FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Comportamento 31/03/2026 13:21

Tempo de tela de jovens aumentou nas últimas 3 décadas, sobretudo no pós-pandemia

Tempo de tela de jovens aumentou nas últimas 3 décadas, sobretudo no pós-pandemia

O tempo que crianças e adolescentes passam em frente às telas nunca foi tão alto — e a pandemia de Covid-19 acelerou esse crescimento de forma drástica.

É o que indica a primeira revisão sistemática a analisar três décadas de dados sobre o uso de dispositivos digitais entre jovens.

O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Turku, na Finlândia, foi publicado em 21 de março na revista Clinical Child Psychology and Psychiatry.

A análise reúne 60 pesquisas feitas entre 1991 e 2022, e é a primeira a examinar de forma abrangente as mudanças no uso de telas entre jovens de até 19 anos antes e depois da pandemia.

Estudos anteriores observavam principalmente o uso da televisão, mas, a partir da década de 2010, foram incluídos aparelhos celulares, tablets e videogames.

De acordo com Yuko Mori, autora principal do estudo e pesquisadora do Centro de Pesquisa em Psiquiatria Infantil da Universidade de Turku, essa mudança de telas foi drástica, e provocou um uso excessivo devido à natureza dos dispositivos portáteis.

No período anterior à pandemia, pesquisas indicavam uma tendência crescente no uso dos aparelhos eletrônicos, apresentando um tempo de uso de aproximadamente três horas por dia.

Com a pandemia, esse cenário se intensificou entre crianças e adolescentes, já que eles dependiam das telas para estudos, interações sociais e entretenimento durante os momentos de confinamento.

O tempo de uso nesse momento aumentou para pouco mais de quatro horas diárias.

Para Sanju Silwal, coautora do estudo e pesquisadora da Universidade de Turku, esse comportamento pode estar relacionado a fatores de desenvolvimento desses jovens. “A adolescência é uma fase da vida em que os relacionamentos com os colegas, a interação social online e os relacionamentos românticos se tornam cada vez mais importantes”, disse em comunicado.

O aumento do tempo gasto em frente aos aparelhos eletrônicos se mostrou presente em todos os grupos socioeconômicos, mas sendo mais evidenciado em jovens de maior nível socioeconômico. Para os autores do estudo, isso ocorre por existir um maior acesso a dispositivos digitais pessoais.

Esse aumento preocupa pesquisadores. Além da exposição a conteúdos impróprios, cyberbullying e padrões irreais de comparação, o uso excessivo de telas pode afetar a saúde física e mental, o sono e o desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Os autores defendem que pesquisas futuras avancem além do tempo de exposição às telas, investigando também a qualidade, o contexto e o tipo de atividade realizada no ambiente digital, além de como isso afeta o bem-estar.

“A tecnologia oferece enormes oportunidades, mas também apresenta riscos”, afirma Silwal. “Para garantir que as crianças se beneficiem dos ambientes digitais, precisamos de pesquisa contínua, políticas baseadas em evidências e esforços coordenados de famílias, escolas, comunidades e governos.”

Deu em Galileu
Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


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