FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado
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19/06/2019 05:38

Vaticano abre as portas para a ordenação de homens casados

O Vaticano deu um pequeno passo nesta segunda-feira no histórico debate obre a conveniência de abolir o celibato para os sacerdotes e a concessão de ministérios oficiais às mulheres.

Vaticano abre as portas para a ordenação de homens casados

Vaticano deu um pequeno passo nesta segunda-feira no histórico debate obre a conveniência de abolir o celibato para os sacerdotes e a concessão de ministérios oficiais às mulheres.

Em outubro será realizado em Roma um sínodo de bispos para tratar dos problemas da Amazônia, e o documento de trabalho publicado nesta manhã anuncia que será proposta a ordenação de homens casados para poder garantir os sacramentos nas áreas mais remotas.

Uma ideia já esboçada pelo Papa em outras ocasiões e que agora adquire status oficial, mas que terá de ser avaliada e ratificada depois da reunião de outubro.

A proposta, como sempre disse o Papa, tem abrangência restrita às áreas do mundo onde a Igreja não consegue ter representantes. Nem a Igreja nem o próprio Francisco propõem a abolição do celibato entre os sacerdotes em curto ou médio prazo, embora isso não constitua um dogma e possa ser feito.

De concreto, o Papa foi bastante taxativo quando interrogado sobre o tema ao retornar de sua viagem ao Panamá, em janeiro.

“Prefiro dar a minha vida a mudar a lei do celibato”, afirmou então, garantindo que isso jamais acontecerá durante o seu pontificado. Mas a ideia de que a experiência possa servir como um laboratório de testes paira há muito tempo sobre alguns setores do Vaticano.

A escassez de padres é particularmente aguda na Amazônia, que cobre partes do Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa, e onde a Igreja Católica está passando por muitas dificuldades e quase 70% das comunidades da região não têm acesso à missa semanal.

Por isso, alguns setores da Igreja propuseram repetidamente que seja recuperada uma antiga figura chamada viri probati: homens casados, já maduros e com fé demonstrada, que possam exercer as funções de padre nessas comunidades. Algo que em nenhum caso significaria que um padre possa casar-se, se ainda não estivesse no momento de ser ordenado.

O documento de trabalho, intitulado Amazônia: Novos Caminhos para a Igreja e por uma Ecologia Integral, insiste em que “o celibato é um dom para a Igreja”.

Mas pede que “para as áreas mais remotas da região seja estudada a possibilidade de ordenação sacerdotal para pessoas idosas, de preferência indígenas, respeitadas e aceitas pela sua comunidade, mesmo que já tenham uma família constituída e estável, com a finalidade de garantir os sacramentos que acompanham e sustentam a vida cristã”.

O celibato eclesiástico não é um dogma, muito pelo contrário. Jesus Cristo o louvou pelo Reino de Deus, mas nas origens da religião nunca foi visto como uma obrigação. Os padres, na realidade, se casavam. E também os bispos. Houve mesmo um papa (Silvério, nascido em 537) que era filho de outro pontífice.

Uma das principais razões da imposição gradual do celibato com a Reforma Gregoriana (século XI), e definitiva, depois, com o Conselho de Trento (1545-1563) tem mais a ver com a ideia de manter a propriedade material eclesiástica e evitar a sua dispersão com heranças, como aponta o especialista em história da Igreja.

A Igreja Católica Oriental (não a latina) também permite uma figura semelhante. Em alguns casos, como o de padres anglicanos que se transferiram para o catolicismo, eles foram autorizados a ser ordenados, apesar de terem famílias.

Bento XVI autorizou no seu papado, mas, por outro lado, não fez o mesmo com os viri probati. Em parte, por isso o Vaticano evita até agora referir-se à proposta nesses termos.

Deu em El País

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista