FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado
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Corrupção 20/07/2022 18:30

PF faz operação para investigar suspeita de desvios na Codevasf

Agentes apreenderam relógios de luxo e R$ 1,3 milhão em dinheiro vivo. Suspeita é de desvio de dinheiro público por meio de fraudes em licitações feitas pela estatal, que eram direcionadas para Construservice.

Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (20) a ‘Operação Odoacro’ para desarticular uma associação criminosa suspeita de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro envolvendo verbas federais em contratos com a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), no Maranhão.

A operação é realizada em São LuísDom PedroCodóSanto Antônio dos Lopes e Barreirinhas, com 16 mandados de busca e apreensão. Nos locais onde a PF esteve, foram apreendidos relógios de luxo e R$ 1,3 milhão em dinheiro vivo (veja fotos mais abaixo).

Comandada por integrantes do Centrão – grupo de partidos que atualmente dá sustentação ao governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) –, a Codevasf é uma estatal responsável por realizar obras e serviços em estados do Nordeste, do Norte no Distrito Federal.

A Polícia Federal não informou quando foram feitos os contratos sob suspeita. A principal empresa apontada no esquema é a Construservice, que tem como sócio oculto Eduardo Costa Barros, o ‘Eduardo DP’, também conhecido como ‘Imperador’. Ele também é alvo da operação e foi preso.

Esquema de lavagem de dinheiro

 

Parte do dinheiro que foi apreendido pela Polícia Federal na operação — Foto: Divulgação/PF

Parte do dinheiro que foi apreendido pela Polícia Federal na operação — Foto: Divulgação/PFSegundo as investigações da PF, Eduardo comanda um esquema de lavagem de dinheiro realizado a partir do desvio de verba pública, por meio de fraudes em licitações. O mesmo esquema já havia sido descoberto anteriormente em uma operação da Polícia Civil, em 2015, no município de Dom Pedro.

Após a operação em 2015, os policiais federais notaram que o esquema criminoso não somente continuou, mas cresceu nos anos posteriores, alterando a origem da verba desviada, que passou a ser federal.

Na prática, os criminosos criam empresas de fachada e simulam competições durante as licitações, mas com o real propósito de fazer com que a empresa vencedora seja sempre a de Eduardo DP, que possui grandes contratos com a Codevasf: A Construservice.

Envolvidos

A Justiça Federal expediu mandados de prisão temporária, busca e apreensão, constrição patrimonial, afastamento do sigilo bancário e telefônico e busca pessoal para mais de dez envolvidos, entre pessoas e empresas que teriam ligação com o esquema.

Eduardo Costa foi o único que foi preso preventivamente pela Polícia Federal. Veja, abaixo, quem foram os alvos da operação nesta quarta-feira:

  • Eduardo José Barros Costa: apontado pela Polícia Federal como ‘sócio oculto’ da empresa Construservice;
  • Adilton da Silva Costa: um dos sócios e proprietários da empresa Construservice;
  • Alexjan Pereira Lima: ele é apontado pelas investigações, como uma das pessoas interpostas por Eduardo Costa, como proprietário da empresa Alexjan P Lima – ME, usada no esquema criminoso;
  • Alexjan P Lima – ME: segundo as investigações, seria uma empresa de fachada, usada no esquema de lavagem de dinheiro. Ela era usada para concorrer de forma simulada com a Construservice nas licitações fraudadas;
  • CGG Construções e Terraplanagem: segundo as investigações, seria uma empresa de fachada, usada no esquema de lavagem de dinheiro. Ela era usada para concorrer de forma simulada com a Construservice nas licitações fraudadas;
  • César Roberto Pereira: ele é apontado pelas investigações, como uma das pessoas interpostas por Eduardo Costa no esquema criminoso e um dos proprietários das empresas de fachada;
  • Construservice C. Empreendimentos e Construção LTDA: empresa utilizada no esquema criminoso;
  • Eliézer de Araújo Goes Santiago: ele é apontado pelas investigações, como uma das pessoas interpostas por Eduardo Costa no esquema criminoso e um dos proprietários das empresas de fachada;
  • ER Distribuidora de Asfalto e Emulsões: empresa de fachada usada no esquema de lavagem de dinheiro;
  • Raíssa Marques Silva: ela é apontada pelas investigações, como uma das pessoas interpostas por Eduardo Costa, como proprietária da empresa Raíssa Marques Silva Eireli, usada no esquema criminoso;
  • Rodrigo Gomes Casanova Júnior: um dos sócios e proprietários da empresa Construservice;
  • Superintendência da Codevasf no Maranhão: alvo de buscas pela Polícia Federal;
  • Topázio Comércio e Serviços LTDA: segundo as investigações, seria uma empresa de fachada, usada no esquema de lavagem de dinheiro;
  • Raíssa Marques Silva Eireli: empresa de fachada utilizada no esquema criminoso. Ela era usada para concorrer de forma simulada com a Construservice nas licitações fraudadas.

Contratos com a Codevasf

A estatal recebeu R$ 2,1 bilhões em emendas parlamentares entre 2018 a 2021. A Construservice, do Maranhão, é a segunda empresa que mais firmou contratos com a Codevasf no governo Bolsonaro. Já são R$ 140 milhões já empenhados.

A Construservice já foi alvo de uma operação da Polícia Civil, em 2015, por um envolvimento em um esquema que, segundo as investigações, desviou R$ 100 milhões de 42 prefeituras do Maranhão.

De acordo com a PF, além de colocar as suas empresas e bens em nome de terceiros, Eduardo DP ainda possui contas bancárias vinculadas a CPFs falsos, utilizando-se desse instrumento para perpetrar fraudes e dificultar a atuação dos órgãos de controle.

O que dizem os envolvidos

O g1 tenta contato com Eduardo Costa para comentar sobre as acusações da PF, mas ele ainda não foi encontrado para falar sobre o assunto.

Já a Codevasf afirmou que não teve acesso à decisão judicial que autorizou a operação policial, mas colabora com o trabalho realizado pelas autoridades policiais e proverá suporte integral às investigações. A Companhia disse ainda que mantém compromisso com a integridade de suas ações e com a elucidação de fatos.

g1 também tentou contato com os demais nomes envolvidos na operação, mas até o momento, eles não foram localizados.Ao todo, 80 policiais federais cumpriram as determinações judiciais expedidas pelo 1ª Vara Federal de São Luís. Se confirmadas as suspeitas, os investigados poderão responder por fraude à licitação, lavagem de capitais e associação criminosa. Somadas, as penas podem chegar a 16 anos de prisão.

Operação Odoacro

A operação foi denominada ‘Odoacro’ em referência ao sobrenome do soldado italiano que capitaneou uma revolta que colocou fim ao Império Romano, visto que um dos investigados pela PF é conhecido como ‘Imperador.’

Dinheiro vivo foi apreendido na operação da Polícia Federal no Maranhão — Foto: Divulgação/Polícia Federal

Dinheiro vivo foi apreendido na operação da Polícia Federal no Maranhão — Foto: Divulgação/Polícia Federal

Veículos encontrados durante a operação 'Odoacro' no Maranhão — Foto: Divulgação/PF

Veículos encontrados durante a operação ‘Odoacro’ no Maranhão — Foto: Divulgação/PF

Deu em G1

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista