FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Comportamento 15/01/2026 06:11

Quem tem maior probabilidade de ficar solteiro por mais tempo? Estudo aponta perfil

Quem tem maior probabilidade de ficar solteiro por mais tempo? Estudo aponta perfil

A solteirice é vista de diferentes formas: para alguns é sinônimo de liberdade e autonomia, enquanto para outros pode significar um estado de solidão.

A verdade é que, cada vez mais, as pessoas estão optando em permanecer solteiras. Uma pesquisa liderada pela Universidade de Zurique (UZH), na Suíça, decidiu investigar como ficar solteiro por muito tempo pode afetar o bem-estar.

Publicado em 13 de janeiro na revista científica Journal of Personality and Social Psychology, o estudo utilizou dados de mais de 17 mil jovens da Alemanha e do Reino Unido que não tinham experiências prévias em relacionamentos, ao menos, até o início da investigação.

Os pesquisadores verificaram que, além de uma solteirice prolongada gerar um maior nível de insatisfação com a vida, ela acontece principalmente em homens com maiores níveis de escolaridade, com menores níveis de bem-estar e que moram sozinhos ou com os pais.

Liberdade ou solidão?

Dados do IBGE publicados em 2023 relataram, pela primeira vez, que o número de solteiros ultrapassou o de casados no Brasil – com 81 milhões de solteiros versus 63 milhões de casados.

Isso faz parte de uma tendência mundial de enxergar a solteirice como uma opção digna, isenta de pressões e não mais associada à solidão.

Outro argumento para o gradual crescimento de pessoas solteiras é de aspecto econômico: uma maior inserção de mulheres no mercado de trabalho e um maior foco no planejamento da independência financeira são alguns dos fatores normalmente associados — Foto: Reprodução/Freepik
Outro argumento para o gradual crescimento de pessoas solteiras é de aspecto econômico: uma maior inserção de mulheres no mercado de trabalho e um maior foco no planejamento da independência financeira são alguns dos fatores normalmente associados — Foto: Reprodução/Freepik

O estudo da UZH trabalhou com jovens adultos de 16 a 29 anos de idade, entrevistados anualmente ao longo da investigação. Através das informações coletadas, os pesquisadores traçaram o perfil mais propenso a ficar solteiro por mais tempo.

“Nossos resultados demonstram que tanto fatores sociodemográficos, como escolaridade, quanto características psicológicas, como bem-estar atual, ajudam a prever quem iniciará um relacionamento romântico e quem não iniciará. As descobertas, que indicam uma ligação entre um foco educacional mais intenso e o adiamento de relacionamentos sérios, também estão alinhadas com pesquisas sociológicas anteriores”, diz Michael Krämer, um dos autores do estudo, em comunicado.

Também foi sugerido que jovens adultos – tanto homens quanto mulheres – que permanecem solteiros por longos períodos podem experimentar um declínio mais acentuado na satisfação com a vida e um aumento nos sentimentos de solidão.

Esses efeitos no bem-estar se tornariam mais pronunciados ao final dos 20 anos, mesma etapa da vida em que sintomas de depressão aumentam.

Efeitos de um primeiro amor

Outro dado interessante levantado pela pesquisa foi a melhoria do bem-estar em diversas frentes assim que os jovens iniciavam seu primeiro relacionamento. Eles relataram se sentir menos sozinhos e com maior satisfação com a vida, tanto a curto quanto a longo prazo. Entretanto, efeitos semelhantes sobre sintomas depressivos não foram observados.

De certa forma, os dados obtidos no estudo vão contra o discurso em defesa da solteirice crescente entre jovens adultos. Segundo Krämer, os resultados sugerem que iniciar um primeiro relacionamento pode se tornar mais difícil à medida que vamos chegando aos 30 anos, justamente porque menores níveis de bem-estar aumentam a probabilidade de permanecer solteiro por mais tempo.

Deu em Galileu
Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


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