Exportação 12/08/2026 15:50
União Europeia fecha mercado para carne bovina, frango e mel do Brasil em setembro, exige controle total de antimicrobianos e setor prevê até 2 anos para retomada

Uma mudança nas regras de importação da União Europeia colocou o setor brasileiro de proteína animal em alerta.
A partir de 3 de setembro de 2026, o bloco europeu deixará de comprar determinados produtos de origem animal do Brasil.
A medida atinge principalmente carne bovina, carne de frango e mel, produtos que já possuem presença relevante no mercado europeu.
A decisão ocorreu após o Brasil ficar fora da lista de países considerados adequados às exigências europeias sobre controle do uso de antimicrobianos na pecuária.
Nenhuma irregularidade foi identificada diretamente na carne brasileira.
A União Europeia, porém, considera insuficiente o sistema brasileiro usado para comprovar o controle dessas substâncias ao longo da produção.

Antimicrobianos são usados para tratar e prevenir infecções em animais.
Algumas dessas substâncias também podem ser empregadas como promotores de crescimento, prática restringida pela legislação europeia.
O Brasil adotou medidas para atender às novas exigências.
O Ministério da Agricultura publicou uma portaria proibindo substâncias como avoparcina, virginiamicina e bacitracina.
Uma proposta de período de transição também foi apresentada pelo governo brasileiro em maio.
A União Europeia rejeitou essa alternativa.
Um novo protocolo de controle de antimicrobianos foi criado pelo Ministério em junho.
A decisão europeia, até o momento, continua mantida.
O possível prazo para retomada das exportações chamou atenção do setor pecuário.
André Bartocci, presidente da Câmara Setorial da Carne Bovina, afirmou ter recebido uma previsão durante reunião com integrantes do Ministério da Agricultura.
Segundo ele, a Europa pode levar até dois anos para voltar a comprar carne bovina brasileira.
A Comissão Europeia não confirmou oficialmente esse prazo.
O órgão europeu informou apenas que a retomada dependerá dos ciclos de produção dos animais.
O cálculo citado pelo setor considera que um bovino pode levar aproximadamente 24 meses para completar seu ciclo produtivo.
A comprovação sobre o uso de antimicrobianos passaria, portanto, a abranger toda a vida do animal.

O cenário da carne de frango apresenta uma diferença importante.
O ciclo produtivo dessa cadeia é muito menor.
Um frango leva aproximadamente 45 dias entre nascimento e abate.
Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, afirmou em 28 de julho que mantém expectativa de retomada das vendas ainda em setembro.
Uma missão da União Europeia deve visitar o Brasil no final de agosto.
O objetivo será analisar os novos protocolos criados pelo governo brasileiro.

A fiscalização será um dos principais pontos analisados durante a visita.
O governo brasileiro pretende ampliar inspeções em fábricas de ração, granjas e frigoríficos.
Esses controles já fazem parte do Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes, conhecido como PNCRC.
Santin afirma que empresas brasileiras destinadas ao mercado europeu já segregam a produção.
Segundo ele, essas companhias não utilizam promotores de crescimento proibidos nem antibióticos humanos na produção destinada ao bloco.
Os relatórios produzidos durante a missão ainda precisarão passar pelo SCoPAFF, comitê da Comissão Europeia.
A reunião mencionada para essa avaliação está prevista para novembro.
O impacto da medida não ficará restrito às carnes.
O mel brasileiro também será afetado pelo bloqueio europeu.
Renato Azevedo, presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel, afirmou que as vendas para a Europa vinham crescendo.
As exportações alcançaram US$ 6,3 milhões no primeiro semestre.
O avanço ocorreu enquanto produtores buscavam alternativas após o aumento das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos.
Azevedo afirma que o principal risco envolve possíveis episódios de contaminação cruzada.
Uma colmeia próxima de áreas com criação de gado, por exemplo, pode exigir controles adicionais.

Representantes brasileiros consideram que o país já adotou medidas importantes para atender às exigências europeias.
A União Europeia, porém, ainda não retirou o Brasil da restrição.
Argentina, Paraguai e Uruguai permanecem autorizados a exportar seus produtos ao mercado europeu.
Parte do agronegócio brasileiro interpreta a decisão como protecionista.
O principal desafio agora será comprovar que os novos controles brasileiros atendem aos critérios exigidos pelo bloco.
A missão prevista para o final de agosto deverá ser decisiva para indicar os próximos passos.
Você acredita que as novas exigências da União Europeia sobre antimicrobianos podem fortalecer a produção brasileira ou prejudicar a competitividade da carne do Brasil no mercado europeu?
Deu em CPG

Descrição Jornalista
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