Os investigadores da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR) responsáveis pelo caso do Banco Master vão priorizar, nesse primeiro momento, os inquéritos sobre crimes financeiros do banqueiro Daniel Vorcaro antes de começar a apurar as menções a políticos.
Existe uma preocupação nas equipes em não ampliar excessivamente o escopo da investigação para não perder o foco inicial do caso, que era a suspeita de irregularidades na venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).
Por isso, o vazamento de informações do celular de banqueiro – que haviam sido compartilhadas com a CPI do INSS – causou desconforto entre os investigadores.
Isso porque a divulgação antecipada dos nomes de possíveis investigados pode resultar até mesmo na destruição de provas.
Eles também avaliam que essa divulgação cria uma pressão externa sobre os órgãos de investigação, que devem se pautar neste momento, segundo eles, por uma atuação técnica e no tempo necessário para a colheita das provas.
A avaliação dos investigadores é que os crimes financeiros envolvidos são complexos, mas já há provas suficientes para comprovar irregularidades nas operações envolvendo o BRB e também no desvio de recursos do sistema financeiro para o patrimônio pessoal de Vorcaro e seus familiares.
A meta é finalizar os primeiros inquéritos sobre crimes financeiros ainda no primeiro semestre deste ano.
Uma das prioridades mais imediatas, na avaliação deles, seria buscar a recuperação do prejuízo financeiro causado pelo banqueiro.
Por isso, eles querem finalizar primeiro esse conjunto de casos. As menções a suspeitas de corrupção de políticos podem entrar na mira em um segundo estágio das investigações. Até o momento, não foi requisitado nenhum inquérito ao Supremo Tribunal Federal (STF) com foco em parlamentares ou outros políticos.
A existência de diálogos com o ministro Alexandre de Moraes, reveladas na semana passada pelo jornal O Globo, também não está na mira da investigação no momento.
A avaliação dos investigadores é que as informações extraídas do celular de Vorcaro não fornecem, até o momento, nenhum indício de crime por parte do ministro.
Uma das preocupações mencionadas é evitar erros cometidos cometidos por investigadores da antiga Operação Lava Jato: ampliar demais as linhas de apuração, mirar políticos sem provas suficientes e gerar uma reação em cadeia contra as investigações.
Esse cronograma também pode mudar diante de um conjunto de fatores dentro da investigação. Um deles seria caso o ministro André Mendonça, relator do caso, decidisse priorizar alguma linha específica de apuração.
Uma delação premiada de algum dos envolvidos, como do próprio banqueiro Daniel Vorcaro, também poderia agilizar a entrada dos políticos na investigação.
Relação boa entre os órgãos
Apesar da divergência da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República na necessidade de prisão de Vorcaro e seus aliados, a relação entre os investigadores dos dois órgãos ainda é considerada boa e de confiança.
As manifestações do procurador-geral da República, Paulo Gonet, nos autos do inquérito marcaram uma divergência maior com o relator André Mendonça do que com a PF.
Os investigadores dos dois órgãos continuam atuando em conjunto nas apurações e trocando informações sobre o caso.
Em uma das ações mais sensíveis realizadas pela PF, a entrega do relatório sobre as menções ao ministro Dias Toffoli, a PGR foi sendo informada dos passos da Polícia Federal antes que o documento fosse entregue ao STF – e, nos bastidores, deu o aval ao procedimento.
Como o STF decidiu arquivar o relatório, porém, a avaliação dos investigadores é que o assunto foi encerrado. As menções a Toffoli só poderiam entrar novamente na mira das investigações caso surjam novos elementos de prova sobre isso.
Estadão Conteúdo


