A Polícia Federal do Brasil (PF) identificou um detalhe considerado relevante nas investigações sobre fraudes envolvendo descontos indevidos em aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS): viagens internacionais feitas nas mesmas datas pelo empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”.
De acordo com documentos analisados pelos investigadores, os dois teriam estado nas cidades de Madri, na Espanha, e Lisboa, em Portugal, em pelo menos três ocasiões diferentes com datas coincidentes.
A repetição dessas viagens passou a ser analisada pela PF dentro das apurações sobre o esquema de fraudes que teria causado prejuízos bilionários a aposentados.
Caso faz parte da investigação conhecida como “Farra do INSS”
As informações surgiram durante as investigações do que ficou conhecido como “Farra do INSS”, um suposto esquema de descontos indevidos aplicados em aposentadorias e pensões da Previdência.
Segundo as apurações, os valores eram retirados dos benefícios sem autorização dos segurados, gerando perdas financeiras significativas para milhões de aposentados.
Registros de voo reforçaram suspeitas
Os registros obtidos pelos investigadores indicam que Lulinha e o lobista teriam viajado para Lisboa e Madri nas mesmas datas em diferentes ocasiões.
Em um episódio já confirmado nos documentos da PF, ambos teriam embarcado no mesmo voo entre o Aeroporto de Guarulhos e Lisboa, em novembro de 2024.
Segundo os registros:
- Antônio Carlos Camilo Antunes estava sentado na poltrona 3A, na primeira classe;
- Fábio Luís Lula da Silva ocupava o assento 6J, também na primeira classe.
A coincidência de datas e rotas internacionais passou a ser examinada pelos investigadores como parte da análise sobre possíveis relações entre os envolvidos.
Depoimento de ex-funcionário trouxe novas informações
Parte das informações analisadas pela PF surgiu a partir do depoimento de Edson Claro, ex-funcionário ligado ao lobista investigado.
Segundo o relato prestado às autoridades, o empresário teria custeado viagens internacionais e realizado pagamentos ao filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No depoimento, o ex-funcionário afirmou ainda que Lulinha receberia uma espécie de “mesada” mensal de cerca de R$ 300 mil, além de possíveis repasses maiores
Essas alegações fazem parte das linhas de investigação e ainda estão sendo analisadas pelas autoridades.
Apuração segue em andamento
Apesar das coincidências identificadas, investigadores ressaltam que a simples menção ou proximidade entre pessoas não significa automaticamente participação em crimes.
A Polícia Federal continua analisando registros de viagens, movimentações financeiras e documentos relacionados ao caso para esclarecer a relação entre os investigados.
Paralelamente, o caso também passou a ser acompanhado pelo Congresso Nacional do Brasil, por meio de uma CPMI criada para investigar as fraudes no INSS, escândalo que teria atingido milhões de aposentados em todo o país.


