisticação tecnológica, a violência cotidiana, como roubos de celulares, também aparece como combustível para o aumento de fraudes. Segundo a BioCatch, casos de fraude ligados a dispositivos roubados triplicaram em 2025.
“O que mais preocupa não é apenas a sofisticação técnica dos golpes, mas a velocidade com que eles escalam. Isso exige das instituições financeiras uma postura colaborativa e tecnológica muito mais ousada. Não basta reagir, é preciso antecipar ataques e proteger as pessoas delas mesmas utilizando o que existe de mais humano – seu comportamento”, destacou Cassiano Cavalcanti, especialista em segurança digital da BioCatch.
O levantamento ainda revela como os executivos de bancos percebem o cenário de fraude no país. Para 80% deles, a colaboração entre instituições deve se intensificar nos próximos cinco anos, com sistemas mais vigorosos de compartilhamento de históricos de fraude em tempo real.
Ao mesmo tempo, 86% preveem um crescimento acelerado dos golpes de pagamento direcionados a consumidores, especialmente os realizados via Pix, refletindo a preocupação com a vulnerabilidade desse sistema.

Descrição Jornalista
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