Bancos 14/01/2021 10:57
Reformas no BB irritam o Planalto; Brandão pode ser demitido
Programa de demissão de servidores e fechamento de agências repercute mal entre parlamentares e irrita Bolsonaro, que vê prejuízos, com a medida, à estratégia de eleger aliados para o comando da Câmara e do Senado. Ações despencam na bolsa

A repercussão ruim junto a parlamentares dos planos de demissão de funcionários e de enxugamento do número de agências e postos de atendimento do Banco do Brasil (BB) irritou o presidente Jair Bolsonaro, gerando uma nova crise na equipe econômica e colocando na berlinda o presidente da instituição, André Brandão.
Rumores da demissão do executivo mexeram com os mercados e as ações do BB desabaram quase 5%, ontem, na Bolsa de Valores de São Paulo (B3).
Na segunda-feira, o Banco do Brasil divulgou ao mercado um projeto de reestruturação prevendo o fechamento de 361 postos de atendimento, incluindo 112 agências, e um Programa de Demissão Voluntária (PDV) de até 5 mil funcionários. O objetivo das medidas é economizar R$ 2,7 bilhões até 2025. Atualmente, o BB emprega 92,1 mil trabalhadores, número inferior ao dos dois maiores bancos privados do país, Itaú Unibanco e Bradesco.
Os planos de reestruturação e de demissões do BB eram de conhecimento do Palácio do Planalto e apoiados pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, mas acabaram sendo um tiro no pé de Bolsonaro, que tenta eleger seus candidatos para a presidência da Câmara e do Senado, de acordo com fontes próximas ao banco.
O presidente busca ter maior controle sobre o Legislativo na próxima eleição do comando das duas Casas do Congresso, e, nas últimas conversas com parlamentares, não gostou do que ouviu sobre o programa de fechamento de agências do BB. Muitas cidades pequenas são dependentes do serviço bancário, principalmente, no Nordeste, que deve sentir mais o impacto das medidas.
Segundo as fontes, o presidente escolheu um timing muito ruim para articular as candidaturas e explicar as demissões no BB, inclusive, “o fim da comissão dos caixas, alterando uma função básica na atividade bancária”.
As medidas do BB geraram críticas, principalmente, entre os integrantes da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Bancos Públicos, que reúne mais de 200 deputados e senadores e serão importantes para a eleição dos candidatos de Bolsonaro.
A Frente é presidida pelo deputado Zé Carlos (PT-MA), que classificou o plano como um “desmonte” para a privatização do BB. O partido, apesar de ser da oposição, vai apoiar o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), candidato de Bolsonaro para a presidência do Senado.
Deu no Correio Braziliense

Descrição Jornalista
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