“Caiu a ficha do quanto essa questão social é determinante para esse momento em que o pai e a mãe dão o celular para a criança. Então a gente pensou: ‘Se o grande motivo é que todo mundo tem, isso a gente consegue influenciar’.”
A partir daí, teve início um debate sobre o tema com outros pais por meio de um grupo de WhatsApp. Em pouco tempo, a ideia de criar um “grande acordo” para adiar a entrega dos smartphones ganhou força entre eles e acabou furando a bolha do colégio.
Debate sobre o tema
As fundadoras do movimento criaram um perfil no Instagram e um site para reunir as informações sobre o tema. Em um mês, a página na rede social chegou a 17 mil seguidores.
O grupo divulga uma série de dicas para que outros pais possam discutir o tema nas escolas dos filhos e em outros espaços de convívio com crianças. No site do movimento, as fundadoras criaram um passo a passo, explicando como levar o debate sobre o assunto adiante e incentivando mais famílias a aderirem ao acordo.
As mães também defendem que as escolas se tornem “zonas livres de telefones celulares” e que as crianças possam brincar livremente para promover a interação social.
É preciso limitar o tempo de tela das crianças; hábito afeta até a pele dos pequenos Andrea Piacquadio/Pexels.
Os objetivos são inspirados em recomendações do psicólogo social Jonathan Haidt, autor do livro “A geração ansiosa” e que estudou o impacto dos smartphones na vida de crianças e adolescentes. Segundo ele, o uso excessivo de telas aumentou os casos de depressão e ansiedade na infância.
Outros estudos também mostram que smartphones podem prejudicar o desenvolvimento de crianças, afetar a aprendizagem e a socialização delas.
Camila explica que o Movimento Desconecta não prega a exclusão total das telas, mas entende que adiar a presença do smartphone na infância é uma forma de equilibrar o uso das tecnologias.
“A gente sabe que as crianças hoje estão imersas em uma realidade em que elas têm contato com a tecnologia, com as telas. Elas usam dispositivos digitais nas escolas. O que a gente está falando é para sermos mais conscientes e adiarmos a entrega do celular porque é algo que vai dar um acesso ilimitado no bolso deles a qualquer momento. A nossa proposta é sobre balanço, sobre equilíbrio, e adequado à maturidade neurológica de cada idade.”
O grupo tem feito uma série de campanhas de conscientização sobre o assunto para ampliar o número de pais adeptos à iniciativa.
Também cofundadora do movimento, Fernanda Cytrynowicz diz que o acordo foi a forma que as mães encontraram para proteger mais os filhos. “Nossa vontade é de que eles tenham uma infância mais saudável”, diz ela.
Celular na escola
Um projeto de lei da deputada estadual Marina Helou (Rede), em debate na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), prevê que os celulares sejam proibidos nas escolas.
O PL se baseia, entre outros dados, em um levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que aponta que alunos têm pontuações mais baixas no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) quando utilizam a internet por longos períodos.
Deu em Metrópoles


