Política 28/07/2025 09:58
The Wall Street Journal denuncia falsificação de registro dos EUA usado para prender Filipe Martins

Em artigo publicado neste domingo (27) no The Wall Street Journal, a jornalista Mary Anastasia O’Grady fez uma séria denúncia: quem criou o registro falso de entrada nos EUA de Filipe Martins?
O documento adulterado foi utilizado como base para sua prisão no Brasil, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Filipe Martins, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro, passou seis meses preso mesmo após apresentar provas de que não estava nos EUA no fim de 2022, conforme alegado pela acusação.
A jornalista relata que o documento I-94 — registro legal de entrada nos EUA — foi publicado no site da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) em Orlando duas vezes desde 2024, apesar de Martins ter permanecido no Brasil.
“Algo parece estar podre no escritório da CBP em Orlando, onde um documento de entrada falso foi publicado não uma, mas duas vezes”, escreve O’Grady.
Martins havia comprovado que nunca saiu do Brasil, o que levou o Departamento de Segurança Interna (DHS) a remover o registro incorreto em junho de 2024. No entanto, o mesmo documento reapareceu neste mês no site da CBP.
Sem registro de saída do Brasil, a Polícia Federal e o ministro Moraes sustentaram que Martins teria saído do país clandestinamente. Segundo a jornalista, desde março de 2024 Moraes usa essas alegações como justificativa para mantê-lo como risco de fuga.
O’Grady afirma:
“Não há motivação americana óbvia para inventar essa viagem. Mas alguém dentro da CBP, agindo em nome de interesses brasileiros contrários a Bolsonaro, teria motivação.”
Ela sugere que a prisão de Martins poderia ter como objetivo pressioná-lo por uma delção premiada. A colunista também relembra o caso de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, que afirmou em áudio vazado ter sido coagido a colaborar com as investigações.
“Martins acredita que sua detenção, às vezes em condições desumanas, visa obter resultados semelhantes.”
Mesmo após a exclusão do I-94 fraudulento e o reconhecimento da justiça americana de que Martins não viajou, Moraes segue baseando suas decisões em registros incorretos, como a página de “histórico de viagens” da CBP — que não tem valor legal.
Hoje, Martins está em liberdade restrita, com tornozeleira eletrônica, proibido de sair da cidade onde reside, de falar com a imprensa e de usar redes sociais.
A advogada Ana Bárbara Schaffert entrou com pedidos baseados na Lei de Liberdade de Informação para descobrir quem criou e quando foi criado o falso registro. Em janeiro, ela acionou a Justiça da Flórida contra o DHS e a CBP.
Apesar de os documentos terem sido apresentados, o nome do responsável pela entrada fraudulenta foi ocultado. A jornalista encerra o artigo com uma reflexão incisiva:
“O que é pior? O crime ou o encobrimento?”

Descrição Jornalista
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