Eleições 06/05/2021 11:43
Voto impresso trará “caos” e “judicialização” de eleições, diz Barroso
Fala que sistema atual é seguro. Tema é discutido no Congresso

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Luís Roberto Barroso, disse que a aprovação do voto impresso criará um “desejo imenso de judicialização” do resultado das eleições e “o caos em um sistema que funciona muitíssimo bem”.
“O nosso sistema de voto em urna eletrônica é totalmente confiável”, declarou Barroso em entrevista à GloboNews nessa 4ª feira (5.mai.2021).
A deputada Bia Kicis (PSL-DF) elaborou um projeto para determinar a impressão de cédulas em papel na votação e na apuração de eleições, plebiscitos e referendos no Brasil. Na última 3ª feira (4.mai), o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), determinou a criação de uma comissão especial para discutir a proposta.
Barroso afirmou que qualquer tema pode ser discutido e, no caso do sistema de votação, o Congresso é o lugar ideal para isso.
“Mas nós temos elementos mais do que suficientes para demonstrar a absoluta confiabilidade do sistema” falou. Barroso declarou ser “extremamente problemático” criar um sistema de voto impresso.
“Eu acho que o voto em cédula, inclusive é o que fala a proposta de emenda constitucional, mesmo o voto impresso pela própria urna, eu acho que seria extremamente problemática e mexeria num time que está ganhando”, declarou.
Sobre o desejo de judicialização, o presidente do TSE disse que “o voto impresso vai permitir que cada candidato que queira questionar o resultado peça a conferência dos votos”.
Barroso deu como exemplo as eleições de 2020 nos Estados Unidos. O então presidente e candidato à reeleição Donald Trump entrou com mais de 50 ações judiciais contestando o resultado que deu a vitória a Joe Biden.
“Nenhum juiz deu cautelar nem determinou suspensão da contagem ou o que fosse. Mas eu não tenho a mesma certeza de que isso aconteceria no Brasil se houvesse 50 ações judiciais”, falou Barroso.
O presidente do TSE continuou a usar os Estados Unidos como exemplo de países cujos líderes ou candidatos afirmam, antes da eleição, que se perderem é porque houve fraude.
“Isso é a negação da democracia. A democracia é um jogo em que as regras valem para todos. Quem ganhar tem o direito de governar e quem perder tem que respeitar a vontade das urnas. Essa história de cantar a existência de fraude antes da divulgação do resultado e colocar sob suspeita um processo eleitoral que jamais identificou qualquer tipo de fraude é problemático”, disse.
Barroso destacou que a urna eletrônica contem um registro digital do voto. Segundo ele, há um certo grau de desconhecimento sobre como o sistema funciona e como ele pode ser auditado.
“Para usar a palavra da moda, ele pode ser conferido na sua integridade. A cada passo”, falou.
“Agora, o que não pode é um partido político não mandar representante para verificar a autenticidade do programa final, para depois dizer que tem alguma coisa errada. Portanto, não é assim que se joga o jogo democrático.”
Deu em Poder360

Descrição Jornalista
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