Tensão nas eleições pode aumentar riscos de infarto e AVC, explica cardiologista - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Eleições 06/10/2026 07:41

Tensão nas eleições pode aumentar riscos de infarto e AVC, explica cardiologista

Não é novidade que o período eleitoral pode provocar tensão, discussões e ansiedade entre candidatos, familiares e eleitores.

Em um cenário de intensa disputa política, a exposição constante a notícias e debates pode contribuir para o aumento do estresse e, consequentemente, trazer impactos à saúde cardiovascular.

O alerta é do cardiologista Dr. Luciano Bastos. Segundo ele, situações de estresse fazem com que o organismo libere hormônios como adrenalina e cortisol, provocando alterações que podem elevar a frequência cardíaca e a pressão arterial.

“A todo momento estamos vulneráveis a essas situações e o nosso corpo responde a isso levando a um aumento da liberação de adrenalina, de cortisol, hormônios que fazem com que o coração bata mais acelerado, aumente a pressão e leve à constrição dos vasos sanguíneos”, explicou.

De acordo com o médico, uma pessoa saudável não necessariamente desenvolverá um infarto ou AVC a cada episódio de estresse. O problema está principalmente na repetição e na intensidade dessas situações, que podem desencadear outros hábitos prejudiciais à saúde.

“Esses estresses repetitivos, de forma mais intensa, fazem com que a gente perca mais o sono, as pessoas tendam a fumar mais, se alimentar pior, consumir mais álcool, parar de fazer alguma atividade física ou parar de usar alguma medicação”, afirmou.

Pessoas com fatores de risco precisam de atenção

O cardiologista destaca que pessoas que já apresentam fatores de risco cardiovascular, como hipertensão, diabetes, dislipidemia, obesidade ou histórico de infarto e AVC, podem estar mais suscetíveis a complicações durante períodos de estresse intenso.

“Os hipertensos, portadores de diabetes, dislipidemia, já com histórico prévio de infarto, AVC, esses sempre vão ter um risco cardiovascular maior”, disse Luciano Bastos.

Segundo o especialista, o estresse pode provocar alterações metabólicas e inflamatórias que, em pessoas com maior risco cardiovascular, podem contribuir para o desencadeamento de eventos agudos.

Estresse e eleições

Dr. Luciano Bastos também citou um estudo realizado nos Estados Unidos durante a eleição presidencial de 2020. Segundo ele, a pesquisa avaliou os efeitos do período eleitoral sobre a saúde da população e identificou aumento de eventos cardiovasculares.

“Em 2020 houve um estudo realmente nos Estados Unidos que avaliava o efeito do estresse no cidadão durante a corrida eleitoral. Foi verificado que realmente havia mais eventos de infarto e AVC”, relatou.

O material citado aponta ainda que pesquisadores de instituições como Columbia, Harvard e Kaiser Permanente observaram aumento nas hospitalizações por eventos cardiovasculares no período eleitoral. O cardiologista, porém, ressalta que esse tipo de estudo deve ser interpretado com cautela.

Síndrome do coração partido

O especialista também comentou sobre casos em que uma forte emoção pode provocar alterações importantes no funcionamento do coração. A chamada síndrome do coração partido, conhecida na medicina como síndrome de Takotsubo, pode apresentar sintomas semelhantes aos de um infarto e necessita de avaliação hospitalar.

“De acordo com uma forte emoção, o coração entra em colapso e pode realmente apresentar dor e algumas alterações importantes que precisam ser cuidadas no ambiente hospitalar”, explicou.

Dor no peito e falta de ar exigem atenção

O cardiologista orienta que nem todo sintoma deve ser atribuído automaticamente à ansiedade ou ao estresse. Dor no peito, falta de ar, palpitação, suor frio, sensação de desmaio e fraqueza podem indicar um problema cardiovascular e precisam ser avaliados.

“Não é qualquer sintoma que a gente pode classificar como sendo uma crise de estresse ou de ansiedade. A gente deve valorizar, sim, e talvez procurar um profissional ou emergência”, alertou.

Também são sinais de alerta dificuldade para falar e perda de força nos braços ou nas pernas, sintomas que podem estar relacionados a um AVC.

“Dor no peito, falta de ar, palpitação estão relacionados a um evento agudo como um infarto ou AVC, também se você tiver alguma dificuldade na fala, perda de força nos braços ou nas pernas”, destacou.

Hábitos saudáveis ajudam a reduzir os riscos

Com o primeiro turno das eleições marcado para este domingo (4 de outubro), o médico recomenda que candidatos, familiares e eleitores estabeleçam limites para a exposição ao estresse e mantenham os cuidados com a saúde.

Entre as recomendações estão manter uma alimentação equilibrada, controlar o peso, dormir bem, praticar atividade física, evitar o cigarro e reduzir o consumo excessivo de álcool, sal e carboidratos.

“Uma boa alimentação, controle do peso, pelos excessos de sal, carboidrato, uma boa noite de sono é importante também para que você possa, com isso, trazer qualidade de vida para você”, orientou.

Para Luciano Bastos, participar do debate político não significa necessariamente afastar-se das notícias, mas é importante reconhecer os próprios limites.

“Não significa que a pessoa tem que evitar de estar se expondo a essas notícias, à participação em política. Na verdade, ela precisa entender os seus limites e criar um mecanismo onde ela se proteja dessa exposição a fatores de estresse”, afirmou.

Ao final, o cardiologista reforçou que os cuidados devem continuar independentemente do período eleitoral.

“Independente da escolha política, deste momento político que a gente está vivendo, a gente adotar hábitos saudáveis, evitando estresse, evitando os excessos de álcool, de sal, carboidrato, evitando cigarro, praticando atividade física, controlando o excesso de peso, tudo isso vai fazer com que a gente tenha uma saúde melhor e possa envelhecer com melhor qualidade de vida”, concluiu.

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


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