Mesmo diante de um cenário internacional de preços menos favoráveis, o estado registrou crescimento tanto no petróleo quanto no gás natural, reforçando a retomada gradual da atividade onshore.
De acordo com o Boletim de Petróleo e Gás do RN, divulgado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, da Ciência, da Tecnologia e da Inovação, a produção terrestre de petróleo passou de 2,61 milhões para 2,71 milhões de barris entre o segundo e o terceiro trimestre. O avanço foi de quase 99 mil barris, equivalente a uma alta de 3,8%.
No mesmo período, o gás natural apresentou desempenho ainda mais robusto. A produção saltou de 93,89 milhões para 100,85 milhões de metros cúbicos, crescimento de 7,4%, consolidando o recurso como vetor cada vez mais relevante na matriz energética estadual.
Comparação anual confirma retomada gradual da produção
Na comparação com o terceiro trimestre de 2024, os números também foram positivos. A produção de petróleo cresceu 1,6%, enquanto a de gás natural avançou 7,69%. O resultado aponta para maior estabilidade operacional e para uma expansão simultânea dos dois recursos, característica que vem marcando a nova fase do setor no estado.
Atualmente, sete produtoras independentes atuam em terra no RN. A Brava Energia, antiga 3R Petroleum, lidera com ampla vantagem, respondendo por 68% da produção total de petróleo.
Na sequência aparecem PetroRecôncavo, Mandacaru Energia, Níon Energia, Petrosynergy, Phoenix Óleo & Gás e Petro-Victory.
Campos maduros seguem como base da produção
Entre julho e setembro, a produção média diária atingiu 29,46 mil barris de petróleo e 1,09 milhão de metros cúbicos de gás natural. O Campo de Canto do Amaro manteve a liderança como principal polo produtor, com mais de 600 mil barris no trimestre.
Logo depois surgem os campos de Estreito e Salina Cristal, que seguem sustentando o desempenho do petróleo em terra. No segmento de gás natural, o destaque ficou com o Campo de Lorena, responsável por mais de 20 milhões de metros cúbicos, seguido por Livramento, Brejinho e Boa Esperança.
Esse cenário reforça o papel dos campos maduros, que, embora operem com produtividade menor por poço, garantem estabilidade e continuidade à produção estadual.
Produção marítima recua e gás ganha protagonismo
No mar, o movimento foi distinto. A produção marítima de petróleo apresentou queda de 21,37% em relação ao mesmo período de 2024, com redução de 53,4 mil barris. O dado reflete o declínio natural de campos maduros offshore.
Em contrapartida, o gás natural produzido no mar avançou 9,74%, com acréscimo de 1,22 milhão de metros cúbicos. A leitura do boletim indica uma transição em curso, na qual o gás assume papel crescente como ativo energético estratégico.
Royalties do petróleo caem para o Estado
Apesar do aumento da produção, a arrecadação estadual não acompanhou o mesmo ritmo. O Rio Grande do Norte recebeu R$ 58,27 milhões em royalties no trimestre, uma queda de 10,27% na comparação anual.
A redução está associada a uma combinação de fatores. Entre eles, preços de referência menos favoráveis no mercado internacional, maior participação do gás natural — que possui valor unitário inferior ao do petróleo — e a expansão da produção em campos maduros, que operam com alíquotas reduzidas.
Além disso, a redistribuição dos royalties do gás tende a favorecer mais os municípios do que o governo estadual, alterando a dinâmica das receitas públicas.
Municípios concentram ganhos e ampliam receitas
Enquanto o Estado sentiu o impacto negativo, os municípios potiguares registraram avanço significativo. No total, as cidades receberam R$ 107,79 milhões em royalties no terceiro trimestre.
A concentração foi elevada. Apenas 20 municípios ficaram com cerca de 96% do total distribuído. Grossos liderou o ranking, com R$ 17,97 milhões, seguido por Tibau, Serra do Mel, Alto do Rodrigues, Mossoró e Felipe Guerra.
Somando os repasses ao Estado e aos municípios, a distribuição total de royalties de petróleo e gás no RN alcançou R$ 159,06 milhões no período, crescimento de 7,75% em relação ao mesmo trimestre de 2024.
No recorte exclusivamente municipal, os repasses chegaram a R$ 100,79 milhões, uma alta expressiva de 21,9%, evidenciando o peso crescente da atividade petrolífera nas finanças locais, mesmo em um ambiente de preços menos favoráveis para o petróleo.

