Xô, gordurinha! Nova injeção faz células de gordura se auto-destruírem - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Saúde 20/10/2026 13:58

Xô, gordurinha! Nova injeção faz células de gordura se auto-destruírem

Xô, gordurinha! Nova injeção faz células de gordura se auto-destruírem

Os resultados foram apresentados durante o encontro anual da Associação Europeia para o Estudo da Diabetes (EASD), realizado em Milão, na Itália.

Além de diminuir a gordura corporal, o tratamento pode ajudar a evitar o reganho de peso após a interrupção de medicamentos como Ozempic e Wegovy, embora essa possibilidade ainda tenha sido investigada apenas em animais.

Diferentemente de tratamentos que reduzem a quantidade de gordura armazenada nas células, o CBL-514 atua diretamente sobre os adipócitos, células responsáveis por armazená-la.

 O medicamento provoca um processo chamado apoptose, uma espécie de morte celular programada, que faz com que essas estruturas sejam destruídas naturalmente pelo organismo.

A substância foi desenvolvida para atingir especificamente as células de gordura, preservando outros tipos celulares. Nos ensaios clínicos de fase 2, os pesquisadores observaram reduções significativas tanto na gordura subcutânea, localizada logo abaixo da pele, quanto na gordura visceral, que envolve órgãos internos, como o fígado e o intestino.

Xô, gordurinha!

Para avaliar os efeitos do medicamento em humanos, pesquisadores analisaram dados de dois ensaios clínicos de fase 2, identificados como CBL-0204 e CBL-0205. A análise incluiu 41 participantes com índice de massa corporal (IMC) entre 22 e 30, divididos entre um grupo que recebeu o medicamento e outro que recebeu placebo.

Como aponta este comunicado, os voluntários foram submetidos a injeções na parte inferior do abdômen a cada três semanas, durante um período de até 12 semanas. Exames de ressonância magnética foram realizados antes e depois do tratamento para acompanhar possíveis mudanças na quantidade de gordura visceral.

Quatro semanas após a última aplicação, os participantes tratados com CBL-514 apresentaram uma redução média de 12,01% no volume de gordura visceral. Já entre aqueles que receberam placebo, houve um aumento médio de 5,68%.

Os resultados também se mantiveram nas avaliações posteriores. Entre oito e 12 semanas após o término do tratamento, o grupo que recebeu o medicamento ainda apresentava uma redução média de 10,45% na gordura visceral, enquanto o grupo placebo registrou um aumento de 11,76%.

Em relação à gordura subcutânea, os resultados também chamaram a atenção: oito semanas após o tratamento, 69,6% dos participantes que receberam CBL-514 haviam perdido pelo menos 150 ml desse tecido. Nenhum dos voluntários do grupo placebo atingiu essa marca.

Segundo os pesquisadores, o medicamento foi geralmente bem tolerado. Os efeitos colaterais mais comuns foram dor, inchaço e vermelhidão no local da aplicação, considerados leves ou moderados. Nenhum evento adverso grave foi relatado nos ensaios.

O medicamento evita o reganho de peso?

Além de reduzir a gordura abdominal, os cientistas investigaram se o CBL-514 poderia ajudar a manter os resultados obtidos com outros medicamentos utilizados no tratamento da obesidade.

Em experimentos com animais, a combinação do CBL-514 com a tirzepatida (comercializada como Mounjaro), medicamento utilizado no tratamento da obesidade e da diabetes tipo 2, provocou uma perda de peso maior do que aquela observada com o uso isolado da tirzepatida.

Os pesquisadores também acompanharam o que aconteceu após a interrupção do tratamento. Os ratos que receberam os dois medicamentos recuperaram menos peso do que aqueles tratados apenas com tirzepatida.

Uma das hipóteses é que, ao destruir parte das células responsáveis pelo armazenamento de gordura, o CBL-514 diminua a capacidade do organismo de acumulá-la novamente, tornando o reganho de peso mais lento. No entanto, esse possível benefício ainda não foi demonstrado em humanos.

Novos estudos serão necessários para verificar se os resultados observados nos animais também se repetem em pessoas.

Muito além da aparência

Embora a redução da gordura abdominal possa despertar interesse por motivos estéticos, os pesquisadores destacam que os possíveis benefícios para a saúde são ainda mais importantes. Isso porque a gordura visceral, localizada profundamente na cavidade abdominal, está associada à resistência à insulina, diabetes tipo 2 e a problemas cardiovasculares, como infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs).

Segundo W. Timothy Garvey, pesquisador da Universidade do Alabama em Birmingham, nos Estados Unidos, a expectativa é que a diminuição desse tipo de gordura também contribua para melhorias na pressão arterial, nos níveis de colesterol e no controle da glicose.

Outra diferença é que procedimentos cirúrgicos, como a lipoaspiração e a abdominoplastia, atuam principalmente sobre a gordura subcutânea e não removem diretamente aquela que envolve os órgãos internos. Por isso, o CBL-514 pode representar uma alternativa não cirúrgica capaz de atingir os dois tipos de gordura abdominal.

“Esta é uma abordagem altamente inovadora para a farmacoterapia da obesidade que produziu alguns resultados notáveis ​​nos primeiros ensaios clínicos em humanos”, afirmou Garvey, em comunicado.

Apesar dos resultados promissores, o medicamento ainda está em fase experimental. Na época do anúncio, o recrutamento para o primeiro de dois ensaios clínicos de fase 3 já estava em andamento.

Esses estudos, que envolverão um número maior de participantes, deverão avaliar a segurança e a eficácia do tratamento, além de investigar se seus efeitos podem ser mantidos a longo prazo. Por enquanto, ainda não é possível afirmar se o CBL-514 poderá evitar o reganho de peso em humanos ou proporcionar benefícios duradouros à saúde metabólica.

Deu em Galileu
Ricardo Rosado de Holanda
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