FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado
GOVERNO DO RN – SEGURANÇA – 2802 A 2903

Uncategorized 18/03/2026 06:56

Zé Guimarães defende Natália Bonavides ao Senado no RN e continuidade de Fátima no governo

A governadora Fátima Bezerra (PT) admitiu, após anunciar em carta postada nas redes sociais, que sua decisão de não renunciar ao mandato em 4 de abril e permanecer no cargo, deveu-se ao fato de que não ter conseguido viabilizar um candidato a governador em condições de sair vitorioso numa eventual eleição indireta na Assembleia Legislativa.

“Fizemos várias articulações, mas nós não conseguimos viabilizar para a eleição indireta de um nome comprometido com o projeto vitorioso de 2022, que trouxesse a segurança que se fazia necessária, porque em primeiro lugar, estavam os interesses do povo do Rio Grande do Norte, e isso, para nós, é algo inquestionável”.

Em sua carta, Fátima Bezerra disse que “para viabilizar a candidatura ao Senado, era necessário que o vice assumisse o governo, mas ele rompeu o compromisso firmado em 2022, atendendo a interesses de uma velha elite que nunca aceitou um Rio Grande do Norte governado pelo povo”.

Para a governadora, ocorreu “um movimento articulado para tirar o PT do Senado. Não vão conseguir. Ao longo desses anos, muitas Fátimas se forjaram na luta política e social e seguirão ocupando, cada vez mais, os espaços de poder. Eles tentaram nos enterrar, mas não sabiam que éramos sementes”.

Fátima Bezerra disse aos jornalistas que ocorreram no meio da tarde à Governadoria, no Centro Administrativo de Lagoa Nova, em busca de uma declaração “in loco” da chefe do Executivo, o seu “senso de responsabilidade falou mais alto”, abrir mão de uma candidatura ao Senado da República, “com a mesma coragem que já tive em vários momentos, foi assim quando foi para deputado federal em 2002 e para o Senado em 2014”, quando tinha reeleições confortáveis para a Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados.

Fátima Bezerra relembrou a decisão do vice-governador Walter Alves (MDB) anunciada em janeiro de não assumir o governo e postular mandato de deputado federal, em caso de renúncia dela ao mandato, pegando de surpresa, inclusive o presidente Lula e o presidente nacional do PT, Edinho Silva.

Segundo a governadora, o presidente Lula lhe que disse que, evidentemente, que a decisão de de ficar ou renunciar ao governo “caberia a mim, era uma decisão de caráter pessoal, intransferível, e me assegurou de forma muito, muito categórica, que qualquer que fosse a decisão que você tomar, estarei ao seu lado”.

Fátima Bezerra afirmou, ainda, que tem apoio de Edinho Silva, com quem se encontrou em Brasília, na segunda-feira (16), da mesma forma que a secretária de Relações Institucionais do governo Lula, Gleisi Hoffmann, acompanhada da presidente estadual do PT, vereadora Samanda Alves, e do secretário estadual da Fazenda, Carlos Eduardo Xavier, o “Cadu”, que é pré-candidato do PT nas eleições de outubro deste ano.

“A direção nacional do PT garantiu que vai dar prioridade absoluta às candidaturas de Cadu Xavier e do PT para o Senado”, disse a governadora, assim como às chapas de deputado estadual e federal, que garantiu dobrar, passando de dois para quatro deputados em Brasília.

“Edinho Silva deu prioridade à nossa luta no Estado, isso ele deixou muito claro, que o Nordeste é muito importante nesse contexto de luta nacional”, declarou Fátima, que destacou que estão em aberto para negociações com outros partidos que compõem a aliança de esquerda – PC do B, PV, PDT, PSB o cargo de vice-governador, outra vaga de senador e as duas suplências para o Senado.

Senado

De fora da disputa por uma vaga no Senado Federal, a governadora disse que o PT indicará um candidato, mas não confirmou o nome de nenhum postulante, inclusive a vereadora Samanda Alves ou mesmo a deputada federal Natália Bonavides: “Essa discussão passará pelas instâncias partidárias”.

Fátima citou que PC do B e PSB pleiteiam indicações para senador, assim como o PDT, que já lançou a pré-candidatura do ex-senador Jean Paul Prates: “É um excelente quadro, é um dos nomes que está colocado através do PDT. Uma coisa boa que a gente tem é que há muitos nomes colocados pleiteando fazer parte da chapa senatorial, mas vamos fazer essa discussão no conjunto dos partidos, buscando um caminho que for mais adequado, mantendo a unidade político-eleitoral com a chapa fortalecida”.

Sem mandato

Diante do fato de ficar sem mandato pela primeira vez em sua carreira política a partir de janeiro de 2027, a governadora do Estado não comentou a possibilidade de vir a ser indicada ministra numa eventual reeleição de Lula:

“A militância política, social, sempre vai fazer parte da minha vida, até porque quem acompanha a nossa trajetória sabe que eu faço política movida pelo espírito público, movida pela defesa das causas em que eu acredito. A política para mim nunca foi um projeto individual, nunca foi um projeto do ponto de vista pessoal”.

Ela disse, ainda, que “a política, para mim, ela sempre foi exercida nas suas mais variadas esferas, desde a militância política, social, a militância partidária, ela sempre foi exercida como instrumento de transformação. Uma transformação, um instrumento de promover direitos e cidadania brasileiras para o nosso povo”.

Trechos da carta

“Tenho coragem de renunciar a uma disputa que era legítima, esperada, necessária – por tudo que estará em jogo no senado federal a partir de 2027, com a ofensiva da extrema direita contra a democracia e para seguir defendendo os interesses do povo do Rio Grande do Norte. Esse era o desejo de Lula, do PT e de parte expressiva do eleitorado como já constatado em pesquisas”, disse a governadora.

Em outro trecho declarou:

“Os mais de um milhão de votos que recebemos quando fui reeleita governadora serão honrados por mim até o último dia de mandato. A coragem e, repito, o compromisso, em primeiro lugar com o povo potiguar, me mandam agora ficar e garantir a construção do hospital metropolitano, a duplicação da BR 304, a concretização das obras da transposição do Rio São Francisco. Evitar qualquer retrocesso e garantir novas conquistas”.

E salientou: “Eu jamais esquecerei como peguei o Rio Grande do Norte: servidores sem salários, fugas e rebeliões nos presídios, policiais dependendo de doação de cestas básicas. Esse foi o Estado que herdamos e para o qual não temos o direito de retroceder. O RN hoje não deve aos servidores, tem estradas recuperadas, segurança reconhecida e valorizada”.

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista