Sem categoria 30/01/2014 05:38
Lançar ou não lançar, eis a questão
Há uma certa ansiedade, na mídia e nas conversas políticas: por que os partidos ainda não lançaram definitivamente seus candidatos ao Governo do Estado?
Cobram isso constantemente.
Na imprensa o debate é ainda mais intenso, no vai e vem natural das ondas e das preferências eleitorais.
A única exceção é o atual Vice Governador Robinson Faria, que há tempos está na estrada.
E o PT, que quer a deputada federal Fátima Bezerra para o Senado.
Mas, diante da vontade partidária, criou um discurso que subtraiu, não somou.
Anuncia o que quer e também o que não aceita. É difícil formar uma chapa competitiva distribuindo vetos e impedimentos.
Livres para voar em busca do voto, cada um tem a noção do que foi possível caminhar até agora.
Sabem que o fato de se lançarem antes não ajudou na conquista de aliados.
É verdade, ainda não formaram suas alianças e sozinhos não irão a lugar nenhum.
No máximo fixarão uma posição. Mas isso é coisa de política no grêmio. Pra valer os valores são outros.
Será preciso encontrar os parceiros. A não ser que acreditem que serão capazes de, isolados, fazerem uma campanha minimamentete viável no RN.
A pergunta que deve ser feita é: porque lançar candidaturas agora? Quais são as vantagens? E o que há de negativo na pressa?
Lembrar que o ano terá também uma eleição presidencial e que, embora os principais nomes já sejam conhecidos, as alianças políticas, com grande influência nas articulações regionais, ainda estão incompletas.
Dilma vai com o PMDB e manterá a atual base aliada ao seu lado? É previsível. Aécio vai com quem? Eduardo Campos terá Marina na vice, numa chapa puro sangue? Surgirão outros candidatos, menos competitivos?
Lembrar que, embora não seja obrigatório, buscar uma sintonia com os arranjos nacionais é importante para a sobrevivência.
Em todos os sentidos.
Se não for possível já num primeiro turno, que as portas fiquem abertas para uma eventual segunda rodada eleitoral.
Esperar as definições nacionais é uma boa prática para não atropelar o processo.
A política tem um “time ” e quem derespeitar pode ser atropelado.
Ela requer etapas e ainda não chegou a hora das definições.
Lançar nomes e chapas significa que a campanha começou, com tudo a que tem direito.
Iniciar uma campanha agora, antes do Carnaval, já é uma temeridade. Há ainda a Copa do Mundo no meio.
Ora, há um calendário eleitoral rigoroso a ser respeitado. Até mesmo as pesquisas agora estão fiscalizadas desde o início do ano.
Iniciar campanha quer dizer dinheiro em movimento que ninguém é hipócrita.
Surge aí outra grande dificuldade para o lançamento precoce de candidaturas.
Ao botar o bloco na rua, buscar apoios, conquistar espaços, mobilizar militância, custa caro, por maior amor febril que se tenha pelo partido ou pelo nome.
O que as lideranças precisam fazer – algumas estão fazendo – é andar e andar. É relativamente barato e mantém acesa a chama dos correligionários.
Como já vem ocorrendo nas campanhas anteriores, principalmente nas cidades maiores, os pleitos mudaram de perfil.
Os comícios praticamente foram extintos. Não há mais as grandes mobilizações e a eleição será feita novamente quando começar a mídia de tv e de rádio.
Isso só ocorrerá no segundo semestre.
Um outro grave sintoma é a falta de recursos ou as grandes dificuldades para a arrecadação de fundos.
A legislação eleitoral, ainda indefinida, também pode atrasar o início do processo.
Será legal receber apoios da iniciativa privada? E de que forma isso será feito?
Há um debate em andamento na Justiça Eleitoral e no Supremo Tribunal Federal.
Quem pensar que isso não é capaz de atrasar qualquer campanha, é um seminarista.
Sem garantias dos recursos, é temerário começar a maratora eleitoral.
Além de ficar cada vez mais difícil conquistar os recursos, também é uma ginástica fazer com que isso ocorra de forma legal, rigorosamente dentro das normais.
Doadores e recebedores, se não agirem desta forma, correm o risco das denúncias.
E aí a campanha pode desandar.
Há a questão da chapa proporcional, onde cada um raciocina a partir da própria sobrevivência eleitoral. Deputados estaduais e federais usam a ponta do lápis para escolherem qual é o melhor aliado e onde podem somar mais do coeficiente eleitoral.
Esta é outra guerra que está sendo travada. Um erro nas contas será fatal.
Lançar nomes agora e iniciar a campanha requer também a formação do exército de comunicação e de mobilização. Rádio, TV, mídias sociais etc.
Mesmo com as limitações impostas pela legislação.
Isso custa muito.
Os partidos vão sondando, soltando balões de ensaio, testando nomes, fazendo pesquisas internas, aumentando as inquietações próprias do processo e do período.
Mas não devem, nem podem, lançar candidaturas sem que todos os ajustes estejam testados. Manda o bom senso da política.
Há ainda no RN a dúvida da participação ou não da Governadora Rosalba Ciarlini no pleito.
Estaria a Governadora inelegível? O pleito será de um jeito com ela e de outro sem a participação dela.
Entre uma e outra situação, até mesmo o discurso dos candidatos mudará.
Se nem discurso os partidos já ajustaram, imaginem definir um nome e sair por aí em busca do voto.
Também é bom lembrar todo o rigor na legislação e na vigilância da Justiça Eleitoral e do Ministério Público.
Acelerar e cometer equívocos pode ser sinônimo de muitos dissabores e bombadeio na campanha, ainda embrionária.
Um outro ingrediente capaz de atrasar as definições é o papel da Vice Prefeita Wilma de Faria.
Ele tem atuado magistralmente de maneira dúbia no processo.
Não diz se é candidata ao Governo, ao Senado ou mesmo a deputada federal.
A cada diz surge um indicativo, para no outro ser desviado.
Diante da inegável força eleitoral dela, as articulações precisam ser muito bem elaboradas e costuradas.
Por questões locais e nacionais.
Protagonista do processo, o PMDB arma uma aliança, mas não pode definir sozinho.
Sem discurso, sem recursos, sem alianças formadas, sem um projeto de governo, sem as propostas que nortearão a escolha do eleitor, com os parceiros e adversários ainda indefinidos, só o nome é passar uma jamanta sobre o processo político.

Descrição Jornalista
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