FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Comportamento 22/01/2026 15:18

63% dos brasileiros encaram a limpeza de casa como forma de terapia, estima levantamento

63% dos brasileiros encaram a limpeza de casa como forma de terapia, estima levantamento

Por trás da rotina aparentemente banal de lavar a louça, passar um pano no chão ou organizar a casa, há um efeito profundo sobre a saúde emocional dos brasileiros.

Um novo levantamento conduzido pela consultoria Quiddity, a pedido da marca Scotch-Brite, revela que 63% da população vê a limpeza doméstica como uma estratégia de autocuidado e reorganização mental.

Realizado em novembro de 2025, o estudo ouviu 303 indivíduos com idades entre 18 e 65 anos, de todas as classes sociais e regiões do país, com amostra ponderada a partir de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP).

Além de compreender os hábitos práticos de limpeza, os autores também tinham como objetivo investigar as dimensões emocionais, psicológicas e culturais associadas a essas atividades.

Limpar a casa para organizar a mente

Os dados, enviados à GALILEU em comunicado, mostram uma relação direta entre um ambiente organizado e o equilíbrio emocional. Para 78% dos entrevistados, limpar a casa ajuda a organizar a mente, enquanto 71% afirmam que ter o lar em ordem traz uma maior sensação de controle sobre a própria vida.

A percepção de que “a casa é o espelho da mente” aparece de forma recorrente nas respostas, indicando que o espaço físico funciona como extensão do estado emocional.

Esse efeito positivo também se manifesta no ânimo: 87% dos brasileiros concordam que uma casa limpa muda o humor e 82% relatam sentir a vida mais organizada quando o seu ambiente de convivência está em ordem.

De acordo com o levantamento, 63% dos brasileiros se sentem agitados ou inquietos quando a casa está suja — Foto: Pexels
De acordo com o levantamento, 63% dos brasileiros se sentem agitados ou inquietos quando a casa está suja — Foto: Pexels

Sensações de alívio (82%), satisfação (80%) e dever cumprido (84%) são frequentemente associadas ao resultado da limpeza. Apesar disso, o estudo ainda revela certas ambivalências no serviço doméstico.

Para sete em cada dez entrevistados, a casa limpa traz alívio e satisfação, no entanto, isso não os impede de sentir esgotamento. Na prática, tal percepção evidencia o fato de que o trabalho doméstico, embora recompensador, ainda é pouco valorizado socialmente.

Sujeira como gatilho de estresse

Se a limpeza funciona como válvula de escape emocional, a desordem produz justamente o efeito contrário. De acordo com o levantamento, 63% dos brasileiros se sentem agitados ou inquietos quando a casa está suja, e 61% relatam irritação nessas condições.

A sensação de que “a vida fica mais bagunçada” diante de um ambiente desorganizado é compartilhada por 65% dos entrevistados, reforçando o impacto psicológico da sujeira.

A cozinha e o banheiro são os ambientes que mais impactam o psicológico dos brasileiros quando sujos — Foto: Pexels
A cozinha e o banheiro são os ambientes que mais impactam o psicológico dos brasileiros quando sujos — Foto: Pexels

O estudo aponta ainda que o desconforto traz consequências diretas para o descanso. Metade dos brasileiros afirma que a casa suja prejudica a qualidade do sono, índice que sobe para 56% entre somente as mulheres.

Além disso, 64% dizem se sentir menos produtivos quando o ambiente doméstico está desorganizado, enquanto 70% relatam maior disposição quando a casa está limpa.

Esses resultados indicam que a limpeza não atua apenas como resposta a um incômodo visual, mas como um mecanismo de regulação emocional.

Para 69% dos entrevistados, o estado emocional influencia diretamente na vontade ou na decisão de limpar – isso seja por sentimentos positivos, como disposição e bem-estar, ou negativos, como estresse, ansiedade e irritação.

Cozinha e banheiro concentram maior impacto emocional

Nem todos os cômodos da casa exercem o mesmo peso sobre o estado emocional. A pesquisa identificou que a cozinha e o banheiro são os ambientes que mais impactam o psicológico dos brasileiros.

Segundo o levantamento, 73% afirmam que a limpeza da cozinha influencia seu humor, enquanto 72% dizem o mesmo sobre o banheiro.

Dentro da cozinha, os principais gatilhos de desconforto são o fogão engordurado (80%), a pia com louça acumulada (77%) e o lixo cheio ou com cheiro ruim (67%). Já no banheiro, destacam-se o vaso sanitário sujo (81%), o lixo com mau cheiro (67%) e a presença de odores desagradáveis (64%).

Para os pesquisadores, esses dados reforçam a ideia de que a limpeza doméstica vai além da estética e da higiene, funcionando como uma forma de cuidado com quem vive na casa. Não por acaso, 88% dos entrevistados concordam que limpar é uma demonstração de amor e cuidado com os moradores.

Deu em Galileu
Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista