FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado
GOVERNO DO RN – SEGURANÇA – 2802 A 2903

Corrupção 25/03/2026 07:39

Vorcaro terá que apresentar provas inéditas e apontar dinheiro escondido para ter delação aceita

Vorcaro terá que apresentar provas inéditas e apontar dinheiro escondido para ter delação aceita

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro terá de apresentar provas inéditas e indicar a possibilidade de recuperação de valores obtidos de forma fraudulenta para conseguir que sua delação premiada seja aceita.

Reforçar a narrativa já encontrada pelos investigadores no material colhido nas operações de busca e apreensão não será suficiente para ele receber benefícios à frente no processo, como não ficar preso.

Apesar de a colaboração ter sido um desejo de investigadores desde o início do caso, a homologação do acordo no STF (Supremo Tribunal Federal) não é certa e terá de cumprir pré-requisitos elevados, segundo a reportagem apurou com autoridades envolvidas nas tratativas.

A negociação do acordo é feita entre a defesa de Vorcaro, a PGR (Procuradoria-Geral da República) e a Polícia Federal em conjunto, o que deverá ser um primeiro obstáculo a ser superado pelo ex-banqueiro. Isso porque ele terá de atingir as expectativas de integrantes dos dois órgãos, que já indicaram que não avançarão com a colaboração se não houver consenso entre os investigadores.

A expectativa é que a negociação do acordo de colaboração avance ao menos pelos próximos três meses. Depois, caberá ao relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça, decidir se homologa ou não a colaboração.

Segundo pessoas envolvidas na negociação com Vorcaro, atalhos como selecionar trechos para aprofundar o entendimento ou apenas entregar informações já presentes no material apreendido do caso Master pode resultar na não homologação. A PF apreendeu 111 celulares; só de Vorcaro, oito aparelhos. Apenas um deles foi alvo da perícia até o momento.

Pessoas próximas a Vorcaro chegaram a indicar a autoridades que o ex-banqueiro não estaria disposto a envolver magistrados do STF na sua delação. Isso desagradou os investigadores. Por fim, advogados do ex-banqueiro afirmaram a autoridades que ele não pouparia ninguém, o que destravou a negociação na sua etapa inicial.

Interlocutores dos gabinetes envolvidos na tramitação do caso pretendem encaminhar a negociação com severidade, inclusive tendo em vista a posição ocupada por ele no esquema investigado. Uma das ferramentas em mesa é a definição dos benefícios concedidos a ele, que serão oferecidos de acordo com a disposição de Vorcaro em colaborar com a Justiça e entregar detalhes do esquema.

Como Vorcaro é tido como o líder da organização criminosa, perdão judicial ou pena muito amena já são considerados descartados. As contrapartidas a ele devem girar em torno de melhorar as condições impostas ou reduzir tempo de prisão ao final do julgamento.

Atualmente, os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli estão no centro de suspeitas envolvendo autoridades, devido às menções e conversas identificadas no celular do ex-banqueiro. Ambos negam qualquer irregularidade.

Mensagens foram trocadas entre Vorcaro e Moraes no dia de sua primeira prisão, em 17 de novembro passado. O jornal O Globo revelou que o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, foi contratado pelo Master, por R$ 129 milhões, entre 2023 e 2025.

Já Toffoli, que era o relator do caso no STF antes de Mendonça, deixou a função após vir à tona a informação, revelada pela Folha de S. Paulo, que uma empresa do ministro foi sócia de um fundo de investimentos da rede do Banco Master no resort Tayayá.

O ex-banqueiro cumpriu a primeira etapa da delação, a assinatura do termo de confidencialidade com as autoridades, na última quinta-feira (19).

Até então, a equipe de defesa que atuava no caso recusava a possibilidade de uma delação. Nos bastidores, a informação era a de que Vorcaro insistia que poderia explicar todas as acusações contra ele no mérito do processo, ou seja, sobre as fraudes e os crimes financeiros.

Com a mudança de estratégia, ele terá de confessar condutas criminosas, explicá-las e indicar provas para embasar a narrativa feita por ele aos investigadores.

Assim, muitos indícios ainda devem ser identificados pelos agentes envolvidos de forma autônoma, sem a participação de Vorcaro.

Investigadores entendem, no entanto, que parte dos fatos só será esclarecida caso ele próprio decida relatar. Os policiais têm indicações de algumas das práticas, mas a colaboração da figura central do escândalo financeiro daria mais elementos e poderia gerar mais desdobramentos no caso.

Vorcaro também precisará dar atenção ao rombo provocado pelo esquema. Os custos da quebra do Master superam os R$ 57 bilhões até o momento, segundo dados divulgados.

Somente os recursos que terão de ser ressarcidos aos clientes pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos), mantido com recursos dos bancos, são estimados em R$ 51,8 bilhões.

O valor da perda total é incerto. Já estão sendo apurados os prejuízos causados ao BRB (Banco de Brasília), fundos pensão e empresas.

O termo de confidencialidade assinado por Vorcaro serve para garantir que, caso o acordo não seja concretizado, nada do que ele disser durante as negociações poderá ser usado contra ele.

A partir de então, Vorcaro passou a ter reuniões com os próprios advogados para debater os fatos investigados. As primeiras reuniões são feitas internamente, entre colaborador e defesa. Quando eles entenderem que estão preparados, passam a discutir o material reunido com as autoridades.

Neste momento, tem início um processo de checagem sobre o que os investigadores entendem fazer ou não sentido, ser insuficiente, se tem ou não prova para corroborar a narrativa feita por Vorcaro. Esta etapa serve para fechar uma base de fatos e depois disso é que se avança para os depoimentos em si.

Deu em Jornal de Brasília
Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


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