Economia 16/07/2025 11:33
Qual será o impacto da tarifa de 50% de Trump sobre a economia brasileira? Economistas calculam

A imposição de uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros que entram nos Estados Unidos, anunciada pelo presidente americano Donald Trump, pode causar um freio adicional no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país este ano.
Economistas calculam que o impacto pode chegar até 0,5 ponto percentual no PIB este ano, com as projeções que vão de 2% a 2,4% para o desempenho em 2025.
O economista André Valério, do Inter, estima que o PIB pode ter redução de até 0,5 ponto percentual, mas destaca que o Brasil é pouco exposto ao comércio internacional.
— Pode ter um impacto grande, mas, de toda forma, o Brasil é relativamente fechado para a economia internacional. E os EUA, de modo geral, têm representatividade baixa na nossa economia — afirma ele, que projeta alta de 2% do PIB este ano, destacando que o maior risco é a retração dos investimentos diretos, já que muitos vêm de grupos americanos.
Para Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, o impacto pode ficar entre 0,2 e 0,3 ponto percentual, concentrado em setores como aéreo, carnes e laranja, setores que exportam boa parte da produção para os Estados Unidos. Mesmo assim, ele mantém a projeção de crescimento de 2,4% para 2025.
— Se for mantida essa tarifa realmente alta, isso vai contribuir para ter uma queda da atividade econômica puxada por esses setores mais dependentes do mercado americano. A gente já está vendo uma desaceleração por conta da política monetária bastante restritiva, que está batendo nas concessões de crédito.
Do lado da balança comercial, o Santander calcula que, se a medida for implementada em agosto, o saldo brasileiro pode perder US$ 9,4 bilhões em 12 meses, sendo US$ 3,9 bilhões só neste ano, o equivalente a uma queda de 7% em relação aos US$ 55 bilhões esperados.
Felipe Kotinda, economista do Santander e autor do estudo, lembra que após o recorde de US$ 98,8 bilhões em 2023, o superávit comercial já estava em declínio:
— Num contexto de desaceleração, é algo que acentua esse cenário.
O impacto agora estimado é três vezes maior do que em abril, quando Trump falou em tarifa de 10%. O Santander avalia que a medida de Trump pode cortar em 25% a demanda americana por produtos brasileiros.
Com isso, ele calcula que o PIB brasileiro pode ser reduzido em 0,2 ponto percentual este ano e 0,3 ponto em 2026. O banco ainda não revisou as projeções de 2% e 1,5%, mas incluiu o tema no radar de riscos.
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— Vimos Trump fazer idas e vindas com outros países, então não faz muito sentido incorporar isso dada toda a incerteza — afirma Kotinda. — Temos mais duas semanas de muitos acontecimentos até primeiro de agosto.
Para o Itaú, a tarifa efetiva deve ficar perto de 40%, considerando taxas específicas sobre petróleo e automóveis. A partir dos US$ 40 bilhões exportados aos EUA, a perda pode chegar a US$ 16 bilhões, ou cair para US$ 5 bilhões com redirecionamento parcial da produção.
— As estimativas envolvem alto grau de incerteza e por isso não foram incorporadas ao cenário-base — afirma Julia Gottlieb, economista do Itaú Unibanco.
O Santander calcula que o real teria que se desvalorizar 5,5%, de R$ 5,40 para R$ 5,75, para compensar a queda nas exportações. Ainda assim, o banco não prevê dólar acima de R$ 5,70 de forma sustentada até o fim do ano, o que limitaria o impacto inflacionário.
A estimativa é de efeito inicial de queda de 0,10 ponto percentual no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com dissipação ao longo do ano. A projeção de inflação para 2025 segue em 5,1%. Só haveria revisões para cima caso o câmbio ficasse acima de R$ 5,70 por tempo prolongado. Nesse cenário, o IPCA poderia subir entre 1,5 e 2 pontos percentuais
Alessandra Ribeiro, sócia da Tendências, vê impacto de até 0,3 ponto percentual no PIB, embora setores como aço e máquinas devam sentir mais. Para ela, o câmbio será variável-chave.
Ela afirma que, como as tarifas têm motivação política, pode haver temor de novas medidas dos EUA, o que deixaria investidores mais cautelosos com o Brasil e faria o dólar subir. Mas se o protecionismo de Trump enfraquecer a economia americana, o dólar pode perder força:
— Não está claro se o câmbio vai entrar numa trajetória de depreciação.
Parte da produção destinada aos EUA pode ser redirecionada ao mercado interno, o que tende a conter os preços de itens como carne, café e aço. O Brasil também pode buscar novos parceiros comerciais.
— O Brasil pode perder receita, mas consegue achar outros clientes. O café e a carne estão super demandados. A gente consegue achar comprador — diz Kotinda.
Para Claudio Considera, pesquisador do FGV Ibre, a incerteza sobre a resposta brasileira torna difícil prever os efeitos exatos:
— O Brasil importa muito bens intermediários dos EUA. Uma saída pode ser taxar só os produtos finais importados e não os intermediários.

Descrição Jornalista
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