Economia 10/07/2021 11:00

Projeções otimistas: Itaú eleva projeção para o PIB do Brasil e não vê Fed e variante delta da Covid impactando recuperação global

Banco se mostra otimista com o futuro da atividade econômica brasileira em meio à aceleração da vacinação e à retomada no setor de serviços

O Itaú elevou sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2021 de 5,5% para 5,8%.

Para 2022, a revisão foi de 1,8% para 2% de crescimento da atividade econômica nacional.

De acordo com a equipe econômica do banco, o PIB do Brasil deve se acelerar de modo significativo no terceiro trimestre conforme o setor de serviços se recupera e o setor de bens continua a ser um pilar da retomada.

Além disso, o Itaú projeta que o avanço da vacinação no país deve levar a uma normalização econômica no quarto trimestre: “esperamos que toda a população com mais de 18 anos receba a primeira dose em setembro.”

Com perspectivas melhores para o avanço da economia, o Itaú prevê também que o déficit primário no ano atinja 1,8% do PIB, abaixo dos 2% esperados anteriormente, e 0,7% do PIB em 2022, de 1% previsto antes. A relação dívida/PIB, nesse contexto, chegaria a 81% em 2021 (antes era 81,9%) e 80,2% em 2022 (antes era 81,6%).

Apesar disso, há na instituição financeira a avaliação de que o maior risco à economia é uma adicional flexibilização do teto de gastos devido às consequências sociais das dinâmicas relacionadas à pandemia.

“Esse cenário poderia afetar a já frágil sustentabilidade fiscal no Brasil, aumentar o prêmio de risco doméstico, e afetar a taxa de juros, a taxa de câmbio e a atividade econômica.”

O otimismo da equipe do maior banco privado do país se estende também ao cenário internacional. Segundo Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú, a variante delta do coronavírus e a condução da política monetária do Federal Reserve não devem promover uma disrupção na economia global, ao contrário do que muitos têm temido.

Em relação à disseminação da variante delta, o economista escreve em relatório que ela não irá impedir o controle da Covid-19, uma vez que as vacinas no mercado atualmente se provaram eficazes contra casos mais severos da doença.

“Países com largas fatias da população totalmente vacinadas irão provavelmente ter cenários similares ao do Reino Unido, onde o número de casos aumentou, mas as hospitalizações por Covid continuam baixas”, avalia. Nesse caso, o economista não enxerga tantos riscos econômicos, pois sem pressão sobre o sistema de saúde não há também necessidade de aumentar as restrições à mobilidade.

Por outro lado, Mesquita vê riscos para países emergentes nos quais os índices de vacinação continuam baixos. “Chile, Uruguai e Hungria estão com suas populações quase totalmente imunizadas, enquanto outras nações, especialmente na Ásia, demorarão ainda alguns meses até verem uma aceleração significativa na vacinação.”

Na América Latina, o economista acredita que, pelo menos no curto prazo, outras variantes prevaleçam sobre a delta, como a beta, vinda da África do Sul, e a gama, que surgiu no Amazonas. “A aceleração da vacinação hoje deve prevenir uma onda da variante delta na região no futuro”, comenta.

Já sobre o Fed, Mesquita ressalta que a inflação e o crescimento dos salários nos EUA seguem altos, porém são guiados por pressões temporárias.

“O avanço inflacionário está sendo guiado por preços de itens mais voláteis e sujeitos a disrupções na oferta, como é o caso de carros usados, ou à reabertura econômica, tais quais vestuário e passagens de avião”, explica.

O Itaú prevê que o núcleo do PCE, indicador inflacionário mais acompanhado pelo Fed, irá encerrar 2021 em 3,1% e depois cair para 2,3% no ano que vem.

Mesquita espera que o banco central dos EUA comece a retirar estímulos como as compras mensais de US$ 120 bilhões em ativos no começo do primeiro trimestre de 2022.

A primeira elevação de juros, saindo do atual patamar de taxas entre 0% e 0,25%, seria feita em dezembro de 2022 nesse cenário.

Deu em Infomoney

Ricardo Rosado de Holanda



Descrição Jornalista