Esquecer a carteira ou ficar sem bateria no celular pode deixar de ser um problema na hora de pagar uma compra. Uma nova tecnologia começa a ser testada no Brasil e permite fazer pagamentos usando a palma da mão, sem necessidade de cartão, senha ou aparelho eletrônico.
O sistema funciona com leitura biométrica das veias da mão. Sensores com luz infravermelha identificam o fluxo sanguíneo e transformam esse padrão em um código criptografado, que fica vinculado a um meio de pagamento, como cartão ou Pix.
Na prática, o pagamento é feito com a aproximação da mão em um terminal. O processo leva poucos segundos e dispensa contato físico, o que chama atenção pela simplicidade e pelo tipo de tecnologia envolvida.
Como funciona
A tecnologia utiliza sensores que captam imagens do interior da mão. Diferente de métodos mais comuns, como impressão digital ou reconhecimento facial, o sistema analisa o padrão das veias, que é único em cada pessoa.
Esse padrão é convertido em um código digital seguro. Depois, ele é associado a uma conta bancária, cartão ou chave Pix. Quando a mão é aproximada do leitor, o sistema reconhece o usuário e autoriza a transação.
Todo o processo ocorre sem necessidade de toque. A leitura é feita à distância, com base na circulação sanguínea, o que também reduz o desgaste físico dos equipamentos.
Segurança e prevenção de fraudes
Especialistas apontam que a biometria da palma tende a oferecer um nível elevado de segurança. Isso ocorre porque o padrão vascular fica dentro do corpo e não pode ser capturado facilmente por imagens ou reproduzido.
Ao contrário de senhas ou códigos, que podem ser compartilhados ou descobertos, a identificação pela palma depende de características biológicas específicas. Isso reduz o risco de fraudes e acessos indevidos.
Outro ponto considerado relevante é o uso de criptografia. As informações biométricas não são armazenadas como imagem, mas como códigos protegidos, o que dificulta tentativas de invasão.
Testes no Brasil e previsão de chegada
No Brasil, a tecnologia ainda está em fase de testes. Um dos projetos recentes envolve a Positivo Tecnologia, que anunciou um terminal com leitura biométrica da palma em parceria com a Tencent Cloud.
O equipamento reúne, no mesmo dispositivo, a validação da identidade e o processamento do pagamento. A proposta é permitir transações por crédito, débito ou Pix apenas com a aproximação da mão.
“Acreditamos que essa tecnologia integrada no ponto de venda irá revolucionar o atendimento ao cliente, ganhando agilidade e reduzindo fricção”, afirma Norberto Maraschin Filho, vice-presidente da empresa. Ele também menciona a redução do uso de senhas e de etapas que podem tornar o atendimento mais demorado.
A expectativa é que os terminais comecem a chegar ao mercado brasileiro no segundo semestre deste ano.
Outras iniciativas e desafios
Outra frente de testes envolve a Cielo, em parceria com a francesa Ingenico. As empresas já realizaram uma prova de conceito no país, com pagamentos reais em ambiente controlado.
Nesse modelo, os cartões são vinculados previamente à biometria da palma. Durante o teste, foi possível realizar compras apenas com a leitura da mão, sem uso físico do cartão.
Apesar dos avanços, a adoção em larga escala ainda depende de alguns fatores. Entre eles estão a adesão de bancos e varejistas, a aceitação por parte dos consumidores e a definição de regras para o uso de dados biométricos.
A tecnologia avança em ritmo gradual. Por enquanto, segue em fase experimental, com expectativa de expansão conforme os testes evoluírem.

