Eleições 12/06/2022 10:00
Tebet fala em “avenida eleitoral” entre Lula e Bolsonaro: “Apoios virão”
Senadora escolhida para representar o centro democrático vê uma "avenida eleitoral" entre aqueles que definiram o voto por não aceitarem Bolsonaro nem Lula no Planalto. Ela considera naturais as peculiaridades dos palanques nos estados

Em casa, recuperando-se de uma infecção de covid-19, a senadora Simone Tebet (MDB-MS) tirou o sábado para falar da campanha para a Presidência, já como pré-candidata oficial do autodenominado centro democrático — aliança integrada por MDB, PSDB e Cidadania.
Na conversa com o Correio, criticou o populismo dos dois favoritos e tentou passar confiança de que pode se tornar uma candidata competitiva, a ponto de disputar o segundo turno.
Sobre as divergências internas, a senadora reconhece que não terá unanimidade dentro dos partidos que compõem a tríplice aliança, e não vê problemas em dividir palanques ora com apoiadores de Lula, ora com bolsonaristas.
Na entrevista, Tebet também falou de privatizações, machismo, violência contra a mulher e se colocou “radicalmente contra” armar a população civil.
A senhora se propõe a romper a polarização entre Lula e Bolsonaro. Mas os dois principais partidos da terceira via — MDB e PSDB — estão polarizados há muito tempo em vários estados.
Essa eleição é atípica em todos os sentidos. Primeiro, porque a minha candidatura era uma entre sete ou oito pré-candidatos. De dez dias para cá, as coisas mudaram, chegou-se ao meu nome. Agora, nós zeramos o jogo e começamos a construção em favor deste centro democrático. MDB e PSDB começaram com uma incerteza, eu tinha uma maioria não folgada e, agora, cheguei na última reunião da Executiva com mais de 90% de apoio. Aconteceu a mesma coisa no PSDB. A partir daí as coisas acontecem nos palanques regionais.
O processo, então, ocorre dentro do esperado?
Nesse aspecto, essa eleição não vai ser diferente das outras, apenas a pré-campanha, hoje, virou um Big Brother, está mais exposta. Nós sempre tivemos, num país da grandeza do Brasil, palanques regionais com decisões diferentes das posições nacionais. A diferença é que o centro democrático, agora, tem três partidos históricos unidos para apresentarmos uma alternativa a essa polarização ideológica que está levando o país para o abismo.
O eleitor vai perceber isso?
A sociedade e o eleitorado têm essa percepção. O eleitor, hoje, está optando pelo voto do “não”, e não pelo voto do “sim”. Nesse aspecto, temos uma avenida pela frente. E quando temos essa avenida eleitoral, automaticamente você cria apoios a partir do fortalecimento da sua candidatura. Os apoios virão quando nos posicionarmos e começarmos a pontuar nas pesquisas.
Como se equilibrar diante dessas divergências?
Sei que haverá estados em que teremos dois palanques, estados em que não teremos nenhum e estados em que nós teremos que dividir palanque com outras candidaturas, porque os candidatos a governador, muitas vezes, terão apoio de partidos que já têm candidatos à Presidência da República. Como é que vai fechar o palanque para um candidato só?
São os dilemas da política do mundo real…
Há um equívoco de achar que o palanque regional vai conseguir impor uma candidatura à Presidência da República. O que a gente precisa nessa união é a estrutura que esses partidos têm para oferecer — nem tanto a financeira. É do tempo de rádio, de televisão, a estrutura intelectual. Os três coordenadores (dos partidos aliados) estão conversando. Esse é um ativo muito importante para uma campanha. Hoje eu sou MDB, hoje eu sou PSDB, sou Cidadania, represento essa força, esse movimento.
E o que acontece agora?
A partir do momento em que, de forma organizada, começarmos a preparar um mesmo programa de governo, os presidentes (das legendas) terão força igualmente, os coordenadores de campanha vão ter força igualmente. A conta é simples: há 40% dos eleitores que não votam em candidato nenhum ou que podem mudar o voto. Se quase 60% não me conhecem e há 40% que não querem nenhum dos dois e pensam em mudar o voto, há uma avenida muito grande.
Qual foi o papel do senador Tasso Jereissati e do ex-governador Eduardo Leite nas negociações para destravar a terceira via?
Sobre Leite, tenho pouco a falar, estivemos juntos poucas vezes. Mas o fato de ele ter tido esse espírito democrático de reconhecer que o palanque regional é uma construção o coloca numa posição importante no processo. Tasso Jereissati, sim, somos muito próximos. Ele é um baluarte do PSDB. Foi importantíssimo nessa construção. Mas não podemos desmerecer quem foi decisivo na unificação, o presidente (do PSDB) Bruno Araújo. Ele foi incansável na demonstração de que este é um momento atípico em que não se pode dividir palanque.
Como pretende reduzir o crescimento da rejeição ao seu nome, conforme indicam algumas pesquisas?
Você rejeita o que não conhece. Eu sou desconhecida por mais de 60% do eleitorado. É natural que as pessoas não queiram votar em quem não conhecem. Ao mesmo tempo, por ser desconhecida, eu não tenho rejeição que me impeça de crescer. Essa é a facilidade de se unir a pessoas que pensam não de forma hegemônica, mas homogênea. Temos a mesma visão de Brasil e o mesmo entendimento para a saída da crise econômica. Nossa equipe não deixa de ter uma irmandade com a equipe econômica do PSDB.
A quem a senhora se refere?
Estou falando de Elena Landau, de pessoas que vieram nos ajudando e que são, de alguma forma, atreladas ao Plano Real. E a gente vinha dialogando, também, pois somos muito amigas, com a equipe feminina do PSDB do João Doria, como (a economista) Zeina Latif. São projetos que se somam. Vamos conversar, no momento oportuno, com (o ex-governador) João Doria, com (governador de São Paulo) Rodrigo Garcia. Queremos ouvi-los em relação ao plano de governo.
Como ele será elaborado?
O plano não está pronto, acabado, nem estará pronto até as convenções (partidárias, a partir do fim de julho), faço questão de dizer isso. O arcabouço e as linhas mestras estão muito bem definidas na minha cabeça. Criança, adolescente e família como centro das políticas públicas na sua transversalidade. O centro são as pessoas, o cidadão do presente e do futuro. A partir daí, tudo vem sob a ótica social, sob a ótica ambiental, de um governo eficiente como meio de alcançar o desenvolvimento sustentável. Temos uma visão muito similar sobre como alcançar essa justiça social, essa diminuição da desigualdade.

Descrição Jornalista
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